PODEMOS tem raízes em Vargas, por Andre Motta Araujo

O partido PODEMOS, registrado em 1995 como PTN - PARTIDO TRABALHISTA NACIONAL, foi uma refundação de um partido histórico do regime pré-1964 com o mesmo nome, criado por Hugo Borghi

Hugo Borghi

PODEMOS tem raízes em Vargas

por Andre Motta Araujo

A mídia está apresentando o atual partido PODEMOS como um partido que saiu do nada e está formando uma grande bancada no Senado, dez Senadores. [aqui]

Na realidade o PODEMOS tem densa história se procurarmos suas raízes longínquas na volta de Getulio ao poder em 1950, só possível porque, em 1946, houve o MOVIMENTO QUEREMISTA (“Queremos Getulio”) que elegeu Eurico Dutra como Presidente após a queda de Vargas em dezembro de 1945.

O partido PODEMOS, registrado em 1995 como PTN – PARTIDO TRABALHISTA NACIONAL, foi uma refundação de um partido histórico do regime pré-1964 com o mesmo nome, criado por Hugo Borghi, deputado federal eleito em 1945 pelo então PTB, com o qual rompeu e fundou o primeiro PTN.

Borghi, então grande empresário do setor de algodão, foi o líder do Movimento Queremista que, desde 1945, preparava a volta de Getulio ao poder, que se deu em 1950, na segunda eleição democrática pós ditadura, onde também Eduardo Gomes era o candidato da oposição ao varguismo, como em 1946.

O Brigadeiro Eduardo Gomes, não queria os votos dos “marmiteiros”, apelido que se dava aos operários que almoçavam em marmitas nas calçadas das fábricas. A frase de Eduardo Gomes era verdadeira, mas sua propagação é que foi o fato político decisivo para a derrota da oposição à Vargas.

Borghi foi um pioneiro absoluto no marketing político moderno ao montar a campanha dos “marmiteiros”. Quase todos os historiadores atribuem a essa campanha a derrota do candidato anti-Vargas, Eduardo Gomes, carimbado como anti-pobre para sempre, perdeu de novo em 1950, agora para Vargas.

Borghi tinha uma cadeia de rádios que foi intensamente usada para propagar a estória dos “marmiteiros” e dar força ao varguismo rebrotado do Estado Novo. Sem Borghi há sérias dúvidas se Dutra teria vencido em 1946 e Vargas em 1950, Borghi foi o homem da hora e da vez do novo varguismo.

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Portanto, o PTN de 1995 não foi apenas uma cópia de nome, foi um renascimento de um antigo e histórico partido com as mesmas ideias e lógica política.

Seu criador, em 1995, foi o ex-Deputado Federal Dorival de Abreu, cassado pelo regime militar de 1964, presidente estadual do PTB em S. Paulo, com o qual rompeu por conflito com a Executiva Nacional. Dessa saída nasceu a ideia de um novo partido trabalhista, batizado com o mesmo nome do antigo PTN.

Dorival foi o primeiro presidente do PTN e eu o 1º Tesoureiro, um nascimento difícil. Promovíamos jantares todos os dias para conseguir adesões de deputados, prefeitos e vereadores. Naquele período era difícil a mudança de partido, os grandes partidos dominavam a cena e ninguém queria trocar.

Anteriormente, com o PTB, Dorival dava respaldo ao Prefeito Janio Quadros, do qual foi Secretário de Governo. Suas relações com Janio eram de grande amizade. A partir do PTB fui indicado por Dorival para a PRODAM municipal e EMPLASA estadual. Nessa época de Prefeitura almoçava ou jantava quase todos os dias com Dorival, almoços com Janio eram na 3ª ou 5ª, Dorival era um político nato e sabia compor com todos lados, o PT estava nascendo e a República de 1988 já apresentava seus conflitos e contradições, a cena política era comandada pelo MDB, PFL e o PSDB, nascido de uma costela do MDB.

Quando fundou o novo PTN, Dorival teve o cavalheirismo de informar o fundador do antigo PTN, Hugo Borghi, o homem decisivo em 1945 estava bem vivo e lúcido 50 anos depois. Borghi veio guiando seu próprio carro desde Campinas, onde morava, acompanhado da esposa e almoçamos todos no antigo Hotel Ca D´Oro na Rua Augusta. Borghi ficou feliz com o renascimento do PTN, sua antiga criatura, autografou-nos suas memórias (A Força de um Destino), onde narra sua longa estada na Itália de Mussolini, para onde o pai lhe enviou para fazer o ginásio, em Veneza e a universidade em Milão, formou-se em Economia.

