Bolsonaro vai cair?, por Ricardo Cappelli

O jogo do poder funciona com regras próprias. Uma boa forma de tentar responder à “pergunta do milhão” é pular direto para o final do filme.

Foto Sergio Lima - Poder360

Bolsonaro vai cair?

por Ricardo Cappelli

A prisão de Queiroz, a demissão de Weintraub e a validação do inquérito das fake news pelo STF movimentaram as apostas. A cabeça de Flávio Bolsonaro pode ser a próxima derrota humilhante. Seria o começo do fim?
O jogo do poder funciona com regras próprias. Uma boa forma de tentar responder à “pergunta do milhão” é pular direto para o final do filme.
Quem ganha e quem perde com a queda de Bolsonaro?
Os fatos, mesmo os mais importantes ou absurdos, modificam peças no tabuleiro, aumentam a pressão, mas não tomam a decisão.
Rodrigo Maia já deixou claro que não pretende pautar o impeachment. Não quer correr o risco de acabar como Ibsen Pinheiro ou Eduardo Cunha. Sem povo nas ruas, o Congresso vai derrubar o capitão numa sessão virtual?
O principal ganhador seria Mourão. O vice faz de tudo para se inviabilizar. Interessa aos demais atores políticos entronizar um bolsonarismo sem Bolsonaro?
O TSE vai cassar a chapa? Novas eleições seriam convocadas. Doria poderia concorrer? Moro e Huck, sem filiação partidária, estariam habilitados? Lula, inabilitado, continuaria excluído. Esta solução interessa a quem? A agenda liberal seria ratificada nas urnas?
O único setor da classe dominante que deseja a queda do presidente é a Globo. Ela pode muito, mas não pode tudo. Os donos do dinheiro continuam fechados com a agenda de Guedes.
O ministro da Economia anunciou que só as reformas salvam o Brasil. Um misto de fanatismo ideológico e cinismo – querem aproveitar a crise para liquidar o estado brasileiro.
O “Posto Ipiranga” virou uma espécie de “seguro-problema”. Se aplicar seu programa – engolido pela pandemia e abolido no mundo inteiro -, o risco da popularidade do governo derreter é enorme. Se demitir o devoto de Chicago, o presidente perde o apoio da Banca e pode cair.
Culpar os governadores pela crise econômica parece ser seu único recurso.
O capitão vai aprendendo da pior forma possível que não existe poder ilimitado. O poder é ele mesmo e suas circunstâncias. Está sempre submetido à correlação de forças do momento.
Sem força objetiva para realizar seus desejos autoritários, Bolsonaro virou o adolescente rebelde que sai de casa e volta na segunda esquina ao perceber que não possui um centavo no bolso. Suas bravatas viraram piada.
 Está morto? Ninguém morre com 1/3 da população ao seu lado. Mas governar é outro papo. Conservar este apoio popular com as mortes escalando e a economia derretendo não será nada fácil.
Em função da falta de interessados e da bengala liberal, o mais provável é um presidente fraco, cada vez mais tutelado e cercado, até as próximas eleições.

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11 comentários

  1. Se ele cai ou não, tanto faz, pois os problemas são profundíssimos.
    Acho que a aprovação da Lei da Fome (como eu denomino aquela MP do Bolsonaro retirando mais direitos trabalhistas) é a vitória do governo. Sem dúvida.
    A sua aprovação aponta para condições de governabilidade. Ou, ao menos, um alinhamento do Congresso nas pautas antipovo, com ou sem Bolsonaro.
    Não se trata de apoiar, mas de constatar.
    Numa hipótese de novas eleições (cenário “otimista”)… bem… com esse Congresso?

  2. Governar com 1/3 é difícil? Depende do poder e do entusiasmo deste terço e de quem está do outro lado. Sobre o TOTAL do eleitorado Bolsonaro tem 1/3 desde o primeiro turno, cresceu no segundo e baixou de novo. O terço de agora deve ser, majoritariamente, o mesmo do início e parece fiel.

    Do outro lado, tínhamos aqueles tradicionais quase 30% que não votam em ninguém. E temos agora mais de 20% que acham o governo regular, nem bom nem ruim. Não dá para saber como esses dados se cruzam com exatidão, mas é possível que os que verdadeiramente se opõem a Bolsonaro não sejam mais que o terço que o defende.

