Um olhar da psicologia sobre o fenômeno COISO, por Eni Gonçalves de Fraga

Enviado por Josimar

Um olhar da psicologia sobre o fenômeno COISO

por Eni Gonçalves de Fraga

Em 64, o inimigo se impôs. Agora, elegemos ele de boa vontade, espumando de ódio e rindo ao mesmo tempo, como uma psicose coletiva. A sombra se agigantou e invadiu a psique coletiva, sem freio de ego, sem freio de ética. Quem conhece sabe a força física de um psicótico em surto. Precisam de várias pessoas para conter. É uma força absurda. Em nível macro, é o que está acontecendo.

Por que NENHUM argumento quebra a idealização, a idolatria por Bolsonaro?

Simples. Porque ele é literalmente o representante do povo. Ele deu voz ao povo. Ele é o ícone que botou a cara no sol e onde todos os bolsonaros puderam se ancorar e se sentir livres para quebrar as porteiras do freio social, da ética e do equilíbrio, colocando todos os seus monstros para fora, puderam sair do armário com legitimidade e segurança. E com muita força. Muita violência. Assim como um psicótico em surto.

O maior perigo desses tempos nem é o Bolsonaro em si. São os bolsonaros soltos pelas ruas, no trânsito, nos locais de trabalho, nas casas, nas vizinhanças, nas igrejas. São esses bolsonaros que vão exterminar os civis do sexo feminino, os civis não cristãos, os civis de baixa renda, os civis que não obedecem à heteronormatividade e os civis descendentes da escravidão. É uma ditadura às avessas. É uma ditadura que vem das ruas. Dessa vez não é de cima pra baixo. É de baixo pra cima. Os bolsonaros saíram à luz do dia para impor uma nova (antiga) ordem, elegendo o seu maior representante, que teve a audácia de colocar a cara no sol, porque sabia que estava em consonância com o coletivo. Ele apareceu com segurança e tranquilidade. Porque o trabalho e o esforço não é dele. É do povo. Ele não precisa sequer fazer discurso, debater, argumentar. Porque não é disso que se trata. Não é isso que determina a sua eleição.

Leia também:  Subserviência como objetividade: AI5 e a normalização dos absurdos, por Janara Nicoletti e Andressa Kikuti

Por isso, mesmo com todos os FATOS apresentados, com todos os argumentos estatísticos e intelectuais, não haverá meios de mudar essa realidade em curso, que vai se concretizar. Um dos critérios para se identificar um delírio dentro de um quadro psicótico, é a grande resistência aos dados de realidade. O delírio não cede à realidade. Ele permanece obstinado e na certeza da sua verdade. A pobreza de discurso, o rebaixamento da cognição também são sintomáticos.

O povo brasileiro é bolsonaro.

Segundo o budismo, tudo é impermanência. O que nos resta é acreditar nas forças do Universo e esperar passar esse período sombrio de ódio, falta de ética, de respeito, de corrupção e limitação das consciências. Tudo passa. Bolsonaros também passarão. A psiquiatria diz que uma psicose não se cura. Ela é controlada, contida. Eu ainda tenho esperanças que um dia surja uma saída mais criativa para a psicose, e que ela deixe de ser um atentado ao ego e à consciência, que se fragmentam fácil quando um Bolsonaro, por exemplo, chega por trás, rasteiro, e se instala como patógeno psíquico ao longo dos anos, constelando todos os seus delírios de grandeza, suas paranoias e sua violência na sociedade. Porque isso não é de hoje. Essa é a história do Brasil.

Até lá, resistiremos, pois a psique, individual ou coletiva, sempre é autoajustável, sempre busca o equilíbrio. É da sua natureza.

 

21 comentários

  1. Nem todos os brasileiros, por

    Nem todos os brasileiros, por mais que assim alardeiem.

    Nem todos.

    Eleitoralmente falando, nem a metade.

    Esta é nossa única (e última) esperança.

  2. PELO TITULO

    Ao tratar o fenomeno como “coiso”, faz o jogo conservador. Tem identidade e posição e representividade.

  3. Esse texto estigmatiza a

    Esse texto estigmatiza a pessoa com esquizofrenia como alguém violenta, que desrespeita tudo e todos. 

