Parcerias nascidas no Blog LN: encontros de imagens e poesias, por Odonir Oliveira

Estou aqui nesse blog há mais de 10 anos. Durante esse período aprendi muita coisa sobre política, que acho que ainda sei pouco.

Aprendi sobre arte e cultura em geral, que é minha área de interesse, além de educação que é minha área de formação.

Escrevo muito, desde os 10 anos meus primeiros voos rasos, e apenas extra corpo, em prosa e verso. Ao escrevermos, organizamos nossas ideias e isso é bom.

Sempre trabalhei com literatura casada à música e ao cinema, em salas de aula, por mais de 30 anos.

Sempre me relacionei com os frequentadores do blog em saraus, encontros no Bar do Alemão, nas palestras do Brasilianas etc.

Estando em MG há quase 2 anos, com outra qualidade de vida, isso me proporcionou mais tempo para escrever e me dedicar à produção de conteúdo para o meu blog , aqui no do Nassif.

Assim, a amizade com Luciano Hortencio tem me trazido muito conhecimento musical; os posts de Laura Macedo idem e de outros companheiros de blog que se empenham em alargar nossos olhares.

Escrever poesia, demanda refazer, burilar, lapidar, sintetizar ou … simplemente escrever, sem preocupações acadêmicas e exigências vaidosamente líricas. Às vezes um procedimento impede o outro. 

Há uns meses, comecei a escrever a partir de estímulos visuais, vídeos- o que nunca tentara fazer. Trata-se de um processo interessante que demanda ler a imagem, a sonorização, se houver, e inserir-me em palavras naquele contexto.É quase ser os olhos e as intenções do cinegrafista.

Sinto-me, assim, como em um percurso inverso ao dos ilustradores de livros que leem as histórias para recriá-las em imagens.

Isso tem me dado GRANDE PRAZER, tanto na expectativa do surgimento de um novo vídeo, quanto da aceitação do enquadramento vídeo e texto.

Essa é uma parceria nascida aqui nesse blog e levada para o Youtube etc.

Os vídeos são de Jones-  jns ​- e estão em seu canal no youtube. Refere-se ele a mim como a poetisa mineira, embora eu seja carioca, por questão de sonoridade Odonir Oliveira- poetisa mineira.

Já há cerca de 20 vídeos e poemas .

Acredito que sejam filhos paridos por este blog e, portanto, um fenômeno interessante.

 

 

https://www.youtube.com/watch?v=_AtIzcNKHR0]

 

O RIO LAMENTA

O rio lamenta 
quer ser acolhido
quer ser abraçado
quer se saber rio de novo

que grande
que vivo
que servil
que essencial
que eterno.

Quer um guia
que o filtre
que o acompanhe
que o registre
que o vocaliize
que o verseje
em sua dor.

 

Odonir Oliveira

https://www.youtube.com/watch?v=iOZQqp4xQfc]

 

ODE 

Ó céu,
que rebelde,
assumes todas as dores da terra
retorces a auréola da luz primeira
tornando-a última,
como se com isso 
punisses todos os homens 
por erros culpas desvios.

Ó céu,
que punes a claridade do dia
enrubescendo-a em sua moldura
escancarando-a com carrancas soturnas
para poder dela por fim se livrar.

Ó céu,
que queres,
se quanto mais duro te tornas
mais doce e lírico
te esbanjas 
aos que te contemplam?

Que desejas, ó céu,
com fascinante beleza,
que por minutos,
liquida-nos, 
arrebata-nos 
como num golpe fatal. 

Odonir Oliveira

 

Leia também:  O bolsonarismo, as milícias e a pós-verdade, por Tania Maria de Oliveira

https://www.youtube.com/watch?v=zBFRSnjjjD0]

 

BICHO D’ÁGUA

 

Espreita

Aproxima

Mergulha

Quase noite ou quase dia ?

Chega

Submerge

Espreita …

Quase noite ou quase dia?

Esconde

Mexe

Cutuca futuca

Quase noite ou quase dia?

Mergulha

Quase noite ou quase dia?

Sufoca, respira

Sufoca , respira

Sombra …  reflexo?

Quase noite ou quase dia?

Confunde a luz

Provoca  as ondas,

suaves ondas,

em águas de narciso.

Quase noite

Quase um dia.

 

Odonir Oliveira

 

https://www.youtube.com/watch?v=PHs4fS0pDbM]

 

NOITE

 

Sei que é noite

porque de vento

e de  ondas

os coqueiros respondem aos sinais.

 

Sei que é noite

porque ali

ficamos só nós dois

sem que nos percebessem,

que parecíamos

invisíveis.

Em simbiose de esperas

Em sussurros de combinações

Em movimentos de contemplações.

 

Sei que é noite

porque em meu corpo

sinto a noite

assim em todos os seus sinais.

