O que será de junho de 2020, uma suposição, por Rui Daher

Que Brasil era aquele? Décadas 70/80, século passado? Ditadura militar, então? (...) Muitos de vocês sabem, outros ouviram falar. Eu tenho certeza

O que será de junho de 2020, uma suposição

por Rui Daher

 

Por um tempo, não mais. Faltarei pouco, pois nunca resisto, né? O que deve estar pensando minha editora, farta do que ela chama de frescuras do Rui Daher? Tem razão, e não, embora nunca confessei a ela, sentir-me um almirante brasileiro, comandando um encouraçado (temos?).

Sabe ela, eu ser generoso. Não apenas com o GGN, mas com os milhares que aqui querem publicar . E não é que se dão bem? A tática deve dar certo. Saúdo-os, como, frequente o faço a quem preserva a invencível cultura popular brasileira.

Só que cansei de escrever a poucos, tão enorme é a intelligentsia brazuca aqui presente. Volto, então, às maravilhosas dupla Lilian e Leno, e décadas atrás, Jerry Adriano, Tony e Cely Campello, Vanusa, e a doce queijinho mineiro, Martinha. Voltemos, então. Iremos juntos.

Que Brasil era aquele? Décadas 70/80, século passado? Ditadura militar, então? E daí? Deixamos de compor, filmar, teatralizar excelências, irmos às ruas, prisões, torturas e mortes. Muitos de vocês sabem, outros ouviram falar. Eu tenho certeza. Foi o que vivi.

A minha militância estudantil da esquerda desprezava-os, sem entender que se tratava de outra forma de transformação, não pela política militante, como a minha, mas pela ingenuidade e pela simplicidade com que falavam ao coração do povo, enquanto queríamos a revolução transformadora, maior justiça social, igualdade de direitos, governos menos voltados às elites, mas com prioridades dirigidas aos pobres.

Nossa maioria pertencia, como hoje em dia (menos), às classes médias menos sacrificadas, mas humanistas e idealistas combativas, à ponto das torturas e mortes.

Vejo isso voltar, e agora, no lugar da Jovem Guarda, Simonal, Tony Tornado, Jerry, Lilian e Leno, Erasmo e Roberto, Martinha, a gostosíssima Vanderléa, temos duplas (o quê?), sertanejas, caipiras. A decadência é imensa.

Mentira? Eles nada representam, além do fim da forte cultura brasileira? Sei não. São as covas, o fim e a destruição de uma cultura nacional, das mais ricas e diversas, como a norte-americana fez através dos blues, jazz e rock.“Fecho encerro, reverbero aqui me fino, aqui me zero”, escrevi em 31 de dezembro de 2017. Será? Aqui estou. Estarei?

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