  3. Eu acho que Bolsonaro cai por uma outra questão. E quem vai derrubá-lo é a direita. Se ele chegar ao final deste mandato, será difícil não ir para o segundo turno. A outra vaga deve ficar com alguém da esquerda. Acho difícil 2 candidatos de direita no 2o turno (nunca aconteceu, aliás). Da maneira como atua, não conseguirá implementar nada dessa agenda neoliberal. Assim, ou a direita derruba o sujeito para ter alguma chance em 2022, ou vai ficar a ver navios sem implementar sua agenda.

  4. Confesso que fico confuso com os artigos do Ricardo Capelli. Afinal, trata-se de um filiado ao PC do B, com um cargo importante no Maranhão. Ele nos apresenta a política como um cassino, onde se fazem apostas. Abre o artigo: “A prisão de Queiroz, a demissão de Weintraub e a validação do inquérito das fake news pelo STF movimentaram as apostas.” Não deveria, pois, um partido, ainda mais de esquerda, ainda mais com a palavra “comunista” o nome, dispor de um programa? Ao levar a cabo o que diz Capelli, a política do PC do B é definida por casuísmo, no mercado de apostas.

    Segue, “Sem povo nas ruas, o Congresso vai derrubar o capitão numa sessão virtual?”. Neste ponto, é fundamental esclarecer que o PC do B é o principal entusiasta da assim chamada “política de frente ampla”. São até agora contrários à palavra de ordem “Fora Bolsonaro” que, obviamente, expressa a política de mobilizar as ruas para derrubar o governo. Portanto, a pergunta de Capelli é cínica na medida em que o próprio partido boicota esta via de desenvolvimento da situação política.

    Mais adiante, “O “Posto Ipiranga” virou uma espécie de “seguro-problema”. Se aplicar seu programa – engolido pela pandemia e abolido no mundo inteiro -, o risco da popularidade do governo derreter é enorme.”. Gostaríamos de saber qual o método utilizado para aferir a popularidade do governo que, segundo Capelli, “poderia derreter”. Ao que consta em uma breve experiência de agitação política nas ruas, o apoio popular à derrubada e Bolsonaro é praticamente unânime. “Popularidade” é o apelo positivo de algo ou alguém em meio ao povo. Basta ir ao povo e se esvazia como um balão defeituoso a pretensa tese de “popularidade” do atual governo.

    “Está morto? Ninguém morre com 1/3 da população ao seu lado. Mas governar é outro papo.”. Neste ponto, a já tradicional tese mitológica do “impeachment por falta de apoio popular”. De acordo com esta tese, um processo de impeachment só seria possível com a perda do apoio popular do governo. No entanto, duas coisas precisariam ser explicadas: primeiro, como Bolsonaro poderia ter o apoio de um terço da população se sequer foi eleito por um terço da população e faz um “governo” desastroso? Segundo, como se explicaria o impeachment de Dilma Rousseff, que na véspera do golpe provocou manifestações gigantescas de apoio popular ao governo? (Para refrescar a memória, fotos no seguinte link: https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2016/03/18/manifestacoes-pro-governo-acontecem-em-24-estados-e-distrito-federal.htm)

    Ao fim, Capelli, que buscou caracterizar a situação política como uma grande jogatina, vaticina: “Em função da falta de interessados e da bengala liberal, o mais provável é um presidente fraco, cada vez mais tutelado e cercado, até as próximas eleições.”. Na verdade, isso não é um exercício de futurologia, mas sim um cálculo político de uma já velha conhecida: a política de “Frente Ampla” e de “esperar até 2022”, “acumular forças”, “a questão do governo Bolsonaro não é uma corrida de 100 metros rasos, mas uma maratona de 42 quilômetros”. A bem da verdade, estamos diante de uma enorme falsificação política, pois o que Capelli aponta como “provável”, na realidade é uma escolha política de não mobilizar a população, de abrir mão da independência política ao capitular ao regime golpista de 2016 e de adotar uma estratégia puramente eleitoral.

