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Por Lilian Milena

A estratégia brasileira para erradicar extrema pobreza, por Tereza Campello

Brasilianas: Em 2015, o Brasil foi destaque em relatório do Banco Mundial por praticamente conseguir erradicar extrema pobreza. Ex-Ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, explica qual foi a metodologia do então Governo Federal para desmanchar o núcleo duro da pobreza
 
Como o Brasil quase exterminou extrema pobreza nos anos Lula-Dilma. Colagem de fotos de Roberto Ripper e Agência PT
 
Do Brasilianas
 
Em 2015, o Banco Mundial elogiou o Brasil por reduzir mais rapidamente do que seus vizinhos na América Latina a porcentagem de pessoas que viviam com menos de 2 dólares americanos por dia. O trabalho "Prosperidade Compartilhada e Erradicação da Pobreza na América Latina e Caribe", publicado naquele ano, apontava que o Brasil, como nenhuma outra nação vizinha, tinha praticamente erradicado a extrema pobreza, ponderando que o desempenho brasileiro era fruto de três motivos: crescimento econômico que tornou o país mais estável do que o registrado nas duas décadas anteriores; aumento das taxas de emprego e, em terceiro lugar, políticas públicas com foco na erradicação da pobreza, como Bolsa Família e Brasil sem Miséria. 
 
No trecho a seguir, da entrevista concedida ao jornalista Luis Nassif, a ex-ministra do Desenvolvimento Social e uma das principais coordenadoras das políticas de combate à miséria, Tereza Campello, esclarece que Brasil não apenas conseguiu aumentar a inclusão de renda, mas também combater a pobreza multidimensional que, na metodologia do Banco Mundial, significa o grupo de pessoas que, além da falta de renda, não possui acesso a serviços básicos como água potável, energia elétrica, saneamento básico, saúde, habitação digna e bens e serviços primordiais para a segurança alimentar e promoção de renda, como geladeira, celular e internet.

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O peso dos juros sobre o orçamento no Brasil, por Fernando Nogueira da Costa

Para economista juros são “variável-chave” do endividamento público e colocam em risco “regra de ouro” que pode levar governo ao crime de responsabilidade fiscal. Este conteúdo está sendo organizado na Plataforma Brasilianas e fez parte do seminário de abertura da parceria do GGN com a PUC-SP

Juros são “variável-chave” do endividamento público e coloca em risco “regra de ouro” que pode levar governo ao crime de responsabilidade fiscal.jpg

Do Brasilianas

A taxa de juros no Brasil é a "variável-chave" do endividamento público no país, defende o professor titular do Instituto de Economia da Unicamp, Fernando Nogueira da Costa. O economista contraria o pensamento propagado pela equipe econômica do atual governo de que o Estado brasileiro precisa reduzir drasticamente os gastos primários (encargos com políticas públicas) como se o corte nas contas públicas tivesse o mesmo efeito da economia feita dentro de uma casa.

"A senhora dona de casa e o empresário acreditam nisso, porque é um discurso muito convincente. Só que o Estado não é uma casa, é o contrário. Quando Estado gasta ele arrecada mais pelo fator multiplicador de renda. Quando corta gastos arrecada menos. Esse é o beaba de [John] Keynes, do maior economista do século 20”, pontuou durante sua participação no fórum Brasilianas - Saídas para o Brasil crescer.

Um exemplo bem-sucedido dessa aplicação foi o New Deal, programa implementado pelo então presidente Franklin Delano Roosevelt que aumentou de forma massiva os investimentos federais em obras públicas, tirando os Estados Unidos da grande depressão de 1929.

 

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Reduzir universidades é ir contra ‘projeto de nação’, defende Haddad

Ex-ministro critica contingenciamento de recursos para ensino superior e o reaquecimento do debate que prioriza educação básica no governo Temer. Este conteúdo está sendo organizado na Plataforma Brasilianas e fez parte do seminário de abertura da parceria do GGN com a PUC-SP

Haddad critica debate que prioriza educação básica no governo Temer

Do Brasilianas

Em 2017, as universidades e centros federais de educação tecnológica sofreram um contingenciamento de 15% do orçamento para custeio (recursos utilizados em manutenção) e 40% de verbas para as obras. Essa medida, juntamente com a entrada em vigor da proposta de emenda constitucional (PEC) 55, que restringe os desembolsos do governo em áreas sociais, apontam que o investimento em Universidades públicas não está entre as prioridades da atual gestão.

