Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento, por Rita Almeida

O sujeito excessivamente moralista com o pecado alheio, e que faz muita propaganda da própria virtuosidade, geralmente usando o nome de Deus, no fundo é um depravado sórdido ou um canalha vigarista.

Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento

por Rita Almeida

O que a Vaza Jato tem nos ensinado, ao escancarar o submundo da Lava Jato, é o de sempre: o sujeito excessivamente moralista com o pecado alheio, e que faz muita propaganda da própria virtuosidade, geralmente usando o nome de Deus, no fundo é um depravado sórdido ou um canalha vigarista.

A matemática é muito simples: a moral é uma espécie de dique que barra a correnteza de um rio, sendo que o rio é o que carrega nossos instintos e pulsões mais primitivos, egoístas, sombrios e imorais. O processo civilizatório consiste em educar, ordenar e canalizar tal correnteza, para que ela não seja algo desenfreado a destruir tudo e todos. A moral é um desses ordenadores, é a barragem que se abre e se fecha de acordo com a capacidade de controle do sujeito. Assim sendo, quanto menos capaz o sujeito se sente para coordenar sua correnteza, mais ele precisa de uma moral rígida e forte para cerceá-la. Se o moralismo excessivo não for a máscara que o canalha veste para esconder seu mau caratismo, ele é tentativa desesperada do depravado para conter seus impulsos sórdidos.

É digno de nota que a política nacional esteja infestada desse tipo de gente. Bolsonaro e Damares são dois bons exemplos. A excessiva preocupação com a moral sexual e todas as questões relacionadas a sexualidade que ambos demonstram todo o tempo, apenas denuncia o obvio: que só pensam em sexo, e obviamente, nas suas formas mais perversas e depravadas. Assim, para barrar sua sexualidade desordenada e doente, que os ameaça pela força perversa, só lhes resta criar uma moral extremamente, forte, rígida, recheada de protocolos e regras. Sem recurso simbólico ou maturidade subjetiva para constituir uma regulação de dentro pra fora, precisam de mais regras morais que os regule de fora pra dentro. Nesse caso, tais regras precisam também regular a todos no entorno, já que a liberdade do outro, ameaça aquele incapaz de lidar com sua própria liberdade.

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Moro e Dallagnol, figuras centrais da Operação Lava Jato (que já podemos considerar como parte integrante deste governo, inclusive, fundamental para sua chegada ao poder), também seguem nessa toada moralista. Só que, pelo que estamos percebendo nas trocas de mensagens mostradas na Vaza Jato, o moralismo e a correção que ambos esbanjam publicamente, funciona mais como uma mascarada para as suas reais intenções e motivações.

Enfim, excesso de moralismo (nas gentes, na política, na religião, nas instituições ou quaisquer movimentos coletivos) é sintoma; mascarada para canalhices ou barreira para perversões. Desconfie.

Rita Almeida

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11 comentários

  1. Infeliz a Nação que precisa de heróis, diria Brecht.

    Quando o Parlamento tentou aprovar o projeto de lei de abuso de autoridade, o Deltan Hipócrita ameaçou:

    “Somos funcionários públicos, temos uma carreira. Então, não estaremos mais protegidos pela lei. Se acusarmos, poderemos ser acusados. Nossa proposta é de renunciar coletivamente caso essa proposta seja sancionada pelo presidente [Michel Temer]. Se medidas contra a corrupção podem ser convertidas em lei de intimidação, que favorece a corrupção e a prática de outros crimes por poderosos, restará ferido o Estado de Direito”.

    Questionado sobre como se daria a “renúncia coletiva”, o Procurador Lima acrescentou:

    “Temos nossas responsabilidades e vamos retornar as nossas atividades habituais. Muito mais valerá a pena fazer pareceres previdenciários do que investigar poderosos”.

    Mas a verdade é que para essa Tchurma:

    “Muito mais valeu a pena fazer se arriscar a investigar poderosos, ficar visível, abrir uma empresa de eventos e palestras, organizar congressos e eventos e lucrar, aproveitando a visibilidade e networking conseguidos nas investigações dos poderosos, do que fazer parecer previdenciário”.

    Mas por favor, sem pegadas de pirotecnia e sem gostinho de quero mais.

  2. Tá com medo ? ..narural ..mas o que propõe ? ..que pra se evitar o atrito que se deixe passar ?

    Faça-se de frango que um dia eles te colocam na canja

    LULA foi na sua frente ..LULA mesmo disse que apoia as prisões e julgamentos justos, mas que se preocupa com os INOCETNES pegos nesta TEIA golpista turbinada por interesses GEOPOLÍTICOS desde o INÍCIO !!!!!

