A economia nunca foi gerida de forma tão disfuncional, por Andre Motta Araujo

O atual Ministro da Economia é o Ministro adequado à decadência e à desintegração da economia brasileira

Agência Brasil

A economia nunca foi gerida de forma tão disfuncional

por Andre Motta Araujo

Se o Governo Bolsonaro quiser tirar lições do Governo Militar de 1964, lembre-se que as direções da PETROBRAS, do BANCO DO BRASIL, do BNDES, da ELETROBRAS, nunca foram delegadas ao Ministro que dirigia a economia, porque são companhias estratégicas e que o Presidente queria manter sob seu controle e vigilância. Pior ainda, esse Ministro da Economia, sem um artigo, um livro, um trabalho conhecido, sem experiência de políticas públicas, sem vivência partidária ou parlamentar, sem robustez acadêmica, JUNTOU sob seu guarda-chuva quatro Ministérios históricos com trajetórias, visões e objetivos diferentes.

Em nenhum lugar do mundo o Ministério do Trabalho foi colocado sob o Ministério que cuida da economia, são funções em princípio ANTAGÔNICAS e é preciso que assim seja. Juntar tudo isso sob o mesmo casco e pior ainda sob mãos INEXPERIENTES, INTELECTUALMENTE FRACAS, sem nenhuma experiência anterior de macroeconomia e políticas públicas, leigos acham que dirigir uma corretora é a mesma coisa que dirigir a economia de um grande e complexo País, algo que é tão diferente como um enfermeiro de posto de saúde e um cirurgião cardiologista. Ambos lidam com sangue e agulhas, mas são profissões completamente diferentes, que exigem maturações, aprendizados, reflexões, vivências distintas que não se improvisam, é preciso lastro anterior.

Pois além de abarcar quatro Ministérios esse Ministro também se encarregou de designar amigos na Presidência da PETROBRAS, do BANCO DO BRASIL, e outras estatais. Nunca se viu coisa igual. Em 1950 o então eleito Presidente Vargas nomeou para a Fazenda Horácio Lafer e para o Banco do Brasil um rival, Ricardo Jafet, um judeu e um árabe. Vargas quis balancear poder. O todo poderoso Delfim nunca nomeou Presidente da PETROBRAS. Como o governo Bolsonaro entrega praticamente todas as estatais a Guedes, que prontamente nomeou PRIVATISTAS que são CONTRA a existência da companhia que iriam presidir, quer dizer, eles foram nomeados para vender a empresa, não para geri-la, o que vai inclusive contra a Lei. O ex-Presidente do Banco do Brasil se referiu ao histórico Banco como “essa porra de Banco do Brasil” querendo dizer que era melhor vender logo.

Para completar o desastre, nenhum desses amigos de mercado financeiro tinha qualificação para os cargos, meros curiosos e palpiteiros, sem o currículo especializado na área, sem o prestígio de um grande nome, sem trabalhos acadêmicos de peso, sem relações nos respectivos círculos especializados. Em Davos 2019 e 2020 o Brasil teve a presença minúscula de um pequeno país africano, não apareceu, não brilhou, não teve pedidos de encontros, um dos maiores países do mundo reduzido a uma paroquia de aldeia.

A MASSA CRÍTICA PARA DIRIGIR A ECONOMIA

Nos tempos de cérebros de primeira ordem, como Roberto Campos, Delfim Neto, Reis Velloso, Mario Henrique Simonsen, Otavio Gouveia de Bulhões, Ernane Galveas, João Camillo Penna, o Ministério permitia uma soma de opiniões, de pontos de vista, de angulações, de visões distintas, esse grupo levou o Brasil a construir sua infraestrutura básica de energia, de rodovias, de aeroportos, de pesquisa agrícola, de indústria naval e aeronáutica, de metrôs. Foi esse núcleo de cabeças pensantes que implantou o que hoje o Brasil tem, de mecanismos como o FGTS, o BANCO CENTRAL, as exportações de manufaturados, o Pré-Sal, as refinarias de petróleo, os linhões de energia, Itaipu, com pleno emprego, moradia popular, TUDO O QUE CONHECEMOS COMO progresso se fez com cabeças pensantes e ecléticas, ninguém com ideias fixas neoliberais.

Roberto Campos, com quem tive o prazer de conviver, era tido como privatista, mas foi ele quem organizou o BNDES, deu enorme impulso à PETROBRAS, arrumou recursos para a ELETROBRAS. Ele era privatista em termos, sabia operar o Estado e não tinha ideias fixas e especialmente tinha cultura, suas memórias são um fantástico repositório de visões sobre o mundo.

O atual Ministro da Economia é o Ministro adequado à decadência e à desintegração da economia brasileira, sua derrapagem de uma economia industrial para uma economia de biscateiros, como algum País da costa ocidental da África, uma queda de tudo, mas especialmente uma impressionante queda de qualidade de homens e ideias.

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