 

Odonir Oliveira

 

https://www.youtube.com/watch?v=p2mNw-gYXw0]

 

OLHOS DE VER

 

Ainda não

Agora sim ?

Ainda não.

 

Pés na água

Pés na terra

Pés no chão

Passos.

Agora  sim ?

Ainda não.

 

Aguardo o instante

Aguardo a luz certa

O brilho certo

Aquela nuvem

Aquele movimento

Aquele tom

 

Giro o olho

Paro o olho

Encaro

Emolduro

 

Agora sim

Ainda, sim !

 

Odonir Oliveira

 

https://www.youtube.com/watch?v=f4gYX0tlWso]

 

UNS  BARCOS

Nessas ilhas de águas doces
barcos à deriva
ainda que juntos
esperam
anseiam
dançam

o vento é forte
dançam
o vento é doce
aguardam
o vento é visgo
acolhem

o vento não para de ventar
o vento ajuda a navegar
o vento, ainda que fraco,
segura-os nessas águas
doces
líricas
a não naufragar

doces ventos
ventos doces
águas doces
palavras doces

Odonir Oliveira

 

https://www.youtube.com/watch?v=PUYWaoiEb7U]

 

MINEIRO

Um orgulho de Minas…
segue o mineiro em busca
de seu espírito,
em busca de seu corpo
perseguido pelo aço de suas conquistas.

Vai, mineiro.
Segue o rumo
Busca o rumo
Encontra o rumo

Ruma
Chega
Olha
Conhece
Desfruta

Aquiesce seu coração
com o acalanto das montanhas
e o brilho das estrelas, 
nelas,
junto delas, 
o alcance de suas mãos.

 

 Odonir Oliveira
 

https://www.youtube.com/watch?v=JWjTfwyq65I]

 

DEUSES DE AQUARELA

 

Louvo cores

louvo carícias de ondas

em  areias sensíveis.

 

Louvo  tonalidades,

Subtonalidades,

como  tingidas por deidades

Inequívocas.

 

Louvo por  encontrar

no céu

no mar

na areia

mais do que céu mar areia.

 

Louvo  o chão de meu torrão

porque não tem o Tejo.

Mas tem meu mar

meus rios,

meus lagos e minhas lagoas.

 

Odonir Oliveira

 

https://www.youtube.com/watch?v=QPwduu40p1c]

 

NA PELE DAS ÁGUAS

 

Uivo para a lua

Uivo para a rua

Uivo para  montanhas lagos lagoas

 Na percussão do meu pensamento

A batera do meu sentimento

Namoro a ponte

Namoro na ponte.

 

Empino o sax

Desejo a tarde

Cobiço a noite

Cobiço-a à noite

 

O cheiro é um

O gosto é outro

Na pele das águas.

 

No  nervo da luz

No  músculo retesado do braço

Da perna firme em marcha

Marcha  calma,  trôpega, insinuante, feroz,

que enlevada pela luz bruxuleante do dia

 logo  vai se  encontrar com a noite

A um idílio completo.

 

Leia também:  A doméstica de Guedes é a classe média candidata a opressora, por Armando Coelho Neto

Odonir Oliveira

 

[video:https://www.youtube.com/watch?v=vVB4osH0_k4]

 

POENTE

 

Todos correm

Apressados

A dança se inicia

Onde estaria meu par?

 

Passos apressados

Ritmo acelerado

Que desse lado já dançam !

São muitos os pares.

 

Ajeito a boca

Com batom vermelho da cor do poente

Arrumo os cabelos curtos

Mas embaralhados

Por aquelas emoções.

 

Procuro

Procuro

Onde estaria meu par?

 

Apresso a coreografia

Antes que ele se perca de mim.

Apresso

Apresso

Vislumbro-o ao longe, que longe!

 

Do outro lado do lago.

De lá, comigo não poderá dançar.

 

Aceno

Aceno

Ele me entende

e atravessa,

 também ele,

coreografando passos,

o lago.

 

Agora sim ,

aqui perto,

corpo a corpo,

pele a pele,

nos engatamos no ritmo

também.

 

Odonir Oliveira

 

 

[video:https://www.youtube.com/watch?v=kFCeFXP2Rdc

 

EM CASCATA

 

Que água é essa

que escorre,

atropela,

carrega,

dissolve

dilui

molha e

suaviza?

 

Que água é essa

que ensurdece a razão

lubrifica o espírito

entontece o corpo e

asperge a devoção?

 

Que água é essa

que sonoriza histórias

colore cenas

entorpece sentidos e

emoldura beirais?

 

Que água é essa

que devassa as palavras

desmata as distâncias

deflora as margens e

irrompe em murmúrios?

 

Que água é essa?

exibida

exuberante

medonha

terrível

quedando

pelos caminhos?

 

Que água é essa?!