  5. Nassif: esse papocabeça do Ricardo merece observações. Primeiro, não se trata de “Capitão”, mas de simples “Tenente” (tipo Hitler). Essa de “Capitão” é prêmio de consolação, graciosamente oferecido pelos VerdeSauvas, para aqueles que são expulsos da Corporação. Uma variante da antiga “praieira”. Tipo “prêmio moral”, àqueles que, mesmo promissores no caminho das Armas, escorrega na maionese, como o dito cujo. Do mais, o ViceÍndio dificilmente governaria sem a sanha tirânica do seu “chefe”. Seu tato político é choco e seu jogo de cintura com os bambambans do mercado Congresso/Judiciário tende a um desastre. O formigueiro palaciano, este sim estará lotadinho dos 50 tons de verdes, complementando renda. A EsquerdaConsentida continuará sem discurso para levantar a galera, que só pensa em futebol, churrasco na laje e cachaça. E a Elite irá de vento em popa com grana da corrupção, apesar da pirotécnica grande mídia (esse quarto Poder) agitando a massa. Essa de impeachment? Nem futricando (pra não dizer outra coisa), que Botafogo não é bobo. Vai cultivando a galinha dos ovos de ouro, enquanto o JudiciárioSuperior mama nas tetas dos acórdãos. Cada decisão (tão falando) e respondido com bene$$e$ que nem o Centrão calcula. E por falar nesse, a chapa Waldemarzinho/JeffersonX-9 tá bombando nas paradas. Com forte chances de emplacar. Tanto, que já tem gente dos “Verdinhos” visitando a base da corrupção prometendo anistia. Então, não é o fim do que sequer começou. Pra mim, pode até a mosca mudar. Mas a merda tá prometendo continuar a mesma…

  6. Possíveis cenários futuros para o desgoverno do Brasil:
    1) Impeachment
    2) Renúncia
    3) Cassação da chapa
    4) Autogolpe militar-miliciano
    5) Povo na rua derrubando o desgoverno
    6) O bozo continuar
    1) Impeachment: a buzanfa gorda do Maia + o centrão mercenário podem sentar encima das dezenas de pedidos de impeachment.
    2) Renúncia: enquanto tiver 30% de apoio do gado, o Bozo pode se achar ainda forte e partir para mais loucuras.
    3) Cassação da chapa: os elitistas STF e TSE só fariam isso se tivessem certeza que a direita (sobretudo o PSDB) voltasse ao poder e mantivesse a política econômica desastrosa do Guedes.
    4) Autogolpe: seria possível se o resto das forças armadas e das polícias quisessem tomar o estado em mãos correndo o risco de levar culpa pelas catástrofes sociais, econômicas, ambientais e da quebra da democracia e da diplomacia. E também criminalizadas como coautoras de genocídio provocado pela pandemia e pelas políticas ditatoriais do capetão.
    5) Revolta popular generalizada: pandemia, falta de união das esquerdas, sem lideranças, povo desmobilizado por anos de lavagem cerebral tornam difíceis este cenário.
    6) Bozo enfraquecido até 2022: é possível com um acordo entre a direita e a extrema-direita para levar em fogo brando o genocida até onde der, ou seja, até que a direita consiga forças suficientes para recompor sua base política e possa controlar plenamente o sistema.

  7. Uau!
    Parabéns pela lucidez, coisa raríssima na esquerda.
    Passam os dias sonhando com uma nova eleição presidencial, que será vencida pelo PT – naturalmente, porque quem não concorda com Lula, é porque não entendeu o que ele disse – e os mais delirantes acham até que o atual Congresso será dissolvido – não se sabe por quem – para que o PT eleja 250 deputados federais…

  8. Será? O que pode ser mantido em banho maria é a saída desse “presidente” apenas para o ano que vem. Qdo se poderá fazer as maracutaias de sempre , dentro da lei , é claro. Pobres de nós.

  9. Fruto ruim tem que apodrecer na árvore pois se cair contamina o solo.
    O que não pode é passar pelo congresso putarias como esta mp anti trabalhista, pois covardias como esta é que mantém os “30%”, que parece mais um mantra de pesquisa que uma realidade.

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