Verdades Secretas e um tanto sobre nós mesmos, por Matê da Luz

Ok, acabou na semana passada mas estou envolvida em um projeto pessoal tão grande que não deu tempo mesmo de comentar, mas ainda sinto que preciso. Na verdade, mais do que comentar: quero escutar a opinião diferente de um tanto de gente, pois meu critério pode estar altamente contaminado por uma série de experiências íntimas e pessoais e, bem, fato é que ando levando a análise (a alheia e a minha própria) a um ponto semi não-saudável. Dizem que é comum em estudantes de psicologia, um primeiro momento – mas eu ainda não estou estudando (embora vá) e quanto menos sou comum (nunca serei, não quero). 

Resumo: um cara se apaixona por uma modelo quando se encontram durante um programa que ela, romântica que só, faz para manter a carreira de modelo. A menina rompe seu caráter sonhador e opta fazer programas, mas o sonho ainda está lá e ela insiste para que eles se casem – está apaixonada. Nada feito, ela tenta seguir a vida tendo seu sonho como prioridade: quer casar, ter filhos, enfim, viver o que o romance básico proporciona. O cara, na verdade, não estava apaixonado: ele já tem o caráter rompido e quer porque quer estar ao lado da mocinha. Assim, decide casar com a mãe dela. 

Pois é. 

Casado com a mãe dela, volta a seduzir a garota, que novamente tem o caráter rompido e cai na lábia do bonitão (sim, ele é bem bonito, sedutor, são características que facilitam este trabalho sujo tão sujo que nos últimos capítulos já não dava pra sentir a beleza do ator, tamanho nojo que me davam as cenas de traição – parabéns, Lombardi!). A mãe parece que não percebe, faz que não quer enxergar e, mais pra frente, é avisada pela própria filha do cara. Sim, esta filha tem um certo ciúme do pai com a mocinha, como quase toda filha há de ter com seu primeiro príncipe ou algo assim, e o abrir os olhos daquela mulher significa ser a faísca causadora de uma tragédia enorme que culmina no suicídio desta pessoa. 

Esta pessoa, ao meu ver, profere uma das poucas frases que não declaram dúvida sobre a relevância de caráter como fator relevante pra vida, a própria e a dos que nos cercam. Ela diz “eu não sou burra, eu só achei que isso não existisse”. E, de fato, muitos de nós, espectadores, lançamos um grunhido típico de “ah, vá sua idiota, como assim não existe, eles estão te traindo na sua cara e você é burra sim”.

E é aí que entra minha preocupação. Onde está posicionada nossa intenção de evoluir acerca do nosso próprio caráter? Em que ponto chegamos ao encarar uma novelinha (muito bem feita, diga-se) e reprovar uma das poucas ações dignas ali representadas? O suicídio desta mulher imprimiu algo tão forte em mim que é como se ela me lembrasse que, aqui neste mundo, ainda são os que acreditam no bom e no bem os que têm que se retirar. E, veja, não é possível que seja assim. 

Acredite você no que quiser acreditar, mas a verdade nada secreta que fica escancarada fala tanto sobre nós nos acostumarmos com as coisas mais terríveis acontecendo debaixo dos nossos olhos quanto sobre nossa incapacidade de mudar este foco e realmente apontar os erros, por maires que sejam. 

Não é normal uma filha transar com o marido da mãe, assim como não é normal um montão de outras coisas que acontecem aí, rotineiramente, e a gente não faz nada porque se acostumou ou, quem sabe, porque desconfia da própria capacidade de evoluir – em termos de caráter individual e coletivo, o que também é muito, muito importante. 

E aí, o que acham? 

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