Borghi também pilotava seus próprios aviões, foi um personagem famoso na cena política e social dos anos 40 e 50, além de político era da alta sociedade, como se dizia à época, um dos homens ricos dos anos de ouro do Brasil, elegante e charmoso, estava sempre nas revistas semanais.

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Com a morte de Dorival de Abreu, em 2004, o PTN passou a ser presidido por seu irmão, o Deputado Federal José Masci de Abreu e hoje o partido é presidido pela filha de José de Abreu, a também Deputada Federal Renata Abreu, brilhante e discreta operadora política que fez o partido crescer para o centro em recorde de novas adesões de parlamentares eleitos por outros partidos sem a mesma consistência histórica.

Dorival de Abreu, e também seu irmão José de Abreu, eram personagens de múltiplas facetas, os dois figuras-tipos, de bom humor, de extraordinário faro político e com ligações em todos os partidos, do PC do B ao DEM. Pode-se escrever um bom livro de política usando os dois irmãos como tipos.

Portanto, esse partido, que cresce a todo dia, não é novato, tem uma longa trajetória de tradição política, o Brasil não é para amadores e novidadeiros.

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13 comentários

  1. Uma análise interessante, pois eu achava que Podemos havia sido apenas uma apropriação oportunista da frase de Obama:” Yes we can”, misturada com o momento político onde do nada surgiram partidos com as mais variadas siglas. Inclusive o PSL, que inchou e inflou ao sabor dos tempos.

  2. Mas como passamos de politicos do naipe narrado e homens de negocios como Walter Moreira Salles e tantos outros à Bolsonaro e os neos-empresarios, como dono da Havin? A ditadura militar de fato aniquilou com a educação no Brasil tendo a ajuda capiciosa da Globo e a imprensa em geral. Pois então, acho que contar essas historias e deixa-las registradas é importante para que saibamos que apesar do atual momento, o Brasil ja foi um Pais com uma elite mais desenvolvimentista, com ideias mais avançadas, ainda que sempre conservadora pelas bordas.

    • O Capitalismo evoluiu e não tem como voltar no tempo. Talvez tenha havido empresários privados que abriram mão de concentrar poder pelo bem do estado e do povo. Mas se isso ocorreu, não é essa a vocação do que é privado, levar bem estar a todos igualmente e aos mais vulneráveis prioritariamente. Isso, se houve, pertence a um passado saudoso. Hoje é impossível que as pessoas que dirigem o setor privado aceitem abrir mão de concentrarem em si o máximo poder, do que podem fazer em função do que devem, como cidadãos, fazer.

      Esse nome, “Podemos”, me lembra da resposta que ouvi uma vez que perguntei a um “americano” a razão de tanta gana por concentração de poder em si mesmos, de tanta quebra unilateral de acordos, tantos ataques terroristas abertos e enrustidos, de tanta beligerância:

      “Fazemos assim porque podemos.”, foi o que ouvi.

      Podemos… eles podem, não nós.

      Quanto ao partido, diz Renata Abreu que não é nem de esquerda nem de direita, é “para a frente”. Mas para a frente todos são, o que diferencia uns e outros é o modo de ir para frente. A China, enquanto toca “A Internacional” em cerimônias oficiais do partido, não para de ir para a frente espetacularmente já faz uns vinte anos.

      Enfim, qualquer semelhança desse negócio de não ser de esquerda nem de direita com, por exemplo, a tal de “Escola Sem Partido” talvez não seja mera coincidência…

  3. O partido PTN me vem a cabeça por ter sido o partido de Jânio nas presidenciais de 1960. Ao contrário que do muitos ainda hoje pensam, Jânio não foi eleito presidente da República, nas eleições de 1960, pela UDN, a despeito do maciço apoio dado por esta sigla para derrotar o Marechal Lott. É por essas e outras que se fala que a UDN jamais elegeu um presidente da República (apesar de muitos consideraram FHC um “autêntico” udenista). O nome de destque da UDN, na curta passagem Jânio, foi Afonso Arinos de Melo Franco. Como chanceler, Afonso Arinos dera a cabo à progressista proposta da PEI- Política Externa Independente -, nascido a partir dos ideais do chamado “Grupo de Itatiaia” . Era curioso isso pelo fato de que foi um udenista nato a dar ensejo a uma proposta progressista, ao passo que Clemente Mariani dava o tom conservador na Fazenda.

