Crise econômica, crise política, crise institucional, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Bolsonaro confunde sua sobrevivência política pessoal com os interesses do Brasil. Trump nunca comete esse erro. Ele sempre defende os interesses norte-americanos.

Crise econômica, crise política, crise institucional

por Fábio de Oliveira Ribeiro

Ontem o dólar passou a barreira dos 5 reais. A Bovespa sofreu um tombo. O petróleo baixou para 30 dólares o barril. E a Petrobras sofreu uma desvalorização de ativos bilionária.

Os norte-americanos continuam exportando seus problemas financeiros para os satélites fragilizados. E dessa vez quem sofrerá o maior impacto da crise que começou nos EUA será o Brasil, pois nosso país passou a exportar petróleo cru e a importar gasolina e diesel norte-americano.

As desvantagens do novo acordo firmado entre Brasil e EUA são evidentes. Em breve nós estaremos importando sucata militar “made in USA”. Em troca dele, Trump disse que não promete nada em relação às exportações brasileiras para os EUA.

A subordinação brasileira ao império dos olhos azuis norte-americano está se transformando numa armadilha. Na prática nós estamos sendo pilhados como se fossemos uma colônia africana do Império Britânico no século XIX.

Bolsonaro confunde sua sobrevivência política pessoal com os interesses do Brasil. Trump nunca comete esse erro. Ele sempre defende os interesses norte-americanos. Quando Trump negocia com um governante caipira, inseguro e irracional o sucesso dele é imenso. No caso do Brasil, ele aproveitou a oportunidade para fazer barba e cabelo.

Nesse momento ninguém no governo cuida dos interesses de longo prazo do nosso país. Acuado pela catástrofe econômica desta segunda-feira, Paulo Guedes afirmou que continuará fazendo mais do mesmo. Ele disse que usará a crise para acelerar as reformas.

Nesse momento a adoção de mais austeridade causará apenas três coisas: maior empobrecimento da população, encolhimento da receita fiscal e a necessidade de mais austeridade. Desperdiçadas as reservas cambiais, o Brasil vai pedir empréstimos ao FMI para continuar fazendo mais do mesmo.

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A única novidade será a expansão da criminalidade organizada pela familícia e protegida pelos coiteiros Sérgio Moro e Augusto Aras. Sobre esse assunto vide o excelente comentário de Luís Nassif. O Estado brasileiro está sendo africanizado. Jair Bolsonaro se apoia em Donald Trump para se tornar o Idi Amin Dada branco de Pindorama.

O próximo passo do tirano brasileiro será aumentar a hostilidade contra a Venezuela para desviar a atenção do fracasso de sua política externa e econômica. O maior sonho da Embaixada dos EUA está prestes a se realizar: o Brasil vai se autodestruir tentando destruir a Venezuela em benefício dos norte-americanos.

A democracia brasileira já foi destruída. O que resta dela não será capaz de resistir ao bolsonarismo. Um indício deste fato é o silêncio do Parlamento e do STF em relação à clara violação da Constituição Cidadã por Bolsonaro ao convocar as manifestações fascistas do dia 15 de março.

A violência política já está se tornando a regra. A execução de um carnavalesco que criticou o mito sugere que Bolsonaro pode ter começado a cumprir a promessa que fez na década de 1980, quando ele disse ser a favorável à tortura e a existência de grupos de extermínio.

Tudo indica que só nos restou tentar salvar Estado brasileiro da insanidade de um regime que se diz a favor do militarismo e que descarta qualquer militar que ameace os interesses obscuros dos Bolsonaro ou que se torne inimigo por Olavo de Carvalho. Infelizmente isso não poderá ser feito apenas com passeatas e Twitters.

No imaginário dos ideólogos do bolsonarismo, uma guerra externa contra a Venezuela ajudaria a reforçar o apoio dos EUA ao novo regime permitindo sua perpetuação. Todavia, o grande problema é que a política interna do mito inviabiliza qualquer coalizão de forças políticas em torno desse objetivo. Bolsonaro está discriminando a região nordeste. Portanto, seria muito mais provável ele causar uma guerra interna. Sem o apoio das Forças Armadas e da esmagadora maioria dos governadores das outras regiões, entretanto, o presidente nunca conseguirá dar início às hostilidades.
Bolsonaro é um jumento confinado num poço. Ele foi capaz de chegar lá sozinho. Mas não conseguirá sair de seu confinamento com a ajuda do neoliberalismo.

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