Durante sua participação no fórum Brasilianas - Saídas para ao Brasil crescer, o ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, analisou com preocupação o posicionamento do governo Temer, destacando que as instituições de ensino superior têm papel central não apenas na formação da mão de obra qualificada, mas também na formação de pessoas com maior capacidade de reflexão, além disso, salientou que, pelo menos, 80% das pesquisas em ciência, tecnologia e inovação desenvolvidas no Brasil são geradas dentro das instituições de ensino superior.

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Judiciário com pouca transparência e velhos atores desestabiliza democracia

Do Brasilianas

Pesquisadora aponta imbricamento severo de interesses que estaria ameaçando o papel ético de Judiciário e Executivo em SP, Este conteúdo está sendo organizado na Plataforma Brasilianas e fez parte do seminário de abertura da parceria do GGN com a PUC-SP

Coordenadora do IBCCRIM, Luciana Zaffalon é autora de um trabalho inédito que avalia relação entre Judiciário e Executivo no estado de São Paulo

Representando as carreiras com os maiores salários e mobilizando 30% de todo o Produto Interno Bruto (PIB), o Judiciário está se consolidando como um poder acima dos demais no Brasil. A questão preocupa especialistas porque foi em situações semelhantes que, como mostra a história, a democracia foi posta em risco, quando um poder se sobressaiu em relação aos outros desvirtuando o mecanismo de freios e contrapesos.

Como reverter esse processo? A rigorosa transparência, o controle e a participação social, inclusive nos processos eleitorais, hoje apenas internos nas instituições de justiça, além do processo de digitalização dos sistemas desse poder, que ainda funcionam com base em mecanismos analógicos. 
 

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Brasil investe menos por universitário do que Grécia, Holanda e EUA

Reitora da Unifesp desmonta três mitos sobre universidades públicas federais: orçamento alto e de alunos privilegiados
 
Reitora da Unifesp desmonta três mitos sobre universidades públicas federais: orçamento alto, alunos caros e mais privilegiados
 
Três questões sustentam os debates contra a manutenção das universidades públicas brasileiras: o primeiro, que o orçamento dessas instituições é desnecessariamente elevado; segundo, que o custo por aluno é alto; e, terceiro, atendem mais a parcela da população economicamente privilegiada. 
 
Durante sua participação no fórum ‘Brasilianas - Saídas para o Brasil crescer’, representando a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), a reitora da Unifesp, Soraya Smaili, apresentou dados que desmontam todos esses mitos, se baseando em um estudo feito pelo professor Nelson Amaral, da Universidade Federal do Paraná, que há vinte anos acompanha o orçamento das instituições de ensino superior públicas. 
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Papel da universidade é criar ambiente de livre pensamento, defende reitora da PUC-SP

Profª Maria Amália defende regulação que separe ensino superior das demais atividades econômicas 

Profª Maria Amália defende regulação que separe ensino superior das demais atividades econômicas
 
O papel da Universidade não se limita na formação de mão de obra qualificada para o mercado de trabalho. Há no interior dessas instituições de ensino um ambiente propício para o desenvolvimento do pensamento crítico, inovador e da produção de conhecimento. Prova disso é que, no Brasil, 95% da ciência, tecnologia e inovação (CT&I) nascem dentro de universidades ou com a colaboração delas. Nos Estados Unidos, onde acredita-se que o padrão capitalista incentivaria uma maior produção de CT&I a partir das empresa, 80% da inovação e tecnologia surgem com esforço acadêmico, fortemente subvencionado pelo Estado.  
 
Os dados foram apresentados pela Reitora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Maria Amalia Pie Abib Andery, na abertura do seminário Brasilianas - Saídas para o Brasil crescer, marcando o lançamento da nova plataforma online criada para apresentar as propostas de políticas públicas voltadas a redução das desigualdades sociais. 

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Banco Mundial norteou políticas para educação de FHC, diz Newton Lima Neto

Atual assessor do IFSP faz um paralelo entre o desmonte da educação e projeto que reduz autonomia do país 
 
Educação e soberania nacional
 
A promoção da educação pública e indutora de ciência e inovação tem forte relação com a autonomia de um país, defende Newton Lima Neto, assessor da reitoria do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), entidade responsável por 37 centros de ensino, 50% das vagas voltadas à educação básica profissional e 50% para o ensino universitário no Estado de São Paulo. 
 
O tema foi levantado durante sua participação no fórum Brasilianas - Saídas para o Brasil crescer, marcando o lançamento da nova plataforma online criada para apresentar as propostas de políticas públicas para o país. 
 