    Lembro-me da figura de José de Abreu, então candidato a prefeito , se não me engano naquela em que a Marta venceu o Maluf. Era um dessas candidaturas pequenas, mas buscava fazer passar a imagem de “Zé do Povo”. Eu não sabia que José de Abreu e sua filha, Renata, eram nomes ligados ao Centro de Tradições Nordestinas, de SP.

  4. Mas esse nome aí, Podemos, foi chupinhado do partido de mesmo nome lá da Espanha. Aproveitaram o atual momento da política brasileira.

  5. O PODEMOS atual não tem nada, absoluta e rigorosamente nada a ver com o PTN fundado antes do golpe de 64. É apenas um lixo partidário fundado para abrigar apaniguados do Álvaro Dias. É o mesmo que ocorre com o PTB atual, que não tem e nunca teve absolutamente nada a ver com o PTB fundado por Getúlio Vargas em 1945.

    • Meu caro, o PTN foi fundado em 1995, o Sen.Alvaro Dias só se filiou ao partido em 2017, ou
      seja, 22 anos após sua fundação, antes Dias foi por mais de 20 anos do PSDB, depois PP, partido
      de Paulo Maluf, depois PV, portanto o Podemos NÃO foi fundado para abrigar Dias e apaniguados.
      O PTN de 1995 tinha a ver com o antigo PTN através das pessoas envolvidas na sua refundação e a benção de Hugo Borghi, fundador do primeiro PTN, conforme relatei. O PTB da redemocratização foi refundado por Ivete Vargas, sobrinha de Getulio e tinha tudo a ver co o PTB original.
      Todos os partidos da Republica de 46 foram EXTINTOS, portanto não podiam ser os mesmos da Republica de 1988 mas há raizes proximas entre muitos, até pelas pessoas envolvidas.

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      • Infelizmente o Estado Varguista, Estado Fascista continua aí. A Aberração Brasileira em 9 décadas. É só abrir a janela e constatar o país pária sem igual na face da Terra. O espetacular disto tudo é que a Imprensa continua a promover a tal Democracia Tupiniquim sem Povo. Estado sem Povo, Educação e Cultura sem Povo. Escolas sem Povo. Território e Preservação sem Povo,… Pobre país rico. Mas de muito fácil explicação.

      • Respeito o seu conhecimento da história da política nacional. Todavia, em um aspecto, discordo. O Podemos de hoje é produto de um enxerto político. Seria como se uma laranjeira valência, enxertada em um porta enxerto de limão cravo, fosse tomada por um pé de limão. Não, continua laranja e produz laranjas, apesar de suas raízes. Tal qual o Podemos, sem tirar nem por.
        Mas, concordo, não tem nada de novo, a não ser o aplique na cabeça de seu senador primordial quem, se fossemos outro país, não seria senador, mas, o exemplo acabado do hipócrita.

  6. MEU COMENTÁRIO É O SEGUINTE:A DEPUTADA RENATA ABREU APOIOU CONVIDOU PARA SEU PARTIDO E AINDA APOIA O PREFEITO ROGÉRIO LINS DA MINHA CIDADE DE OSASCO. PORÉM ROGÉRIO LINS FOI PRESO EM 24 DE DEZ DE 2016 PELA OPERAÇÃO CAÇA FANTASMAS E OUTROS CONSEGUIU NÃO SEI COMO PAGAR FIANÇA E SAIR E EXISTEM 1000 OU QUASE ISSO E ATÉ MAIS PROCESSOS CONTRA ELE..O SENADOR ÁLVARO DIAS POR ACASO SABE DISSO. CADÊ A FICHA LIMPA???TANTOS PROCESSOS E A CANDIDATURA NÃO FOI BARRADA POR QUÊ???ALGUÉM SABE ME RESPONDER

  7. Gostava sempre dos artigos do senhor André, e compartilhava tb, mas defender Renata Abreu, a deputada que quer acabar com as cotas das mulheres e outros projetos esdrúxulos, além é claro de apoiar a pauta econômica de Bolsonaro, aí já forçar a barra. Ademais mostra que o pensamento dele se dobrou por uma amizade.

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