Morrer para nascer Travesti: a pedagogia da intolerância, por Tassio Acosta

Compreendendo a escola como um dispositivo da manutenção da relação de poder, expressões de gênero foram determinantes nas discriminações e intolerâncias

Morrer para nascer Travesti: performatividades, escolaridades e a pedagogia da intolerância

Por Tassio Acosta
Doutorando em educação (Unicamp), Mestre em educação (UFSCar), Especialista em Ética, valores e cidadania na escola (USP), Historiador e Pedagogista. As áreas de atuação: gêneros, sexualidades e subjetividades. Docente da Universidade Santa Cecília

Dissertação de Mestrado no Programa de Pós Graduação em Educação, UFSCar, 2016

Este trabalho analisa as narrativas que tratam das vivências escolares de seis travestis da cidade de Sorocaba-SP, partindo da perspectiva queer como inspiração de análise pela concepção de que as discriminações na escola estiveram centradas na manutenção da heteronormatividade enquanto processo disciplinador.

Compreendendo a escola como um dispositivo da manutenção da relação de poder, suas expressões de gênero foram determinantes para que este processo fosse acionado de forma mais intensa – ora invisibilizando, ora dando extrema visibilidade para que servissem como exemplo de comportamentos/identidades “anormais”.

Os dispositivos disciplinares generificados mais recorrentes nas narrativas foram relacionados ao nome civil, o uniforme escolar, o banheiro coletivo e as aulas de Educação Física. Foram observadas diversas tentativas de resistência a estes dispositivos, além de estratégias de “compensação” frente à discriminação, como ser a melhor aluna em algumas disciplinas, ser boa esportista ou buscar relacionamentos interpessoais com outros alunos “rebeldes”, buscando aceitação e/ou fortalecimento frente às normatizações.

A violência simbólica esteve presente por meio da atribuição de apelidos machistas, tanto por alunos quanto por professores, que muitas vezes apoiavam incivilidades e violências diversas contra as interlocutoras. Elas eram culpabilizadas, tanto pelo corpo docente quanto gestor, pelas violências sofridas. Quando o marcador de raça era acionado, como no caso de duas participantes negras, as violências se faziam mais presentes.

O reconhecimento de suas precariedades e vulnerabilidades é necessário para a fomentação de políticas públicas específicas, por meio de ações afirmativas, com o objetivo de tirá-las das margens sociais e fazer com que suas vidas sejam mais vivíveis.

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Palavras-chave: Travesti. Transfobia. Escola.

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