 

Odonir Oliveira

 

[video:https://www.youtube.com/watch?v=lxaLosEQBoc

 

O MONSTRO DO LAGO LARGO

Nas águas estáticas

o oculto ser eclipsado de dor

rumina sua sina água barro lodo chão

 

Cabeça disforme 

corpo bipartido

membros quase resignados.

 

Entretanto, com um mínimo movimento,

águas estáticas se chocam

levemente

se chocam

promovendo duas mãos 

estendidas

acima do lodo.

 

Mãos que exalam perfume

Mãos que adoçam o ar

Mãos que murmuram, 

como bocas,

uma lírica

desconhecida,

estrangeira,

incomum.

 

Odonir Oliveira

 

[video:https://www.youtube.com/watch?v=pV6LP6BJYVY

 

NA FRANJA DO MAR

 

Com as dores todas,

beijo a franja do mar

miro ao longe

quase na curva do horizonte

a entrega

do que a maré me trouxe

toco nela

bebo dela

sal da minha vida

Expurgo os restos refugos

aproveito as ondas

enxaguo as feridas,

sangrando ainda,

regozijo interno,

com o que me entrega o mar

porque não sou eu,

mas ‘quem me navega

é o mar.’

 

Odonir Oliveira

 

[video:https://www.youtube.com/watch?v=3KL54xNzrrM

 

TREM DE CARGA

 

Nos dormentes,

vagões vazios

dormem

solitários

de vozes

risos abraços beijos

Despedidas ausentes

chegadas ausentes

encontros e reencontros

ausentes.

Carga pesada

fantasma

que apita

chegadas

partidas

sem paradas

sem estações sentimentais

sem coloridos de saias e calças roçantes nos corpos

sem cheiro de corpos roçando os sentidos

sem massa de almas

desejos súplicas.

 

Vagões de carga apenas

suportando o peso das remessas diárias,

eternamente.

 

Odonir Oliveira

 

 

[video:https://www.youtube.com/watch?v=JdlCNxUWIac

 

FLORES DO CAMPO

Caminho,
encontro flores do campo,
que lindas,
amarelas selvagens,
róseas-vermelho- alaranjadas,
germinadas vadias, florescidas ao léu,
alheias a cimento, areia, pedras.
Livres, esparramam-se por aqui, ali, acolá.
Sem perfume.

De pouca água de sarjeta,
De muito sol avassalador,
alimentam-se,
robustas coloridas selvagens.
Colho-as, que lindas,
Quero-as minhas,
Carrego-as em meu regaço
Mãos quentes
Olhos vigilantes
Caminho
Tropeço
Caminho
Apressadamente
Sofregamente
adonadamente.
Minhas,
sem perfume.
Minhas.

Aperto-as,
Que minhas.
Ao final do caminho,
sem vida, 
sem viço,
sem beleza.

Sem perfume.
Mortas.
Minhas.

 

Leia também:  Artigos: ampliando discussões e problematizações de gênero e vidas T

Odonir Oliveira

 

[video:https://www.youtube.com/watch?v=6MF9b8UaElA

 

ROAD MOVIE

 

Roda olho

Move olho

Para olho

Passa boi passa boiada

Quem moraria naquela casinha

Quem cuidaria daquela vaquinha

Quem levaria as crianças pra escolinha

 

Passa boi passa boiada

Passa eucalipto ingazeiro indaiá figueira

 

Roda olho

Move olho

Para olho

 

Passa boi passa boiada

Quem moraria naquela cabaninha

Quem cuidaria daquela mocinha

Quem revelaria suas dores e seus encantos

 

Passa pedra pedregulho rocha

Velocidade

a estrada ferve

longa

corre contra o tempo

 

Roda olho

Move olho

Para olho

 

Passa boi passa boiada

Quem moraria ali atrás daquela cerca

Quem cuidaria daquele touceiral

Quem levaria a estrada consigo

Para bem mais longe

Bem mais longe

Arlequinal !

 

 

Odonir Oliveira  

 

[video:https://www.youtube.com/watch?v=EDLpX1Kn2f0

 

 

HOUVE UM TEMPO

 

Houve um tempo em que uma imagem

valia mais que mil palavras.

Que tempo era esse?

 

Troco imagens por palavras,

que as imagino ricas

fortes

doces

repletas de signos

tempos e espaços.

 

Quem fará a ponte?

Quem levará a atravessar os rios

as correntezas

as cachoeiras

as estradas?

 

Um ouvido que nina as manhãs 

com melodias do hoje

do ontem

do amanhã.

 

Quem  amanhecerá

entardecerá e

anoitecerá

nos caminhos 

a recolher flores do campo

versos espalhados pelas ruas

melodias emoldurando paisagens?

 

Ele fará a ponte.

Ele será a ponte.

Ele encontrará a ponte.