    Estar em surto, nome correto é crise, nem sempre está ligada a violência. É algo complexo e não simplista como faz a comparação acima. 

    O eleitor de Bolsonaro não são pessoas em crise, mas plenamente conscientes. São pessoas que simplesmente não apresentam transtorno mental.

    O problema do eleitor de Bolsonaro é outro. É estar em desamparo do Estado. É deserdado da civilidade e de direitos. Ou apenas ilusão de tê-los. É a ganância de cada dia que impede de pensar no coletivo.

  4. duvido que o cara eja

    duvido que o cara eja espoliado pelos bolsignasros e ainda permaneça idolatrando-os…

    um dia a ficha cai…

    o pior é que tem gente uw aCREDITA QUE O GOVERNO QUE ACABA HOJE AINDA É DO PT….

  5. Psicóloga Anti-ética
    Sra. Eni Gonçalves de Fraga, quero destacar seu comentário “Os bolsonaros saíram à luz do dia para impor uma nova (antiga) ordem, elegendo o seu maior representante, que teve a audácia de colocar a cara no sol, porque sabia que estava em consonância com o coletivo.”
    Sobre isso, só tenho a dizer que lamento ter a senhora colocando o nome da Psicologia em meio a um campo de batalha que eticamente falando não lhe cabe tal exposição. Faço votos de que logo o CFP detecte sua reportagem e lhe aplique a devida punição, pois a senhora simplesmente não nos representa, não representa a classe de Psicólogos de nosso amado Brasil. Se o coletivo lhe causa medo, então é a sua sombra que ainda precisa ser assimilada. Não venha falar de Psicologia Junguiana sem antes ter adquirido a ética necessária para agir como uma verdadeira profissional da área, não misture as coisas. Por fim só tenho a lamentar que sua reportagem tenha sido feita, pois ela representa um delírio com o qual outros profissionais se identificam.

  6. A Psicologia nunca deveria
    A Psicologia nunca deveria tomar partido, pois é falta de ética.
    Ainda mais, sem argumentos.

  7. considerando que são de um partido sem nenhuma história…

    se pretendem alterar a história do país, como já declararam, só pode ser com a participação ou ajuda da sociedade, principalmente da classe média fascista, e com terrorismo ou muita violência

     

    e como já tivemos fiscais do Sarney, nenhuma dificuldade para se ter “soldados do Bolsonaro”

     

    é por isso que quer todos armados

  8. Meu bairro está abandonado pela prefeitura.

    Temos uma grande praça onde o mato já alcança mais de um metro de altura. O lixo, as folahs secas se amontoam e irão entupir os bueiros, As pessoas comentam sobre o abandono e num destes dias um senhor me falava do descaso. Ao ir embora, como saideira, disse-me : “Vamos ver como fica a partir de janeiro”. Será o devaneio de um só cidadão ou grande parte dos brasileiros acreditam que tudo se resolverá mesmo que nada tenha a ver com administração federal? Será que  se auto-enganam afirmando sem ter motivos ou indíicos que  justifiquem seu otimismo, que tudo irá melhorar, bastando como razão o voto que botou na urna?

    Desejo a todos do Blog um ano novo com muita SAÙDE para RESISTIR aos males que advirão proximamente.

  9. Não sei como uma pessoa que

    Não sei como uma pessoa que nos últimos 30 anos só espalhou ódio, preconceito, racismo, homofobia e insensibilidade social pode dar esperanças a alguém. Os eleitores do Coiso perderam o referencial político e ético. O mundo todo está vendo isso…

  10. Infeliz a exposição feita a
    Infeliz a exposição feita a minha classe profissional e de vários colegas,tratar a indignação da sociedade brasileira como doença mental, é falta de respeito com ser humano, falta de ética profissional, espero que quem ler este lixo de matéria veja também os comentários, para não generalizar os PSICOLOGOS(AS), e não potencializar mais o preconceito de quem sofre com as doenças mentais!

  11. O Perigo em si

    “O maior perigo desses tempos nem é o Bolsonaro em si. São os bolsonaros soltos pelas ruas…”

     

    O perigo está solto e os pequenos bolsonaros estão solttoski, digo soltos aqui.

