15 de junho de 2026

O desmonte do INSS conforme planejado, por André Motta Araújo

Ideia fixa da equipe econômica é adotar regime de capitalização tal qual no Chile – e não tem problema se não deu certo por lá

O desmonte do INSS conforme planejado

por André Motta Araújo

A ideia fixa dos terraplanistas da equipe econômica é o regime de capitalização como o modelo chileno, onde cada trabalhador paga sozinho o fundo para sua aposentadoria, com o que ao final da vida de trabalho o fundo é tão pequeno que a aposentadoria será uma miséria, como no Chile.

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Não deu certo no Chile? Não tem importância, eles são fanáticos de seita, acreditam que estão certos e o resto do mundo errado, incluindo o Social Security da pátria-mãe dessa turma, os Estados Unidos (https://www.ssa.gov/) – que paga US$ 1 trilhão de benefícios anuais a idosos, viúvas e inválidos, e é mantido por uma administração própria custeada pela contribuição sobre a folha de salários.

Esse sistema foi criado pelo Presidente Franklin Roosevelt e é um orgulho dos Estados Unidos, a ponto de sua carteira de beneficiado servir como carteira de identidade. Todo americano tem Social Security e ninguém pensa em acabar com o sistema para instalar um modelo chileno maluco.

Nessa nova política atual, o INSS é uma excrescência e nem deveria existir: quem administra a capitalização são gestoras privadas. No Chile, em 2018, elas tiveram US$ 1 bilhão em lucros.

Portanto, o previsível mau funcionamento do INSS, com filas imensas para todos os benefícios, está dentro dos planos. Se a ideia é acabar com o INSS deve-se deixá-lo morrer, sem concursos para suprir as vagas dos que se aposentaram – só em 2019 foram 6 mil funcionários.

O sistema de informática da Previdência, o Dataprev, vai ser privatizado e a demissão de funcionários para cortar 15% da folha já teve início. É claro que, nesse clima, as filas só podem crescer e não tem como acabar, só aumentar, o que é uma boa propaganda para a capitalização e muito bom para o ajuste fiscal.

Os militares como solução

Usar militares da reserva como tapa-buracos no INSS não irá resolver o aumento das filas. A lógica seria oferecer aos funcionários aposentados do INSS uma proposta de recontratação temporária, uma vez que eles já conhecem o serviço e não precisam de treinamento.

Mas a ideia NÃO é resolver o problema, que ajuda no ajuste fiscal: mais filas significam menos dispêndios; quem está na fila não esta recebendo nada, dinheiro que não entra na economia e ajuda na meta de inflação; quanto menos gente comprando melhor, na visão da equipe econômica.

A ideia de usar militares é outra: é envolver as Forças Armadas na defesa do Governo. Militares no INSS amedrontam os reclamantes velhos, viúvas, as grávidas e os inválidos.

No caso de qualquer protesto mais forte, é só invocar a GLO (Garantia da Lei e da Ordem) e trazer a tropa de choque, porque os militares da reserva no INSS vão ser a linha de frente na porta das agencias para defender o governo. Não haverá manifestações porque o problema só vai aumentar, e aí o Governo já terá militares prontos no local para a blindagem.

Depois do INSS, a Receita, o SERPRO, a Embrapa

A política alucinada do Estado mínimo em um País emergente – o Estado é muito maior nos Estados Unidos do que se pretende aqui – vai avançar sobre todas as instituições que levaram 200 anos para se estruturarem: museus, institutos de pesquisas, saúde pública, educação, correios, bancos públicos. A ideia é acabar com tudo pelo desmonte, concessão ou privatização, à moda chilena, onde não há mais nenhum serviço do Estado, é tudo privado e caro.

Os “mercados” apoiam porque acham que vão ganhar, mas sem Estado não há moldura institucional que garanta os “mercados”. Manifestações de 180 milhões de pobres podem brotar de repente e levar os “mercados” de roldão, como no Chile. A mesma cegueira atinge a mídia global, que continua a passar pano na equipe Guedes, como se ela fosse o lado virtuoso desse grupo que está no governo. Quando a casa cair, cai com todos dentro.

A chave para entender o plano macro desse grupo é a entrevista de Paulo Guedes no programa Central das Eleições em 2018, na Globonews, onde ele esbravejou que em 6 meses venderia R$ 2 trilhões de bens públicos e resolveria o problema da divida.

Era uma alucinação. Guedes não deixou nenhum jornalista apartar, falava como um fanático de igreja, possuído por um ente. Hoje se contêm, mas o projeto já era esse e continua sua implantação na velocidade politicamente possível, com apoio do Congresso, mídia e dos “mercados”.

Andre Motta Araujo

Advogado, foi dirigente do Sindicato Nacional da Indústria Elétrica, presidente da Emplasa-Empresa de Planejamento Urbano do Estado de S. Paulo

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

13 Comentários
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  1. Andre Rs T

    18 de janeiro de 2020 12:29 pm

    O Poderoso Chefão quer um pais pra chamar de seu…..e atraves do desmonte ta conseguindo

    1. Marcos Felix de Andrade

      18 de janeiro de 2020 2:59 pm

      Tal qual a Familia Saud, que é dona da Arabia Saudita, aquela que esquarteja jornalista: e o Brasil está se tornando propriedade da Familicia Bolsonaro e as Instituicoes fazem vista grossa: quando abrirem os olhos será tarde demais para que o pais volte a integrar o mundo civilizado, anotem ai

  2. Naldo

    18 de janeiro de 2020 1:10 pm

    Pra dizer a verdade, só estão fechando a tampa do caixão…..o INSS está se for esvaziado faz tempo…..antes havia uma legião de estagiários que acredito não sejam mais utilizados, talvez que trabalhe bj o órgão explique melhor, mas era o que eu observava quando ia lá……mas o INSS sempre foi meio jogado as traças….a prefeitura de São Paulo não fica atrás, parece que estão apenas esperando o último concursado sair para apagar a luz…..