 

Odonir Oliveira

 [video:https://www.youtube.com/watch?v=Xah4mTCzQxI

A SAGA DOS BARCOS

Não apague as marcas, deixe-as pelas águas, com os remos
abandone-as a esmo
entregue-as ao porvir
dos rios serão as almas dos que chegarem de outras vezes.

Os silêncios e os murmúrios 
o que importarão,
se o que sempre valerá serão os sonhos das águas
e seu próprio silêncio.

Que restem as pegadas
as súplicas
os seixos
as ramas
que restem ! 

Odonir Oliveira

 

[video:https://www.youtube.com/watch?v=EuJLCGQqFDI

 

NOSSAS ÍNDIAS

 

 Índias que dançam seus kuarupes

enfeitadas de penas

miçangas

pitangas de rendas de urucum

sacodem seus traços,

femininos traços,

de paladar

olfato

tato

cor.

 

Ornam braços

pernas quadris e ombros.

 Ai daqueles que as deixem,

as abandonem …

Ainda que prenhes de paixão,

flechadas de mel,

flechadas de dor,

mortas, jamais ! 

 

Odonir Oliveira

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62 comentários

  1. Jenipapeiro

    [video:https://www.youtube.com/watch?v=EUU1HMFdV7U%5D

     

    PERIGO, PERIGO!

    uma árvore floresceu !
    uma árvore frutificou !
    uma árvore cumpriu seu ciclo !
    uma árvore abriu-se em seiva !
    uma árvore copulou,
    seu gineceu e seu androceu, 
    apenas,
    sob o sol !

    uma árvore aqui
    uma árvore ali
    uma árvore embonitou-se
    para seus pássaros beijarem 
    o que é de seu ! 

    Perigo, perigo
    Isso é um perigo !

    Odonir Oliveira

    • Despacho de encruzilhada ?

      Um despacho encontrado à beira da estrada …

       

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=DKS3uWhclyM%5D

       

      TUDO ALI

       

      Despacho, macumba, ebó,

      feitiço, mandinga, mironga,

      ziriguidum e catimbó. 

       

      Quem teria estado ali

      por uma amor perdido,

      uma marido evadido,

      um caso impedido?

       

      Seria mágoa,

      inveja

      desengano

      traição

      ódio?

       

      Quem, ao gargalhar dos espíritos,

      confiou tamanha amofinação?

      Era dele,

      era dela

      era deles?

       

      Sagrado

      profano

      confiança

      proteção.

       

      Eia, meu pai!

       

      Odonir Oliveira

       

      • Luciano Hortencio deu o mote “o Mapinguari”, a gente enredou

        o bicho, uai .

        [video:https://www.youtube.com/watch?v=EnFyR9YmWZw%5D

         

        MAPINGUARI

        Conta-se que a perseguição começara em um dia e continuava até hoje.
        O terrível Mapinguari não sabia que estava sendo seguido, melhor dizendo, perseguido.
        As pistas davam conta de que gostava de entrar em espaços dos humanos, de preferência desabitados, próximos a cachoeiras, rios e cascatas.
        Quando isso ocorria, desfigurava-se, transfigurava-se, e não se podia mais reconhecê-lo, demandando assim curada observação, análise de pegadas, manifestação explícita de rastros humanos, enquanto tratava-se, contudo, de um ser fantástico.
        A persecutória avaliação, recomendava passo a passo, pé ante pé, que se delineassem armadilhas, elaborassem estratagemas e teoremas também fantásticos para a captura daquele ser, comumente encontrado em meses de agosto, e reconhecido pelo folclore.
        A caminhada haveria de ser longa, devido ao espectro do campo de busca.
        Os caçadores de fantasmas continuam e as matas também.
        A escriba das águas não perde um sinal das evidências expostas.
        São cenas de beleza imensa que continuam enternecendo-a, pois. 

        Odonir Oliveira

    • Genipapo Absoluto

      Jenipapo ou genipapo, relativo ou absoluto, podes ser fruta, podes ser fruto. Qus sejas só amor e nunca vistas luto. Que faças  jogo leve e nunca jogo bruto. Somente assim, oh jenipapo, serás eternamente um bom fruto.

      Muito orgulhoso de ser amigo da Odonir e do JNS, vulgo Jones! Voltei indagorinha da paradisíaca Maceió e já entrei nesse jenipapação paidégua!

      Beijão e abração pra dupla que honra e orgulha a Sagrada Seita da Macaxeira Benta!

      (ODONIR E JNS – DA SSMB PARA O MUNDO).

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=S4yFVPq3xJ0%5D

  2. Apocalipse

                       A humana maldição,
                       que recusa permitir
                       ser a chama do inferno
                       o único apelo
                       que nos faz suar,
                       toma conta de mim.

                       Refundarei o intercurso
                       com a minha língua,
                       e lamberei as cinzas
                       do mundo nos seus pelos,
                       quando o apocalipse vier
                       em nós.