Como político, Lima Neto participou de momentos decisivos da história para garantir a autonomia do ensino público, um deles foi na comissão que lutou para incluir o orçamento na Constituição Federal, destacando que, mesmo após essa conquista, a educação pública continuou sofrendo ataques. 

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Violência e ilegalidade no Brasil são frutos da mesma árvore, diz Alencastro

Séculos de escravidão deixaram marcas que definem as características que mais envergonham hoje o país. "O escravismo é uma violência cotidiana. No fundo da casa tem alguém gemendo porque está apanhando, porque foi punido"
 
 
Jornal GGN – O Brasil só vira uma nação integrada, de fato, com a descoberta do ouro em Minas Gerais. Antes disso era um conjunto de feitorias que corria o risco de se subdividir em vários países, assim como aconteceu com as outras colônias europeias nas Américas.
 
A conclusão é de Luiz Felipe de Alencastro, historiador e cientista político com extensa carreira acadêmica no Brasil e na França, como livre-docente na Unicamp, titular na Fundação Getúlio Vargas e na Sorbonne (Paris), uma das mais prestigiadas universidades do mundo. Ele lembra, por exemplo, que a América britânica foi subdividida em Estados Unidos, Canadá, Antilhas e Jamaica. A América francesa teve o território da Louisiana vendido para os Estados Unidos e perdeu São Domingos que virou o Haiti, primeira nação independente das Américas. Já a América espanhola se transformou em 20 países.
 
O que impediu a fragmentação do Brasil, após a descoberta das Minas Gerais, foi a escravidão. Praticamente todos os territórios brasileiros eram dependentes do tráfico de seres humanos africanos para sua economia, e com a descoberta do ouro (por volta de 1697) isso se tornou ainda mais forte. 
 
Assim, a formação do império brasileiro, em 1822, ocorre em um equilíbrio perverso, explica Alencastro. O Brasil era a única nação onde a economia era altamente dependente do tráfico de africanos. O professor destaca que, entre 1550 e 1850, entraram no país seis vezes mais homens e mulheres negros (sobretudo angolanos) do que portugueses.

Tamanha dependência econômica levou brasileiros e portugueses a não quererem o fim da escravidão, mesmo quando a maior potência militar da época – a Inglaterra -, determinou a proibição o tráfico de negros, em 1826.
 
"Então, a unidade nacional é feita em torno da prolongação do tráfico além do bom senso. Isso já vai botar o país todo na ilegalidade, porque toda essa propriedade escrava era ilegal", pontuou Alencastro.  As bases da ilegalidade são fincadas antes mesmo do Brasil império, porque Portugal e Inglaterra adotaram o primeiro tratado comercial conjunto para abolir o tráfico de escravos africanos em 1810. 
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Sem planejamento SP não conseguirá reverter desequilíbrios históricos

Metrópole mais humanizada depende de participação social com equilíbrio das forças econômica e política
 
Jornal GGN - Segundo avaliação do fundador Instituto de Urbanismo e Estudos para a Metrópole, Philip Yang em artigo (que pode ser lido aqui), a cidade de São Paulo é a metrópole global com o maior estoque de terrenos ociosos ou subutilizados. Em 2007, um levantamento feito pela então Secretaria Municipal de Planejamento, corroborava esse dado, mostrando que a cidade possuía cerca de 93 milhões de metros quadrados de terrenos baldios, espaço equivalente ao tamanho de Vitória, capital do Espírito Santo, ou a 62 parques do tamanho do Ibirapuera.
  
Esse desequilíbrio territorial é resultado da histórica ausência de planos urbanísticos que, juntamente ao estímulo ao automóvel, favoreceu o adensamento imobiliário sem ordenação, em algumas áreas, e a excessiva valorização imobiliária, em outras, gerando exclusão socioterritorial. 
 
A região da Água Branca é um exemplo desse descaso. Mesmo bem servida de infraestrutura com linhas de metrô, ônibus, trem e oferta de empregos, a área tem extensos terrenos subutilizados ou ociosos. Segundo dados da prefeitura, vivem na área de 5,6 quilômetros quadrados cerca de 25 habitantes por hectare, enquanto a média de habitantes na região central da cidade é de 400 habitantes por hectare.
 
Nos últimos anos os gestores da cidade criaram alguns mecanismos, ainda não totalmente postos em prática, como as Operações Urbanas Consorciadas e, o mais importante, Plano Estratégico Diretor. Criado em 2002, pela então prefeita Marta Suplicy, o PDE não chegou a ser totalmente implantado. Em 2014, na gestão Haddad, o plano voltou a ser rediscutido pela sociedade. Foram mais de 150 audiências públicas para as bases serem finalmente desenhadas e, depois, aprovadas na Câmara dos Vereadores. 
 