    1. andre araujo

      18 de janeiro de 2020 5:56 pm

      O INSS que eu conheci tinha servidores abnegados que seguravam o barco, havia um bom espirito de
      corpo, o grupo mais experiente de funcionario se aposetou e NÃO foram repostos, não fizeram mais
      concursos na linha do AJUSTISMO e só poderia dar m… e deu. Pelo numero de beneficios, feita uma
      relação beneficiados/funcionarios, o INSS tem MENOS FUNCIONARIOS por segurado do que a Administração do Seguro Social dos EUA, que tem 60.000 funcionarios.

    2. Andre Rs T

      18 de janeiro de 2020 6:59 pm

      Naldo, nada a ver.
      Antes do BozoNazi a aposentaria saia em poucos meses
      Desde o golpe de 2016 que o INSS vem sendo destruido pra ser vendido aos amigos do Poderso Chefao

      1. Josimar

        19 de janeiro de 2020 10:03 am

        Me aposentei durante os governos do PT. Primeiro governo Dilma.
        Agendei a data, fui atendido na hora marcada e não demorou mais de trinta minutos.
        Depois de uns quarenta dias, recebi o primeiro provento.
        Este governo vai destruir a Brasil a um ponto que não haverá meios de reconstrução.
        Poderá acabar em um conflito com milhares de mortos e o país arruinado.

  3. Pereira

    18 de janeiro de 2020 3:10 pm

    O regime de capitalização como o modelo chileno, não deu certo pra quem? Os bancos de lá não lucraram nada nesses 30 anos? Esse pensamento linear da manchete é muito simplório…

    1. andre araujo

      18 de janeiro de 2020 5:00 pm

      Mas o sistema ruiu com as manifestações, é tão ruim que não tem futuro.

      1. AMORAIZA

        18 de janeiro de 2020 6:10 pm

        Mas enquanto não ruiu… lucrou-se.
        Agora o estado chileno volta a pensionar o cidadão até o sistema de arrecadação ficar forte o suficiente para financiar os próximos benefícios. Depois, é só privatizar de novo.
        Banqueiros têm um ditado interessante que diz:
        “Se você não sabe o que fazer com o seu dinheiro, pode deixar que a gente cuida dele”
        “Se você não tem os seus próprios planos vai servir ao plano dos outros”

  4. VALDIR CARRASCO

    18 de janeiro de 2020 4:32 pm

    E não aparece nenhum adélio com uma motoserra ligada em velocidade máxima para cortar fora a cabeça do maldito que está fazendo isso? pois só assim mesmo para esses facistas filhos da puta tomarem medo de alguma coisa…

  5. João Paulo

    20 de janeiro de 2020 4:57 pm

    Foi inevitável eu me lembrar de quando li uma matéria do O Globo falando da intenção do governo quebrar o monopólio do INSS em alguns do benefícios. E não dá pra esquecer a senhorita Ana Carla Abrão dando como a coisa mais natural do mundo que os serviços do INSS fossem se deteriorar e já era bom que o governo fizesse isso logo.
    https://oglobo.globo.com/brasil/o-essencial-da-manha-governo-quer-fim-do-monopolio-no-pagamento-de-beneficios-do-inss-23870919

  6. Deusywan

    11 de fevereiro de 2020 7:02 pm

    O Presidente do INSS, prevendo o esvaziamento dos servidores da autarquia, emitiu 5 notas técnicas pedindo contratacão dos excedente do último concurso, além de novo concurso.

    E tudo isso dentro do prazo de validade do concurso, sendo que tinha estagiários exercendo atividades típicas dos técnicos do seguro social, e não deram ouvidos.

    Para completar, uma galera de excedentes entrou com mandado de segurança alegando preterição, conforme entende o STF, e os juízes negaram. No entanto, como nosso judiciário é imoral e parcial, os tribunais estão concedendo o direito à nomeação para quem entrou com ações individuais. Já quem impetrou ações coletivas, não estão logrando êxito, mesmo os excedentes encontram-se em situação iguais em ambos os casos.
    Triste Brasil….

  7. Deusywan

    11 de fevereiro de 2020 7:04 pm

    O Presidente do INSS, prevendo o esvaziamento dos servidores da autarquia, emitiu 5 notas técnicas pedindo contratacão dos excedente do último concurso, além de novo concurso.

    E tudo isso dentro do prazo de validade do concurso, sendo que tinha estagiários exercendo atividades típicas dos técnicos do seguro social, e não deram ouvidos.

    Para completar, uma galera de excedentes entrou com mandado de segurança alegando preterição, conforme entende o STF, e os juízes negaram. No entanto, como nosso judiciário é imoral e parcial, os tribunais estão concedendo o direito à nomeação para quem entrou com ações individuais. Já quem impetrou ações coletivas, não estão logrando êxito, mesmo os excedentes encontram-se em situação iguais em ambos os casos.
    Triste Brasil…….

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