                      

                       Um desatino inspirado no poema de Sierra DeMulder

    • When The Apocalypse Comes

      Sierra DeMulder
      Poetisa de Minnesota

      When the apocalypse comes
      and all the windows are shattered
      and the car tires have melted into the pavement,
      once all the schools and hospitals
      and skyscrapers have folded in on themselves
      and the last street lamp has wilted like a starving flower,

      I will still want to fuck you.

      We both know I can’t handle stress well.
      I’m anxious, claustrophobic, and things between us
      haven’t always been easy — you nitpick, I’m stubborn,
      and we have been fighting
      over pointless things
      like directions,
      how you never take me anywhere nice anymore.
      I saw the way you smiled at that poet
      and her pomegranate metaphors SUCKED.

      But sweetheart,
      when a meteor crashes through
      our kitchen ceiling, I will not panic.
      When the locusts envelop the neighborhood
      and our shower water thickens to blood,
      I promise not to bite my nails.

      I won’t even get angry when you don’t answer your phone —
      even as the pavement begins to crack and spew like a rotten egg,
      you will not get 47 missed calls in 4 minutes
      (*even though we both know it’s possible).

      When the news anchor finally tells us the truth — 
      that there is no hope — I won’t even thinking about
      joining the angry mob outside
      our burning apartment building.
      Baby, no.

      I will put on my least flammable negligee
      and I will find you.

      I will crawl to you across this curdling parking lot of a city,
      lick your body new again like my tongue
      is God’s hand trying to erase and recreate the earth.
      For 6 days straight, we will be
      what makes the sidewalk blister.

      Day 1: in the beginning,
      I will find you, pull you into me.

      Day 2: we will make the earth
      and the sky jealous.

      Day 3: I want you to fuck me
      bent over a crumpled taxi.

      4: in the graveyard of a strip mall.

      5: on the steps of the capital, 
      in every store, on every mattress that isn’t on fire.
      This world is a melting candle
      we’re only using for foreplay.

      Day 6: You may think I’m in denial,
      that I am avoiding the bigger issue here
      but you didn’t even look at me
      the last time you said I love you

      and, shit, if it didn’t feel like the end of the world.

      I know this can’t be healthy
      (pretending everything is on fire), but baby,
      we could be the most beautiful wreckage
      in all this smoke.

      When the apocalypse does come,
      I will rebuild our city with my tongue.
      I will suck this world’s ashes from your fingers.
      I will refuse to let the fires of this hell
      be the only thing that makes us sweat.

      When the apocalypse comes,
      so will we.

      *

  3. Odonir brinca de poesia

                  Poesia é… brincar com as palavras 
                  como se brinca com bola, 
                  papagaio, pião.
                  Só que bola, papagaio, pião
                  de tanto brincar se gastam.
                  As palavras não:
                  Quanto mais se brinca com elas, 
                  mais novas ficam.
                  Como a água do rio 
                  que é água sempre nova.
                  Como cada dia que é sempre um novo dia.
                  Vamos brincar de poesia?

                  José Paulo Paes

    [video:https://youtu.be/ZvUviZdY37k width:600]

     

      • Com vocês, direto de Fortaleza, o dono da vitrola

        Obrigada, Luciano.

        Músicas de quando eu ainda não sabia criar versos, mas ouvia o que havia de bom e isso, algum dia, me fez começar a criar os meus versos.

        Hoje estou com o pião e o queijo nas mãos. Muito melhor do que “com a faca e o queijo…”

        Com laços de fitas a se desenlaçar, beijo.

      • O pião foi inventado há 6000 anos

        Brinquedos que marcaram a infância de muita gente

        Willy | 20/09/2010

        Os brinquedos artesanais, aqueles que parte da diversão estava também na construção deles, por mais que não tivessem recursos tecnológicos como os videogames dos dias atuais, ERAM tão divertidos quanto, ou até mais!

        Na infância, lembro que não havia nada melhor do que chamar os amigos para empinar pipa ou uma partida peteca (bolinha de gude). Talvez isso que esteja faltando para as crianças de hoje, construir com as próprias mãos os seus brinquedos e sair (nem que seja por uns minutos) da frente dos videogames.

        Pipa/Papagaio/Rabiola

        Eu não sei como é em outros estados do Brasil, mas aqui no Pará pipa e papagaio não é a mesma coisa (pelo menos no meu bairro). A pipa possui apenas duas talas (varetas) e uma forma de losango, possui rabo comprido feito de sacos plásticos e tem mais agilidade no ar; O papagaio tem três talas, sua forma parece o escudo do São Paulo Futebol Clube, possui rabo feito de pano e pega muita força com o vento; e a Rabiola é semelhante ao papagaio, mas é mais comprida e se rabo também é feito de plático.

        As pipas nasceram em aproximadamente 1220 aos a.C. e continuam divertindo crianças e adultos até hoje.

        Pião

        O brinquedo simples feito geralmente de madeira ou plástico afunilado com ponta de ferro. A brincadeira consiste em puxar uma corda enrolada ao objeto colocando-o em rotação no solo, mantendo-se erguido.

        Há estudos que dizem que tal brinquedo possui mais de 6000 anos.

        Estilingue (Baladeira)

        O estilingue, também conhecido como baladeira, sempre foi um brinquedo muito polêmico, pois é uma verdadeira arma de baixo poder (mas não deixa de ser uma arma).

        Na maioria das vezes usado para caçar passarinhos e outros pequenos animais. O brinquedo consiste em um galho em forma de Y, uma liga elástica de borracha e um pedaço de couro onde o projétil é posto. Me lembro de ter quebrado muita vidraça com este brinquedo.

        Carrinho de Rolimã

        Geralmente construído de madeira e rolamentos de aço, feito por crianças para a disputa de corridas ladeira abaixo. É constituído de um corpo de madeira com um eixo móvel na frente, utilizado para controlar o carrinho enquanto este desce pela rua.

        Fura-Fura/Finca

        Talvez muita gente não conheça esse brinquedo/jogo. A brincadeira consiste em arremessar o brinquedo no chão e fazer com que o mesmo perfure a terra, a cada furo uma linha liga um furo ao outro, cada jogador possui um círculo e vence quem cercar o círculo do outro.

        Outros brinquedos

        Existe uma diversidade muito grande de brinquedos que são feitos pelas próprias mãos das crianças: Origamis, bonecas de pano, soldadinhos de madeira e etc.

        Brinquedos que desenvolvem a inventividade, criatividade e outras funções. Incentive o seu filho a produzir seus brinquedos; é ótimo para o desenvolvimento dele (…).

        Créditos:

        Informações de Willy Renan com imagens da Internet

        https://willyrenan.wordpress.com/tag/piao/

        • E olhe aí o “transimento de pensação” de novo !

          Hoje no Clubinho um menininho me disse que não foi ao Teatro de Marionetes comigo e o restante do grupo porque tinha que soltar pipas”. Ele tem 4 anos.

          Então garrei na prosa e pedi que ele me explicasse o que faz uma pipa subir alto. Foi uma aula, aos 4 anos. Os mais velhos quiseram falar também; garanti a fala a ele, Rafaelzinho, porque é o menor (e temos o outro Rafael de 5 anos também). Foi um show de explicações sobre linhas, rabiolas , embicar etc. etc.

          E vocês sabiam que pipa mesmo furada sobe? Eu não sabia.

          Foram explicações vastas e com gestual. A Aninha Clara que já e beeeem mais velha, fez 6 anos na 6ª feira, não ficou calada e deu seus pitacos pra me ensinar, ora, ora, porque ela também solta pipas. 

          MEU CORAÇÃO VOA ALTO COMO PIPA !

  4. Uma poetisa

    Sou um fã da supercraque no trato com as palavras.

    Seus poemas sobre as águas – lagos, rios e cachoeiras – foram incorporados aos vídeos toscos, que carreguei no YouTube, dando um brilho extraordinário às cenas comuns do cotidiano.

    Não sei expressar a emoção ao ser confrontado com a informação, que as minhas imagens em movimento podem provocar a imensa veia poética original, guardada para amadurecer e aflorar em sintonia com as batidas do coração da poderosa “poetisa mineira” Odonir Oliveira.

    Sem mais saber o que dizer, com muito samba no pé, mando beijos pra ela.

    [video:https://youtu.be/LEOFLWYnxiw width:600]

     

    • Querido homem de lagoas e árvores,

      encantam-me suas imagens e alegram-me os dias.

      Fato raro de se conseguir operar em mim.

      Que sou exigentíssima.

      É preciso muito sol pra queimar meus ombros.

      Considere-se acarinhado como retribuição por suas imagens me enormizarem as manhãs, às vezes surgem às noites… dependendo de suas explosões estéticas.

      Quero escrever sem metáforas… que emociono-me com elas.

      Nada como emoções para valorizar um dia inteiro.

      Obrigada, Jones.

       

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=MJ40QQ78Wjs%5D

       

       

       

  5. Amizade, uma celebração! Parabéns Odonir e JNS!

    Fado é dor e felicidade.

    Poesia é música e alegria.

     

    Pião, bodoquê, cordas, amarelinha …   Brincar é para quem sabe. 

    JNS e Odonir: dois artífices das palavras!

    [video: https://www.youtube.com/watch?v=LU-EjxApZhY%5D

    Jujuba, bananada, pipoca,
    Cocada, queijadinha, sorvete,
    Chiclete, sundae de chocolate,..

     

    O coração guarda as boas lembranças!

    Quando feliz, vai lá e resgata!

    • Brincadeirinhas

       1- telefone sem fio, 2- peteca, 3- bolinha-de-gude, 4- pião, 5-ciranda, 6- finca, 7- ioiô, 8- passar anel, 9- balanço, 10- amarelinha, 11- pula corda, 12- elástico, 13- bolinhas de sabão, 14- boneca, 15- pula-pula, 16- papagaio, 17-argola, 18- cama-de-gato, 19- pé-de-lata, 20- bambolê, 21- cavalinho de pau, 22- aviãozinho de papel, 23- corrida de saco, 24- cabo de guerra, 25- pique-esconde, 26- cabra cega, 27- gangorra, 28- barquinho de papel, 29- balanço sobe-desce.

      Fonte: http://simonelimadesigner.blogspot.com.br/2013/09/mais-desenhos-colecao-fly.html

    • um

      brinde

      à originalidade

      da poetisa maneira

      com uma pinga mineira,

      mimo da minha irmã

      cachaceira

      *

      (se ela descobrir esse chiste,

       nunca mais ganharei outra…)

        • Ela não existe

                              Se a Celminha bebesse

                              Seria a Rainha da Cachaça

                              Como a Celminha não bebe

                              Não é a Rainha da Manguaça

          [video:https://youtu.be/ZI3i72ACY6M width:500]

          Pode ficar com inveja,

          porque ninguém tem uma irmã/filha/mãe/tia

          tão dedicada à Família como a minha irmã Celminha.

          Amigos de outras plagas, trazem para os amigos da Cidade Adminstrativa,

          algo dos seus rincões e, como não poderia faltar, a tradicional água que passarinho não bebe,

          que, através da Maninha querida, ‘cai nos peito’ do Mineirinho lavado e enxaguado na branquinha

          de Minas Gerais.

          Brinde!

    • Querido Luciano

      Esta música vc deveria ter enviado prá mim tb, pois eu a considero uma “belezura”. (brincadeira a Odonir merece) Tb sou mineira e um tanto carioca, pois vivi por lá durante 12 anos.  Seria eu uma “mineiroca” ? Como boa mineira , adoro  músicas, como esta, e como carioca, não sei viver longe de um samba. Mas como gostadeira do povo nordestino e da música de lá, tb não consigo ficar parada com um baião e outros rítmos feitos por eles.

      Agradeço a Deus por ter encontrado um grupo que gosta de música e de poesias. Pessoas de muito bom gosto ! e tudo através de vc, nosso querido “oásis”

  6. Por todos os caminhos do mundo

    minha poesia é assim como uma vida que vagueia 
    pelo mundo,

    por todos os caminhos do mundo, 
    desencontrados como os ponteiros de um relógio velho, 
    que ora tem um mar de espuma, calmo, como o luar 
    num jardim nocturno, 

    ora um deserto que o simum veio modificar, 
    ora a miragem de se estar perto do oásis, 
    ora os pés cansados, sem forças para além. 

    Que ninguém me peça esse andar certo de quem sabe 
    o rumo e a hora de o atingir, 
    a tranquilidade de quem tem na mão o profetizado 
    de que a tempestade não lhe abalará o palácio, 
    a doçura de quem nada tem a regatear, 
    o clamor dos que nasceram com o sangue a crepitar. 

    Na minha vida nem sempre a bússola se atrai ao mesmo 
    norte. 
    Que ninguém me peça nada. Nada. 
    Deixai-me com o meu dia que nem sempre é dia, 
    com a minha noite que nem sempre é noite 
    como a alma quer. 

    Não sei caminhos de cor.

    Fernando Namora , ‘Mar de Sargaços’

    David Roberts , ‘Approach of the Simoon, Desert of Gizeh’

  7. Caeiro

    Não me importo com as rimas

    Não me importo com as rimas.

    Raras vezes

    Há duas árvores iguais, uma ao lado da outra.

    Penso e escrevo como as flores têm cor

    Mas com menos perfeição no meu modo de exprimir-me

    Porque me falta a simplicidade divina

    De ser todo só o meu exterior

    Olho e comovo-me,

    Comovo-me como a água corre quando o chão é inclinado,

    E a minha poesia é natural corno o levantar-se vento

    Alberto Caeiro

      • ROAD MOVIE II

        [video:https://www.youtube.com/watch?v=JjAlS7q6_M4%5D

         

        ROAD MOVIE II

         

        Meu Paris, Texas

        em  verde-amarelo

        é Central do Brasil;

        No meu Easy Rider

        tem montanhas e pedras

        é  Bye, Bye, Brasil.

         

        Meu momento pérola na concha

        É Cinema, Aspirina e Urubus.

        Minha descoberta eu lírico

        É “On the road” com Kerouac

        Meu ensaio político com veias abertas de latinidade

        É Diários de Motocicleta.

