As caravanas e a defesa da democracia, por Francisco Celso Calmon

Se a caravana anterior recebeu o nome de “Lula pelo Brasil”, a atual, que iniciou pelo Recife, deveria receber o batismo de “Caravanas Pela Democracia”.

Foto Ricardo Stuckert

As caravanas e a defesa da democracia

por Francisco Celso Calmon

Em qualquer época e em qualquer tempo manifestações e atos políticos públicos, sob a ótica da luta de classes, visa sempre, para além do significado em si do evento, produzir duas coisas: 1 – promover a organização do povo; 2 – elevar a consciência político-ideológica dos participantes.

As caravanas lulistas já começaram e como era esperado com êxito. Repetindo o sucesso das caravanas passadas. 

A conjuntura atual não é a mesma daquela durante a qual a caravana “Lula pelo Brasil” ´percorreu o país, chegando no Sul a receber hostilidade violenta, com tiros.

Naquela ocasião ainda havia a perspectiva de eleições sem golpes. 

A quadrilha corrupta da lava jato (com STF e tudo mais), cumprindo o objetivo primordial de tirar Lula da eleição, o aprisionou.

Tivemos uma eleição sem Lula como candidato, com ele encarcerado e censurado, sem direitos a apoiar o seu candidato, Fernando Haddad, e até mesmo votar.   

De lá pra cá tudo piorou. O Estado de Direito foi ruindo, a democracia sofrendo abalos permanentes e a economia sendo desregulamentada a serviço da implantação de um capitalismo de desastre, primitivo e bárbaro.

O ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO foi sendo substituído pelo ESTADO POLICIAL, mantido e operado por milícias, militares, policiais e togas deformadas, seguindo um “projeto” ideológico de natureza nazifascista. 

O precário estado do bem-estar social da era Lula/Dilma foi transformado num estado de mal-estar social, cujas maldades com o povo trabalhador não cessam de ser expelidas pelo dragão da maldade Paulo Guedes.

Guedes rasga o bolso do pobre, mas não mete a mão no bolso do rico.

É um governo assumidamente a serviço dos ricos em desfavor do pobre, descaradamente aparelhado pelo mercado financeiro e contra o mercado de trabalho, desavergonhadamente serviçal aos EUA e antipatriótico, a despeito de seu falso slogan como o do “Brasil acima de tudo”. 

A combinação de uma política miliciano e de uma economia draconiana atingiu o povo como injeções de drogas anestésicas e tirou o seu pouco ânimo de luta contra as adversidades comuns.  

Um povo que é constituído de maiorias de negros, 54,5 %, de mulheres, 52,5, e de trabalhadores, 66%, mas que ainda não se fizeram protagonistas e hegemônicos na luta social de classes.

A opção de Lula por se entregar à prisão, já cumpriu o objetivo de mostrar a estratégia lawfare, ou seja, a utilização das leis e do sistema de justiça como arma de guerra da classe dominante, logo, capciosa, parcial e injusta, a serviço de um projeto político anti-esquerda, particularmente contra o PT (por ser o maior partido), e tendo Lula (por ser o maior líder popular) como seu adversário número Um. 

O Intercept cumpriu o papel de desmascarar a lava jato.  As revelações do Intercept não foram frutos de um jornalismo investigativo, mas de um suposto hacker, a quem, junto com Green, merece todas as homenagens e reconhecimentos.

Cumpriram com desbravada coragem, Lula, Green e o suposto hacker, o papel de evitar que o Estado Policial fosse consolidado. Sem eles o autoritarismo seria mais despudoramente miliciano.

Se a caravana anterior recebeu o nome de “Lula pelo Brasil”, a atual, que iniciou pelo Recife, deveria receber o batismo de “Caravanas Pela Democracia”.

Crer que Lula será inocentado sem que a democracia seja recomposta é a mais pura ingenuidade ou o mesmo desvio na crença da conciliação de classes como método.

O Lula é o líder capaz de galvanizar o povo e articular as forças institucionais democráticas pela defesa e restauração do Estado Democrático de Direito.

O foco nesta etapa é maior que o movimento “Lula livre”, é o movimento de defesa da democracia. Para tanto, não só ser batizada como CARAVANAS PELA DEMOCRACIA”, como ter o propósito de, em cada evento, em cada capital, fomentar a consciência de rejeição ao Estado miliciano e à nefasta realidade socioeconômica do trabalhador e do país.

Incentivar a organização do povo pela base e a sua consciência de luta devem ser os propósitos das atuais caravanas lulistas. É isso que as lutas no Chile e na Bolívia estão mostrando. É isso que a Venezuela e Cuba já mostraram. É isso que a politização do povo argentino e o desprendimento de Cristina Kirchner ensinaram.

Transformar os comitês Lula livre em Comitês de Defesa da Democracia e os multiplicar deve ser o objetivo amplo, geral e irrestrito. 

Levar para cada local que a caravana passar “O DIÁRIO DAS CARAVANAS”, com sinopse da realidade local e orientações à luta concreta, para servir de matéria prima à politização, com círculos de leituras e debates nesses comitês de defesa da democracia.   

Francisco Celso Calmon é Administrador, Advogado, Coordenador do Fórum Memória, Verdade e Justiça do ES; autor do livro Combates pela Democracia (2012) e autor de artigos nos livros A Resistência ao Golpe de 2016 (2016) e Comentários a uma Sentença Anunciada: O Processo Lula (2017)

1 comentário

  1. Parabéns ao autor! Essa deve ser, sim, a bandeira a ser empunhada pelos q prezam a democracia e o estado de bem estar do povo! Fazer espalhar o ideal democrático, inverter a roda ditatorial, contagiar, pela renovação da esperança… Lula, além de líder histórico, já é em vida uma ideia; ele pode catalisar a união progressista com vistas a um novo círculo virtuoso. O Brasil tem jeito!

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