Saída é a garantia de renda aos vulneráveis e apoio às empresas, diz Brooking Institution

Os autores não arriscam na previsão de como se dará a recuperação. Depende da trajetória da pandemia

O respeitado Brookings Institution, junto com o Financial Times montou um indicador visando prever o crescimento do PIB nos próximos meses.  Trata-se do índice Brookings-Financial Times Tiger (índices de rastreamento para a recuperação econômica global). O índice levantou dados dos países industrializados e do G20 – o grupo das economias e bancos centrais de 19 países, mais a União Europeia.

Para contornar a precariedade de alguns indicadores, utilizou um procedimento estatístico chamado de Análise de Componentes Principais, usado para extrair indicadores que capturam flutuações comuns entre variáveis de um grande conjunto de dados.

O índice principal é o Índice Composto, que junta os Indicadores de Atividade Real, o Índice Financeiro e o Índice de Confiança. Os países foram subdivididos entre economias desenvolvidas, emergentes e periferia da Europa (aqui, a metodologia dos indicadores).

Após processar os indicadores de abril, as principais conclusões do estudo mostram um colapso da atividade econômica, dos mercados financeiros e da confiança do setor privado e um aprofundamento ainda maior da economia.

No caso do Brasil, o Índice Composto mostra uma queda de mais de – 20 pontos em abril – contra – 20 pontos da África do Sul, – 12 na Alemanha, e -12 nos EUA. Já o Indicador de Atividade Real está em quase -30, similar ao da Alemanha, mas contra apenas -10 no Canadá.

Os autores não arriscam na previsão de como se dará a recuperação. Depende da trajetória da pandemia, das respostas dos formuladores de políticas públicas, se serão suficientes para conter os dados e recuperar a confiança de consumidores e empresas.

Reconhece que a demanda foi devastada, com grandes interrupções nas cadeias de suprimentos e uma crise financeira correndo em paralelo.

Há diferenças essenciais em relação à crise de 2008. Na época, mercados emergentes como China e Índia continuaram registrando alto crescimento, puxando a economia mundial. Agora, a crise atingiu todas as economias, impedindo qualquer saída de país via exportações. O que levará a uma inevitável queda nos preços das commodities.

Segundo o estudo, a economia dos EUA chegou a um impasse virtual. Grande parte do setor de serviços está sendo encerrado, a atividade industrial interrompida, e um aumento dramático do desemprego.

Os EUA responderam com uma série extraordinária de medidas, que mitigarão as consequências. Mas faltam ainda medidas de estímulos direcionadas, especialmente para proteger famílias e pequenas empresas economicamente vulneráveis.

Europa e Japão já enfrentavam problemas antes da pandemia. Por isso haverá declínio substancial na produção e aumentos no desemprego. França, Alemanha e Reino Unido enfrentarão recessões históricas, à medida em que todos os indicadores de atividade e comércio estão em queda. No entanto, redes de segurança social, mais robustas que nos EUA, mitigarão o impacto da crise nos economicamente mais vulneráveis. Mas a recuperação será longa e difícil.

A economia chinesa começa a se recuperar, embora de forma limitada. Os principais indicadores econômicos – produção industrial, vendas no varejo e investimento – tiveram forte contração nos dos primeiros meses do ano. Mas há sinais de que podem ter chegado ao fundo do poço.

Mesmo assim, com o aumento do desemprego, é provável que a demanda interna e externa permaneça fraca, e ainda há o risco de uma segunda onda de infecção.

Em relação aos emergentes, há um quadro mais complicado, constata o trabalho. Muitos têm sistemas de saúde anacrônicos, centros populacionais urbanos congestionados e altos níveis de pobreza. Além disso, algumas delas estão enfrentando paradas repentinas de entrada de capital, depreciação de suas moedas e falta de demanda externa para suas exportações.

Na Índia, o governo enfrenta crise de saúde e da economia. No caso do Brasil, diz o estudo, a resposta limitada à pandemia pode sustentar a atividade econômicas, mas apenas no curto prazo. Mas houve queda no mercado financeiro e na desvalorização do real, trazendo preocupações.

Há uma pro atividade bem-vinda dos bancos centrais. O FED montou programas de compras de ativos, fornecendo liquidez em dólares a muitos bancos estrangeiros. O BCE (Banco Central Europeu) avisou que não haverá limites para o seu compromisso com o euro, anunciando compras maciças de títulos públicos e corporativos. E o Banco da Inglaterra deverá financiar diretamente os gastos do governo. O Reserve Bank of India estão avançando, considerando operações de flexibilização quantitativa o que, segundo o trabalho, impedirão o congelamento dos mercados financeiros, mas não compensarão a queda de demanda nem estimularão o investimento.

Como política de contenção de danos, o estudo sugere medidas fiscais bem direcionadas para atenuar o impacto sobre consumidores e empresas, especialmente as pequenas e médias. “Nestes tempos de desespero, essa opção deve ser exercida por governos que enfrentam baixos custos de empréstimos, mesmo que já tenham altos níveis de dívida pública”.

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