A Escola e sua função social, por Sonia Jobim

A escola é a primeira esfera de transmissão de conhecimentos, normas e valores sociais, passados coercitivamente pelo Estado e, portanto, está na esfera política.

A Escola e sua função social, por Sonia Jobim

Hoje minha análise vai para a gestão escolar e exercício do magistério.

Primeiramente temos de ter em mente o que significa a instituição escolar.

Na estrutura social, a escola é um dos pilares (tradicionais), junto com a família e religião, de formação do indivíduo para a cidadania. O que isso significa?

A escola é a primeira esfera de transmissão de conhecimentos, normas e valores sociais, passados coercitivamente pelo Estado e, portanto, está na esfera política. Nesta perspectiva entende-se os objetivos da legislação escolar até o Currículo Mínimo.

Apesar da escola ser uma instituição política, provedora da informação, ela é dialógica ou seja, dialoga reflexivamente com a sociedade, que forma e na qual é conformada.

Os valores familiares e religiosos de todos os que compõem a escola, se confrontam na diversidade de ideias e visão de mundo, inerente ao ser humano e isso exige da gestão escolar uma conduta de permanente diálogo e atenção não só com os alunos, mas principalmente com os profissionais que colocarão em prática o currículo mínimo.

O que ocorre é que todos os conhecimentos que compõem o currículo mínimo, posto pelo Estado para orientar e normatizar a visão de mundo e comportamento social, estão na esfera da ciência, o que conduz a uma compreensão racional da realidade e a exigência da análise e reflexão. E a pergunta chave de todo o conhecimento é: por que?

São três as áreas de conhecimento escolar: Linguagem (Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Artes e Educação Física), Exatas (Matemática, Física, Química e Biologia) e Humanas (Geografia, História, Filosofia e Sociologia). Todas tem seus porquês, porém é na área das Humanas que encontramos o conhecimento da vida material, politica e social de todo cidadão. E na conduta de intervenção sociológica (inaugurada por Alain Tourraine), os profissionais desta área tem o dever de levantar questões que impactam a vida social.

Entende-se a posição da escola na estrutura social e sua função na sociedade, porém é a vocação dialógica da escola com todos os que dela fazem parte, que torna condição fundamental a análise reflexiva do currículo mínimo assim como a necessidade do planejamento deste currículo por área.

O conhecimento não pode ser estanque e fragmentado. A História é mãe da Sociologia, assim como a Filosofia é seu pai. Sem a Filosofia e a História, a Sociologia não realiza com sucesso o trabalho de análise sociológica da sociedade contemporânea.

É papel da gestão escolar deixar claro o status politico da escola dentro do município, do Estado e do país da qual faz parte e isso posto, oferecer tempo e espaço para a analise curricular e planejamento inter e transdisciplinar, de forma a garantir que cada profissional exerça plenamente o dever que acolheu para si ao escolher ser professor.  O planejamento garante a eficácia da compreensão do processo histórico das transformações sociais e seus impactos na sociedade. Por exemplo, para se analisar o racismo atual, é necessário requisitos históricos como o processo de escravidão na estrutura econômica e social nos primeiros quatrocentos anos de historia do Brasil. Para se analisar a situação do proletariado hoje, é necessário que o aluno conheça a mudança que ocorreu na massa da população pobre desde que era servo, escravo até tornar-se proletário. Para falar do feminismo, é necessário conhecer como a sociedade dos séculos XVII e XVIII viam a mulher.

A escola é uma instituição de reprodução de conhecimentos, valores e normas do governo instituído, mas é também espaço de análise e reflexão; e somente através desta conduta dialógica que a cidadania se torna plena e forma um cidadão consciente de sua visão de mundo e das ações que escolhe implementar.

A gestão escolar por tudo isso, não pode esperar dos profissionais da educação que apenas executem as diretrizes colocadas, que em sua instancia vem, de forma coercitiva e não dialógica, do Estado. Nesta perspectiva e no atendimento à missão transformadora da escola faz-se necessário a consciência política para uma postura de coragem diante das hierarquias de mando. Essa consciência politica robustece e fundamenta o argumento da escola, nas negociações de implantação de projetos governamentais e com isso, fortalece os professores, cientistas em suas áreas e os estimula ao exercício de um magistério responsável e compromissado com a educação e a formação da cidadania plena.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora