O desmonte do INSS conforme planejado, por André Motta Araújo

Ideia fixa da equipe econômica é adotar regime de capitalização tal qual no Chile – e não tem problema se não deu certo por lá

O desmonte do INSS conforme planejado

por André Motta Araújo

A ideia fixa dos terraplanistas da equipe econômica é o regime de capitalização como o modelo chileno, onde cada trabalhador paga sozinho o fundo para sua aposentadoria, com o que ao final da vida de trabalho o fundo é tão pequeno que a aposentadoria será uma miséria, como no Chile.

Não deu certo no Chile? Não tem importância, eles são fanáticos de seita, acreditam que estão certos e o resto do mundo errado, incluindo o Social Security da pátria-mãe dessa turma, os Estados Unidos (https://www.ssa.gov/) – que paga US$ 1 trilhão de benefícios anuais a idosos, viúvas e inválidos, e é mantido por uma administração própria custeada pela contribuição sobre a folha de salários.

Esse sistema foi criado pelo Presidente Franklin Roosevelt e é um orgulho dos Estados Unidos, a ponto de sua carteira de beneficiado servir como carteira de identidade. Todo americano tem Social Security e ninguém pensa em acabar com o sistema para instalar um modelo chileno maluco.

Nessa nova política atual, o INSS é uma excrescência e nem deveria existir: quem administra a capitalização são gestoras privadas. No Chile, em 2018, elas tiveram US$ 1 bilhão em lucros.

Portanto, o previsível mau funcionamento do INSS, com filas imensas para todos os benefícios, está dentro dos planos. Se a ideia é acabar com o INSS deve-se deixá-lo morrer, sem concursos para suprir as vagas dos que se aposentaram – só em 2019 foram 6 mil funcionários.

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O sistema de informática da Previdência, o Dataprev, vai ser privatizado e a demissão de funcionários para cortar 15% da folha já teve início. É claro que, nesse clima, as filas só podem crescer e não tem como acabar, só aumentar, o que é uma boa propaganda para a capitalização e muito bom para o ajuste fiscal.

Os militares como solução

Usar militares da reserva como tapa-buracos no INSS não irá resolver o aumento das filas. A lógica seria oferecer aos funcionários aposentados do INSS uma proposta de recontratação temporária, uma vez que eles já conhecem o serviço e não precisam de treinamento.

Mas a ideia NÃO é resolver o problema, que ajuda no ajuste fiscal: mais filas significam menos dispêndios; quem está na fila não esta recebendo nada, dinheiro que não entra na economia e ajuda na meta de inflação; quanto menos gente comprando melhor, na visão da equipe econômica.

A ideia de usar militares é outra: é envolver as Forças Armadas na defesa do Governo. Militares no INSS amedrontam os reclamantes velhos, viúvas, as grávidas e os inválidos.

No caso de qualquer protesto mais forte, é só invocar a GLO (Garantia da Lei e da Ordem) e trazer a tropa de choque, porque os militares da reserva no INSS vão ser a linha de frente na porta das agencias para defender o governo. Não haverá manifestações porque o problema só vai aumentar, e aí o Governo já terá militares prontos no local para a blindagem.

Depois do INSS, a Receita, o SERPRO, a Embrapa

A política alucinada do Estado mínimo em um País emergente – o Estado é muito maior nos Estados Unidos do que se pretende aqui – vai avançar sobre todas as instituições que levaram 200 anos para se estruturarem: museus, institutos de pesquisas, saúde pública, educação, correios, bancos públicos. A ideia é acabar com tudo pelo desmonte, concessão ou privatização, à moda chilena, onde não há mais nenhum serviço do Estado, é tudo privado e caro.

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Os “mercados” apoiam porque acham que vão ganhar, mas sem Estado não há moldura institucional que garanta os “mercados”. Manifestações de 180 milhões de pobres podem brotar de repente e levar os “mercados” de roldão, como no Chile. A mesma cegueira atinge a mídia global, que continua a passar pano na equipe Guedes, como se ela fosse o lado virtuoso desse grupo que está no governo. Quando a casa cair, cai com todos dentro.

A chave para entender o plano macro desse grupo é a entrevista de Paulo Guedes no programa Central das Eleições em 2018, na Globonews, onde ele esbravejou que em 6 meses venderia R$ 2 trilhões de bens públicos e resolveria o problema da divida.

Era uma alucinação. Guedes não deixou nenhum jornalista apartar, falava como um fanático de igreja, possuído por um ente. Hoje se contêm, mas o projeto já era esse e continua sua implantação na velocidade politicamente possível, com apoio do Congresso, mídia e dos “mercados”.

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13 comentários

    • Tal qual a Familia Saud, que é dona da Arabia Saudita, aquela que esquarteja jornalista: e o Brasil está se tornando propriedade da Familicia Bolsonaro e as Instituicoes fazem vista grossa: quando abrirem os olhos será tarde demais para que o pais volte a integrar o mundo civilizado, anotem ai

  1. Pra dizer a verdade, só estão fechando a tampa do caixão…..o INSS está se for esvaziado faz tempo…..antes havia uma legião de estagiários que acredito não sejam mais utilizados, talvez que trabalhe bj o órgão explique melhor, mas era o que eu observava quando ia lá……mas o INSS sempre foi meio jogado as traças….a prefeitura de São Paulo não fica atrás, parece que estão apenas esperando o último concursado sair para apagar a luz…..

    • O INSS que eu conheci tinha servidores abnegados que seguravam o barco, havia um bom espirito de
      corpo, o grupo mais experiente de funcionario se aposetou e NÃO foram repostos, não fizeram mais
      concursos na linha do AJUSTISMO e só poderia dar m… e deu. Pelo numero de beneficios, feita uma
      relação beneficiados/funcionarios, o INSS tem MENOS FUNCIONARIOS por segurado do que a Administração do Seguro Social dos EUA, que tem 60.000 funcionarios.

    • Naldo, nada a ver.
      Antes do BozoNazi a aposentaria saia em poucos meses
      Desde o golpe de 2016 que o INSS vem sendo destruido pra ser vendido aos amigos do Poderso Chefao

      • Me aposentei durante os governos do PT. Primeiro governo Dilma.
        Agendei a data, fui atendido na hora marcada e não demorou mais de trinta minutos.
        Depois de uns quarenta dias, recebi o primeiro provento.
        Este governo vai destruir a Brasil a um ponto que não haverá meios de reconstrução.
        Poderá acabar em um conflito com milhares de mortos e o país arruinado.

  2. O regime de capitalização como o modelo chileno, não deu certo pra quem? Os bancos de lá não lucraram nada nesses 30 anos? Esse pensamento linear da manchete é muito simplório…

      • Mas enquanto não ruiu… lucrou-se.
        Agora o estado chileno volta a pensionar o cidadão até o sistema de arrecadação ficar forte o suficiente para financiar os próximos benefícios. Depois, é só privatizar de novo.
        Banqueiros têm um ditado interessante que diz:
        “Se você não sabe o que fazer com o seu dinheiro, pode deixar que a gente cuida dele”
        “Se você não tem os seus próprios planos vai servir ao plano dos outros”

  3. E não aparece nenhum adélio com uma motoserra ligada em velocidade máxima para cortar fora a cabeça do maldito que está fazendo isso? pois só assim mesmo para esses facistas filhos da puta tomarem medo de alguma coisa…

  4. Foi inevitável eu me lembrar de quando li uma matéria do O Globo falando da intenção do governo quebrar o monopólio do INSS em alguns do benefícios. E não dá pra esquecer a senhorita Ana Carla Abrão dando como a coisa mais natural do mundo que os serviços do INSS fossem se deteriorar e já era bom que o governo fizesse isso logo.
    https://oglobo.globo.com/brasil/o-essencial-da-manha-governo-quer-fim-do-monopolio-no-pagamento-de-beneficios-do-inss-23870919

  5. O Presidente do INSS, prevendo o esvaziamento dos servidores da autarquia, emitiu 5 notas técnicas pedindo contratacão dos excedente do último concurso, além de novo concurso.

    E tudo isso dentro do prazo de validade do concurso, sendo que tinha estagiários exercendo atividades típicas dos técnicos do seguro social, e não deram ouvidos.

    Para completar, uma galera de excedentes entrou com mandado de segurança alegando preterição, conforme entende o STF, e os juízes negaram. No entanto, como nosso judiciário é imoral e parcial, os tribunais estão concedendo o direito à nomeação para quem entrou com ações individuais. Já quem impetrou ações coletivas, não estão logrando êxito, mesmo os excedentes encontram-se em situação iguais em ambos os casos.
    Triste Brasil….

  6. O Presidente do INSS, prevendo o esvaziamento dos servidores da autarquia, emitiu 5 notas técnicas pedindo contratacão dos excedente do último concurso, além de novo concurso.

    E tudo isso dentro do prazo de validade do concurso, sendo que tinha estagiários exercendo atividades típicas dos técnicos do seguro social, e não deram ouvidos.

    Para completar, uma galera de excedentes entrou com mandado de segurança alegando preterição, conforme entende o STF, e os juízes negaram. No entanto, como nosso judiciário é imoral e parcial, os tribunais estão concedendo o direito à nomeação para quem entrou com ações individuais. Já quem impetrou ações coletivas, não estão logrando êxito, mesmo os excedentes encontram-se em situação iguais em ambos os casos.
    Triste Brasil…….

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