         

        Minha libertação feminina

        É Thelma e Louise

        Minha liberação em intensidade

         é E sua mãe também.

        Buscas encontros procuras entregas

        Nas  estradas…

         

         Minha Pequena Miss Sunshine

        Na pureza, no reconhecimento da particularidade.

        No meu amor por vinhos,

        Sideway

        No meu amor por meu amor

        Uma estrada.

         

        Odonir Oliveira

         

         

    • Última travessia

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=0KF4Wp2E_jM%5D

       

       

      TRAVESSIAS

       

      Quantas ainda

      haveremos de fazer

      por sobre águas quase lágrimas?

       

      Momentos de ir

      em quantos minutos,

      quantos anos

      quantas décadas assim …

       

      Paisagens de enfeitar infortúnios

      sons de céu

      sons de ar

      sons de atravessar

       

      Margens de sempre

      chegadas de nunca

      travessias intermináveis

      vozes longínquas.

       

      Um trem que corta destinos,

      o outro lado,

      a entrega,

      a chegada,

      Travessias,quantas ainda?

       

      Odonir Oliveira

    • Obrigada, Rubens

      O bom mesmo é fazer parte.

      Os adolescentes, em salas de aulas, me ensinaram que é bom o sentimento de pertencimento.

      Aprendi e gosto disso.

       

      [video:https://www.youtube.com/watch?v=UdVAKrhj-D8%5D

       

      EMOÇÃO ESTÉTICA

       

      Pre- lúdio

      procura… encontro

      tronco firme

      beleza cor forma impacto

      reentrâncias imperfeições

      perfeição

      olhos verticalmente embevecidos

       

      tato majestosamente ativo

      surpresa estética

      ambição de posse

      prazer repartido,

      êxtase parcial

       

      tronco árvore

      posição de cruz

      tronco galhos folhas atados

      firmes eretos vibrantes

      tocam-se

      tocam-nos,

      orgonicamente,

      prazer estético

       

      folhas galhos dançam

      levemente

      suavemente

      ritmadamente

      freneticamente

       

      natural – mente

      êxtase total.

       

      Odonir Oliveira

  8. Encantamento

    Querida amiga Odonir,

    Só hoje tive tempo de curtir seu grande e belo trabalho em parceria com o, também, amigo JNS. Parabéns a dupla!!

    Fiquei encantada com a sua sensibilidade poética e com a beleza dos vídeos produzidos pelo nosso amigo JNS.

    Vida longa a parceria. Os fãs aguardam os próximos trabalhos.

    Bravíssimo!

     

      • OFERECIMENTO

        [video:https://www.youtube.com/watch?v=Nboq3j75C9o%5D

         

        OFERECIMENTO

         

        Ofereço-te a água dessa lagoa

        Para beberes tuas imagens

        Ofereço-te a luz desse céu

        Para tuas telas de muitos tons

        Ofereço-te essas areias macias

        Para mergulhares teus pés

        Ofereço-te um barco quase morto

        Para o reavivares e chegares ao infinito

        Ofereço-te essa flor

        Para encantares sentimentos

        Ofereço-te um poema

        Para fazeres com ele o que quiseres.

         

        Odonir Oliveira

      • FLORAÇÃO

        Aqui ocorreu o primeiro movimento invertido de criação: jns fez o clipe a partir de um poema meu.

         

        [video:https://www.youtube.com/watch?v=vpkY0IMP1MI%5D

         

        FLORAÇÃO

        Na rota, um porto
        Na reta, um ponto
        insípido inóspito infértil

        No tronco, uns galhos
        Nos galhos umas folhas
        secas opacas estéreis

        Alma no trajeto
        Curvas no caminho amargo
        Gotas de perfumes
        Pingos de cores
        Chuvas de flores
        fertilidade, sedução
        produção
        Poesia
        Caminhos doces então.

         

        Odonir Oliveira

        • O que nos encanta é o belo: a criação, os sentimentos

          Nesse clipe ocorreu o mesmo: primeiro o meu poema, depois as imagens de jns.

           

          Trem de carga

          Nos dormentes,
          vagões vazios
          dormem
          solitários
          de vozes
          risos abraços beijos.

          Despedidas ausentes
          chegadas ausentes
          encontros e reencontros
          ausentes.

          Carga pesada
          fantasma
          que apita
          chegadas
          partidas
          sem paradas
          sem estações sentimentais
          sem coloridos de saias e calças roçantes nos corpos
          sem cheiro de corpos roçando os sentidos
          sem massa de almas
          desejos súplicas.

          Vagões de carga apenas
          suportando o peso das remessas diárias,
          eternamente.

          Odonir Oliveira

           

          [video:https://www.youtube.com/watch?v=8sEd2VpBEbY%5D

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