Não se deixem enganar com a economia, por Rui Daher

Os aparelhos econômicos a integrarem funções desenvolvimentistas estão atrofiados.

Não se deixem enganar com a economia, por Rui Daher

Na constatação de que, em quase um ano, não surgiu milímetro de sanidade em qualquer setor do poder incumbente, esforçam-se folhas e telas cotidianas para incensar ou, pelo menos poupar, a política econômica “guedista”.

Como? Interpretando pífios índices a comprovarem “sinais de economia em recuperação”, e colocando-os em perspectiva otimista para 2020. Não percebem a palidez do paciente e muito menos o estado deplorável e comprometedor de órgãos vitais, entendidos aí atividades produtivas que geram emprego, renda e consumo.

Expectativas como sempre orientadas pelos contadores que assinam seus balanços e nutridas por empedernidos economistas neoliberais, que medem a febre do paciente com termômetro político conservador e religioso farisaico.

Para eles, orar em cemitérios de miseráveis deveria ser o único ofício de Bergoglio, o Papa Francisco, a encomendar almas ao céu e ao léu.

Alguns poucos, no entanto, começam a perceber, olhando o mundo fora da Federação de Corporações, que o modelo “Chicago Boys” de Paulo Guedes, esgotou e faliu. Armínio Fraga, Lara Resende, entre outros, sinalizam o que, ano após ano, ensinam Belluzzo, Laura Carvalho, Galípolo, Pochmann, a madrinha Conceição Tavares.

Mas, não. A mídia alta embarca em Loyolas, Pessôas, Lisboas, e se autoengana.

Os aparelhos econômicos a integrarem funções desenvolvimentistas estão atrofiados. Os indicadores mostram mais um paciente em estado terminal do que saltitante recebendo alta médica.

Brinde: como publicado em CartaCapital

“Uma análise sobre o papelão anunciado do governo Bolsonaro na COP 25”

Que o Regente Insano Primeiro era campeão em besteirol, quisessem, todos poderiam saber. Bastavam apenas três neurônios: um que notasse sua inatividade em 28 anos de política; o segundo, que se espantasse com a deformação de caráter violento, racista, machista e homofóbico; e um terceiro, que lembrasse pretendentes a governar não criarem “facatoides” para fugirem de debates.

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Também bastaria meia de uma dessas células nervosas, para indicar que os herdeiros do trono não sairiam diferentes do regem patrem.

Mas, como aqui se diz, tudo o que é ruim pode piorar, e a clã Bolsonaro foi buscar quem? Olavo Luiz Pimentel de Carvalho, segundo a Wikipedia, pois dele nunca quis saber tal seu ostracismo, “ensaísta, influenciador digital, ideólogo, jornalista, astrólogo, e autoproclamado filósofo”.

Em época de Pretas Sextas-Feiras e Festas Natalinas, ofereço grátis um exemplar do livro “Dominó de Botequim” a quem sintetizar a função social de tais qualificações.

E o sintético pensador foi no ponto: para fazer do capitão e seus herdeiros mais qualificados, levar ao extremo o baixo nível da equipe a eles subordinada. Definam-me Tinder Damares, Pontes Primeiro no Espaço Sideral, Weintraub Maconha nas Federais, o da Funarte Rock Satânico, augustos e helenos generais.

Como caridade, só peço que não analisem Salles e Araújo, Meio Ambiente e Relações Exteriores, respectivamente. Estes são meus! Ninguém tasca.

Entre 2 e 13 de dezembro, quase 200 países estarão reunidos em Madri, Espanha, (seria no Brasil, mas Jair não quis) para a COP 25, Conferência das Partes da ONU. Procurarão metas mais efetivas para controlar o aquecimento global provocado pelo ser humano. “Hora da Ação”, é o slogan da atual edição. “Estudos científicos mostram que as emissões de gases causadores do efeito estufa continuam subindo – e não caindo, como deveria ser.”

São ambiciosas as metas que serão propostas na Conferência, mas não tanto quanto as enunciadas pela dobradinha Salles e Araújo – sempre que escrevo o termo lembro de equinos correndo em pistas de areia ou grama.

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Pedirão ajuda em dinheiro aos demais países para que o Brasil cumpra aquilo que mente que faz ou fará. Vendem suas ineficiência e inércia.

Dois imbecis, pois. Depois do exponencial aumento do desmatamento e dos incêndios na Amazônia, vazamentos de óleo no Nordeste, tragédias em Brumadinho e outras barragens, liberação da mineração em terras indígenas, previsto fim da moratória da soja, e liberação do plantio de cana-de-açúcar no bioma, hoje em dia, mais visado e percebido pelas sociedades que habitam os países desenvolvidos.

Então, queremos o quê? A comunidade internacional pondo dinheiro em quem mal sabe cuidar de seu rico patrimônio ambiental?

Há imbróglios antigos a serem perseguidos na COP 25, pois nunca obtidos nas edições anteriores. A conclusão das regras, na forma de um tratado, que confirme os protocolos do Acordo de Paris, principalmente, sobre o mercado de carbono.

Como contabilizar o volume transacionado e que reflita, de forma justa e exata, o que foi emitido de gases de efeito estufa para a atmosfera, e o realmente subtraído.

O Brasil tem sido um dos principais países a divergir do que deveria ter sido concluído na Polônia. Quer que cada país tenha autonomia para definir seus próprios adicionais.

Se não seguido um tratado, por todos acordado, e verificado em instâncias independentes, como confiar um no outro?

Com as desastradas atuações e declarações da dobradinha Salles e Araújo, mais os fatos aqui enumerados de ocorrências cometidas contra o meio ambiente, este ano no Brasil, chegaremos a Madri com o rabo entre as pernas.

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Inté.

 

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