Qual é a lógica deste novo fascismo bizarro e com governantes sem nenhuma base política real?, por Rogério Maestri

O ponto em comum em todos os regimes fascistas tanto nos líderes do presente como os do passado, mais solene e credível, ou como alguém mais histriônico que pode ser um artista ou um palhaço, o denominador comum é o liberalismo econômico.

Arte Geledés

Qual é a lógica deste novo fascismo bizarro e com governantes sem nenhuma base política real?

por Rogério Maestri

A pergunta que é mais feita, é de onde ou por que surgem no maravilhoso ocidente esses políticos fascistóides que são eleitos a partir do nada?  É surpreendente, pois através de “eleições democráticas”, regidas por manipulações midiáticas, com apoio dos partidos tradicionais de direita, encerra-se um ciclo das democracias burguesas e inicia-se um novo de governos fascistas que elegem figuras que, ao mínimo, se pode dizer folclóricas.

No passado o fascismo foi introduzido também por eleições em que o partido era minoritário e como sempre, com apoio dos partidos da direita tradicional. Isto fazia que as lideranças fascistas do passado serem produtos nacionais. Levados por esta origem, os governos fascistas deveriam ter um viés nacionalista que os obrigavam a apresentar alguma solução para as grandes massas, emulando uma resolução dos problemas das democracias burguesas falidas que eles sucederam.

A novidade dos dias atuais é que, os líderes fascistas do momento, não são mais líderes nascidos de um longo período de gestação dentro das próprias democracias burguesas, que os obrigava ao uso de um falso discurso contra o liberalismo. Já os atuais líderes abandonam a simulação de um falso programa nacionalista e partem logo para um discurso, liberal na economia e totalitário nos costumes.

Outra novidade é que como os líderes fascistas do presente são verdadeiros arremedos dos do passado, sendo figuras muito mais figuras, folclóricas sem deixar da tendência fascistóide. Isto é conseguido trocando o lento processo de formação de uma base sólida por manobras midiáticas, tanto na sua velha forma da grande imprensa como na sua nova forma via Internet.

Nos países centrais estas figuras midiatizadas tem que ser necessariamente menos folclóricas e com aparência de responsabilidade. O exemplo master é Macron na França, ele primeiro foi mediatizado através uma ampla exposição em capas de revistas de veiculação popular, para depois, vulgarizada a sua imagem, ser abraçado pelos grandes meios de comunicação como sendo a única solução dos “complexos problemas” do liberalismo. Macron. Até o inesperado surgimento do movimento dos Gilets Jaunes, ele governava como um verdadeiro imperador francês, simplesmente desprezando literalmente o povo e impondo as suas reformas e privatizações. Macron estava fazendo a mesma política do que as figuras caricatas, mas com ar mais formal.

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Os adeptos das explicações psicológicas da política se esmeram em tentar achar no meio da confusão de tipos e maneirismos das figuras caricatas, que estão sendo colocadas no poder, um lugar comum, coisa que está ficando difícil pois as origens e a forma externa são completamente diferentes. Um é artistas de TV, como na Ucrânia, outro é político tradicional de terceira linha reformatado pela imprensa como uma novidade e daí segue o show de horrores.

Porém todas as interpretações psicológicas ou mediáticas ou ainda mais recentemente ciber-mediáticas ficam andando em círculos, pois além do bizarro, beirando ao patológico, todas estas as brilhantes interpretações se negam a fazer a pergunta básica que qualquer investigador de polícia faz no início da investigação:

A quem interessa o crime?

O ponto em comum em todos os regimes fascistas tanto nos líderes do presente como os do passado, mais solene e credível, ou como alguém mais histriônico que pode ser um artista ou um palhaço, o denominador comum é o liberalismo econômico. Ou seja, por aí está decifrado o enigma da pirâmide.

Os interpretadores psicologizantes mais uma vez estão fazendo o que se fez no pós-segunda guerra mundial, a explicação da existência do fascismo de Mussolini e de Hitler como se ele fosse uma anomalia histórica. O mais surpreendente é que estas análises esquecem outras figuras fascistas, como Franco na Espanha, ou como Salazar em Portugal, não foram anomalias de curta duração na história, como tiveram o juízo de não desafiar o Imperialismo Internacional pois abdicaram por condições materiais de posições de domínio, exceto em suas colônias africanas. Assim simplesmente nos Julgamentos de Nuremberg foram deixadas de lado. Logo, se um líder fascista segue o ditado, manda quem pode, obedece quem tem juízo, pode subsistir por mais de meio século.

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Passo a lembrar que tanto Mussolini como Hitler adotaram políticas econômicas liberais ao extremo, implantando nos seus países além de um grande arrocho salarial, a maior política de privatizações da história, só superada posteriormente por Pinochet no Chile e se alguém tem ainda alguma dúvida sobre o viés liberal é só ler os trabalhos de Germà Bel, tanto na Alemanha Nazista “Against the mainstream: Nazi privatization in 1930s Germany”, como na Itália Fascista “From Public to Private: Privatization in 1920’s Fascist Italy”. As políticas de extrema privatização da economia, é e foi ciosamente escondida pelos liberais através da falácia que durante a guerra os governos fascistas intervieram na economia.

Entretanto Albert Speer, que foi ministro do armamento de Hitler de 1942 até terminar a guerra, relata no livro de Joachim Fest, “Albert Speer: Conversations with Hitler’s Architect”, Speer conta ao autor que em 1942 as fábricas alemães não trabalhavam mais do que um turno, pois se trabalhassem mais que um turno diminuiriam sua lucratividade, coisa que o eficiente CEO do armamento nazista termina em nome do Reich de mil anos. Speer foi um dos responsáveis do prolongamento da guerra que devido a sua eficiência gerencial, conseguiu aumentar a produção de 1942 a 1944 em 80% nos aviões e em 100% nos tanques Panzers.

Speer, como se diz atualmente, era alguém muito eficiente e com grandes méritos. Como os Imperialistas prezavam os diligentes CEO’s nazistas, Speer foi o único poupado da pena de morte em Nuremberg, apesar de ter utilizado trabalho escravo nas indústrias alemãs em que com sua bondosa interveniência passou de uma taxa de morte dos escravos de 6% ao mês para 50% ao ano.

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Mas voltando ao principal do artigo, a pergunta que deve ser feita é o que mudou da política do grande capital da década de 30 para o início do século XXI? A imposição de um liberalismo criminoso continua a mesma, o fascismo progride a passos largos no mundo, porém há um detalhe que todos esquecem, a estandardização dos líderes fascistas.

Na década de 30 o Imperialismo Internacional aprendeu algo evidente: Líderes fascistas fortes não podem existir, pois eles crescem e dão problemas, logo é necessário implantá-los de fora para dentro, e preferencialmente de tal forma que possam derrubados pelas ferramentas que o Imperialismo ainda dispõe. Os únicos pré-requisitos são a bizarrice, a subserviência ao grande capital e o que realmente importa, serem deploráveis e descartáveis.

Como podemos ver, os atuais líderes fascistas, quando descontentarem seus donos, poderão ser substituídos por outros ou quando reduzirem seus países a frangalhos e com a classe operária dobrada, poderá se ter de novo a democracia burguesa para começar um novo ciclo de acumulação do capital.

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