Viva quem viver…, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Não há qualquer possibilidade deste governo fazer algo para evitar a fome e o caos. Ambos provavelmente serão utilizados por Bolsonaro para reforçar o autoritarismo de seu governo.

Viva quem viver…, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Nos EUA a justiça retirou a proteção conferida aos jornalistas que cobrem violência policial em Portlant. No Brasil um juiz decidiu dar um “cala boca” no jornalista Luis Nassif.

Nos dois casos é evidente a tentativa do Judiciário de “ajustar” a liberdade de imprensa aos interesses de governantes autoritários. Donald Trump transformou a repressão na cidade do Oregon numa questão de honra. A proteção judiciária conferida aos negócios obscuros feitos pelo BTG com o Banco do Brasil interessa ao governo. Paulo Guedes é o dono daquela instituição bancária e a negociata feita com ou sem autorização presidencial pode dinamitar Jair Bolsonaro.

Alexandre Garcia disse que as vítimas da pandemia morreriam de qualquer forma. O general da saúde nomeou um veterinário para cuidar da vacinação da população. Qual será a reação do Conselho Federal de Medicina e do Ministério Público Federal? O exercício ilegal da profissão médica deixou de ser crime?

Morra quem morrer… O presidente brasileiro reduziu o salário mínimo. A população desempregada será abandonada à própria sorte nos próximos meses. O preço do arroz está disparando nos supermercados. Não há qualquer possibilidade deste governo fazer algo para evitar a fome e o caos. Ambos provavelmente serão utilizados por Bolsonaro para reforçar o autoritarismo de seu governo.

Não existe teto para os gastos militares. Bolsonaro aproveitou esse fato. Ele gastará mais com as Forças Armadas do que com a Educação. Os ataques dele às universidades públicas segue sendo tolerado pela imprensa e secundado pelo general vice.

Fernando Haddad comemorou o fato de um economista tucano defender o fim do teto de gastos. É fato: os tucanos são incapazes de pensar em soluções para os problemas da população. Portanto, devemos imaginar que eles querem criar as condições indispensáveis para o neoliberalismo autoritário se salvar da crise que ele mesmo aprofundou.

Não há mais espaço para qualquer tipo de tergiversação. Quem não combater a ditadura bolso-ariana estará ao lado dela. Aqueles que levantarem a voz contra ela sofreram as consequências, mas em compensação estarão em condições de arbitrar os termos que serão impostos aos derrotados assim que a ditadura terminar. E ela inevitavelmente terminará mais cedo ou mais tarde.

É possível ver a irritação e, às vezes, o desânimo dos adversários do bolso-arianismo. A violência policial aumentou. Os casos de racismo explícito se tornaram mais frequentes. Uma parcela da imprensa desdenha a dor causada por causa do genocídio em que a pandemia se transformou. Mesmo assim é preciso não se deixar impressionar pela fumaça da guerra e pelo cheiro nauseabundo da carnificina.

Os planos dos tiranos que assaltaram a presidência da república, se presumirmos que eles são capazes de fazer planos, são relação de coisas que podem não acontecer. Se tiverem sucesso, eles criarão condições para seu próprio fracasso. Os impérios europeus  foram construídos por racistas. No final do século XIX eles começaram a dar aparência científica ao racismo. Quando ingleses e franceses foram obrigados a combater os racistas alemães na própria Europa os impérios europeus começaram a desmanchar na África e na Ásia.

Adolf Hitler iniciou uma guerra mundial para provar a superioridade da raça ariana. A derrota dos nazistas abriu caminho para a libertação dos povos que eles consideravam inferiores. Winston Churchill comandou o esforço de guerra do seu país guerra para conservar o Império Britânico, mas a Inglaterra perdeu suas colônias apesar de ter derrotado o III Reich.

A história tem uma maneira curiosa de iludir líderes como Jair Bolsonaro. Portanto, precisamos ter paciência e aproveitar as rachaduras que já surgiram no sistema de poder que levou um genocida à presidência.

Bolsonaro cultivou uma relação neurótica de dependência em relação a Donald Trump. Se o Idi Amin Dada branco norte-americano perder a eleição a queda do presidente brasileiro poderá ocorrer antes mesmo da próxima eleição presidencial brasileira. Os banqueiros que lucram horrores desde o golpe de 2016 terão que pagar a conta da reconstrução do nosso país.

A Justiça se colocou ao lado da pseudo-legalidade criada pelo golpe de 2016 e se recusa a abreviar a tirania. Portanto, a redemocratização do país também terá que chicotear os juízes.

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