     

  12. Desejos pra 2019
    Trago Vera Holtz a essa enxurrada de gente burra nos comentários. Desejo-lhes:
    1) consciência de classe
    2) pensamento crítico pra checar informações
    3) INTERPRETAÇÃO DE TEXTO

  13. Hipnose coletiva
    O nome certo é hipnose coletiva. Ela passa aos poucos. E quando passar a hipnose da maioria, a coisa vai ficar feia. Os idólatras se voltarão contra o seu ídolo. Queira Deus que não seja tarde demais.

  14. Bolsonaro e seus eleitores
    Bolsonaro e seus eleitores são psicopatas, não psicóticos. Os psicóticos cindem realidade e fantasia e a maioria tem um imenso coração. Os psicopatas são seres que não se importam com o outro, são sem fim para as maldades, sabem muito bem como é a realidade e como manipulá-la.

  15. Lembrando que temos muitas
    Lembrando que temos muitas psicoses, dentre os transtornos mentais graves temos a esquizofrenia, esta sim sem cura, as demais vemos caso a caso. Apenas para uma correção conceitual em seu texto.

  16. Quanta incoerência em tão poucas linhas…
    Como psicólogo eu fiquei (juro que fiquei) tentando acompanhar a linha de raciocínio, apesar disso ser muito complexo, visto que no primeiro parágrafo percebo um “elegemos ele”. Aff! Dai pra frente foram só desvios do ativismo político “recalcado” e pouquíssimo de psicologia de fato!
    (In)Consciente coletivo definitivamente deveria ser estudado para nos poupar de leituras ridículas como essa…

  17. Quanta incoerência em tão poucas linhas!
    Não é “Um olhar da Psicologia”, pelo simples fato de ser mal fundamentado e por não expressar nada mais que uma ideologia política, algo a que a ciência não se presta.

    Se somos colegas de profissão, indico leitura e uma real formação de senso crítico. Não um “Mais do mesmo populista”, como se viu.

    Como psicólogo fiquei (juro que fiquei) tentando acompanhar a linha de raciocínio, apesar disso ser muito complexo depois de ver no primeiro parágrafo percebo um “elegemos ele”. Aff!

    Daí pra frente foram só desvios do ativismo político “recalcado” e pouquíssimo de psicologia de fato!

    (In)Consciente coletivo definitivamente deveria ser estudado para nos poupar de leituras ridículas como essa…

    Aos administradores da página, muito cuidado. Vocês parecem ser sérios!

  18. Nenhuma análise que não

    Nenhuma análise que não considere o poder das mentiras e fake news nessas eleições presidenciais merecem aplausos, o povo não é Bolsonaro, uma parcela é, uma parcela que pensa como ele, que age como ele, que é parte da escória da sociedade, mas outra parcela, uma parcela bem maior foi manipulada, iludida, uma parte pela conjuntura, os seus medos fizeram tomar decisões mais drásticas, e a falta de conhecimento de história e de informações fidedignas da mídia o fez tomar a pior decisão possível, já outra parcela foi não apenas iludida, mas sofreu um estelionato por meio das fake news disseminadas pelo aplicativo whatsapp.

    Fechar o olhos para todo o processo eleitoral é desonestidade intelectual, é não ter noção do que de fato ocorreu nessas eleições, uma fraude marginal, já que não podia ser de dentro do sistema pra fora, ocorreu nas suas cercanias, e com material que para quem é esclarecido é um absurdo, como Haddad é pedófilo, Manuela estava com uma camisa com a frase “Jesus é travesti”, e o pior, o povão acreditou nisso.

    Não, não votaram em Bolsonaro porque viram esperança nele, competência ou o oposto do que era o poder vigente, votaram porque ele mentiu, manipulou, se escondeu, se esquivou, não foi porque o povo se via em Bolsonaro, mas justamente porque Bolsonaro, com suas fake news, não deixou que ninguém se mostrasse mais povo e ao povo, e quem de fato ele era, e, na falta de opção, restou aquele que conseguia ter acesso direto ao povo por meio de mensagens pagas por empresários (financiamento de empresas, o que a legislação eleitoral atualmente proíbe), esses disparos de mensagens pelo whatsapp, que foram na casa das dezenas de milhões, é o que explica os bruscos movimentos estatísticos a 3 dias do 1º turno, os números não mentem nunca, já Bolsonaro mente sem nem ficar vermelho, vermelho? Nunca.

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