    FATO, a LAVA JATO se fundou em corrupção REAL, e se aproveitou pra ENXERTAR farsescamente opositores inocentes cujas maiores vítima foram, além do BRASIL, LULA DA SILVA ..e Dilma

    HIPÓCRITAS pensaram que os presidentes LULA e DILMA podiam, ou deveriam tudo (como onipotentes), quando em verdade eles se mantiveram nos limites Institucionais que nós mesmos prescrevemos e estabelecemos ..e PIOR, mergulhados nesta sociedade corrupta que nós mesmos sustentamos e demos vida.

    ..a mim sua analise pareceu parcial ao não dar a devida importância a grupos tb sectários que ficaram enchendo o saco e cutucando o presente (passado) com questões, senão menores, ao menos superáveis em nome dum futuro melhor que atendesse a ampla maioria desassistida.

    Qual seja, a tentativa do exagero dos tais revisionistas e dos grupos dos politicamente corretos tb tiveram parte da culpa ao tentarem PASSAR POR CIMA de outras facções políticas mais conservadoras e afetadas.

  3. A turma da lava-jato insiste na questão da fonte das informações vazadas pelo Glenn, porquẽ é só isso que resta a elas: Desqualificar a fonte. Porém, a questão da fonte é realmente muito importante. No texto o Fernando diz acreditar que a fonte seja algum membro do MP com consciência pesada. Eu também penso que possa ser, mas pelo que já foi vazado até agora, parece que tem mensagens que foram trocadas em caráter “privado” entre Moro e Deltan. E muito mais ainda está por vir. Então não sei se seria possível uma única pessoa do grupo ter acesso a mensagens de diversos chats, inclusive as privadas. Talvez seja alguém como o poder acessar dados privados, como o supremo, ou de invadir, como mostrou o Snowden.

    • Há muitas provas das mensagens vazadas: Inicialmente, nem o $érgio Moro nem os Jatoeiros negaram os teores das mensagens, eles apenas reclamaram de descontextualização e de sensacionalismo. O $érgio Moro pediu desculpas aos Militontos do MBL e disse que de fato confia no Fux (In Fux we trust); o Faustão confirmou que conversou com o Moro; a propaganda que o Deltan pediu dinheiro ao $ério Moro para financiar foi identificada, etc.

      Apesar de suas caras de paisagens, os Jatoeiros estão com suas bundas na janela.

  4. Gente que se acha muito importante, mas não tem as competências para dar conta do trabalho mais duro, passa as senhas de sistemas e até de cartões bancários para secretárias ou mesmo assessores. Pelo que entendi, o Telegram não exige celular na mão para dar acesso a uma conta. Basta saber username e senha para entrar pelo computador.
    A julgar pelo volume de dados, alguém de dentro, com receio que os crimes que via pudessem criar desastres, foi guardando o material dos grupos de chat e agora entregou tudo. Um bom pendrive faz o serviço

  5. O Brasil fede ,é necessário que façamos uma profunda limpeza.Sem isto ,todo tornará a se repetir.
    A atitude das ffaa,”inocentadas” pela lei da anistía ,são um exemplo disso.Se punidos, estaríam hoje calados e encerrados no seus quartéis ,não teríam participado ativamente do golpe de estado e na sua continuação bolsonariana.

  6. Caro Nassif, te admiro muito, mas devo dizer que Brasília é muito mais que a “síntese maior da perda de rumo nacional”, pois ela não é apenas a Praça dos Três Poderes! Brasília é uma cidade onde vivem pessoas que pegam ônibus lotados; que trabalham dioturnamente para receberem um salário mínimo que expressa a concentração de renda que assola o Brasil, explicitando a distância imposta por séculos entre as classes sociais.
    Brasília é muito mais que restaurantes, gabinetes, salões dourados dos três Poderes, ela também expressa o chocante contraste entre a absurda riqueza de pouquíssimos e a imensa miséria nacional.
    Portanto, caríssimo Nassif, preciso te dizer que nós, brasilienses, estamos cansados de termos a nossa cidade usurpada, quando a reduzindem aos Três Podres Poderes.

  7. Acho que estamos num tempo em que deuses morrem o tempo todo. Alguns terão vergonha e se recolherão a sua insignificância. Outros poderão tomar atitudes mais imponderadas. Mas não é hora para medos. O medo só traz medo. Preocupação(a palavra que se auto define) é pra desocupados.
    O cenário internacional de hoje não é o de 1964. Lá, os EUA era o maior parceiro comercial da América Latina. Hoje é o segundo.
    Outro problema “DELES”: reduzir um país industrial de 200 milhões em uma fazenda agroexportadora está, a cada dia, mostrando a sua fatura.
    Pede-se portanto, aos intelectuais responsáveis, lucidez e coragem cívica. Lucidez para tentar entender o momento e coragem cívica para enfrentar as lutas.

  8. Adorei a ironia! Nassif foi sim o responsável ou talvez um dos responsáveis por abrir os olhos, ouvidos e mentes de leitores que essas latrinas pútridas teimavam em deixar-lhes em semelhante estado.

  9. + comentários

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