No âmbito do PDE, a prefeitura criou o decreto Projeto de Intervenção Urbana (PIU), um novo instrumento para reestruturar as áreas grandes subutilizadas com potencial de transformação no município, também aberto para a participação popular.  
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Brasil-Argentina: especialistas discutem integração na gestão Macri

Dificuldades internas podem levar os dois a enfraquecer relações, preferindo União Europeia 
 
 
Jornal GGN - Pela primeira vez, em mais de uma década, o governo argentino não é mais kirchnerista. Para discutir o impacto dessa mudança nas relações comerciais Brasil-Argentina, Luis Nassif recebeu no programa Brasilianas.org o ex-presidente do Conselho de Empresários da América Latina (CEAL) e fundador da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Roberto Teixeira da Costa, a correspondente do jornal Clarin no Brasil, Eleonora Gusmann, e o cientista social e professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP Wagner Iglecias. 
 
Para Eleonora Gusmann não assistiremos nenhuma mudança radical na relação entre Brasil e Argentina neste primeiro semestre, lembrando que a relação comercial entre os dois não está condicionada apenas a alteração de governo do país vizinho. Será preciso esperar o desenrolar da crise política no Brasil.   
 
A correspondente pontuou também que o novo Ministro da Economia portenho, Afonso Prat-Gay, já sinalizou que não irá fazer nenhuma mudança brusca no início do mandato. 
 
O economista Teixeira da Costa também concordou que a mudança da economia argentina não será abrupta, mas está confiante que será melhor do que os últimos anos kirchnerista. 
 
"Eu tenho a impressão que o Macri é mais maleável e vai ser menos protecionista. Agora é ilusório pensar que você pode ter uma relação bilateral, como muitos brasileiros gostariam que existisse, sem que, efetivamente, seu parceiro esteja bem", avaliou. 
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Como o Brasil conseguiu reduzir pela metade a pobreza

“A subnutrição no Nordeste hoje é estatisticamente igual a subnutrição na região Sul. Eu achava que era uma coisa que nos próximos 50 anos a gente não iria resolver”, diz Paes de Barros



Jornal GGN - Em 2014 o Brasil realizou um feito histórico saindo do mapa da fome da Organização das Nações Unidas. O relatório internacional apontou que o país, em dez anos, conseguiu reduzir pela metade o número da população que sofre com a fome. Um dos destaques para alcançar a meta foi a implantação do programa Bolsa Família, mas que, segundo o economista Ricardo Paes de Barros, responde por 20% do sucesso brasileiro de combate à miséria.

O professor titular da Cátedra Instituto Ayrton Senna, do Insper, foi o líder intelectual da equipe de economistas responsável pela concepção técnica do Bolsa Família, sendo considerado hoje um dos principais estudiosos de políticas sociais do país, com experiência no desenvolvimento de programas na América Latina e Caribe.

Em entrevista concedida ao apresentador Luis Nassif, durante o programa Brasilianas.org e que será exibida segunda (04/01), na TV Brasil, o professor destaca que os outros 80% do sucesso brasileiro de redução da miséria se deve a aplicação de políticas que incluíram trabalhadores pobres ao mercado produtivo, como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que concede financiamento para pequenos agricultores, e a determinação do governo de comprar produtos desses grupos através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), para abastecer escolas e hospitais.

Para atacar a pobreza nas áreas urbanas, Paes de Barros destacou a importância da conexão do Bolsa Família com o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), e com outros ministérios, como o do Trabalho, que desenvolveu ações para esse público ingressar no mercado formal de emprego.

Pobreza hereditária

Segundo Paes de Barros,  historicamente, no Brasil, uma quantidade considerável de pessoas que sempre trabalharam, desde a juventude, e que tiveram pais e avôs também trabalhadores, permanecia na pobreza, geração após geração.

Assim, a característica da pobreza enfrentada no Brasil era diferente da pobreza em países de primeiro mundo onde, quem trabalha, dificilmente passa fome ou fica sem teto.

“Quando alguém de um mundo desenvolvido chegava no Brasil [e via essa situação] não entendia nada. Ou seja, como pode alguém trabalhar a vida inteira e ser pobre?”, pontuou, completando:
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A legalidade do rito de impeachment na Câmara

Juristas se dividem durante o debate no Brasilianas sobre processo de impeachment contra Dilma
 
Jornal GGN - As avalições em torno do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff são variadas e juntas formam uma discussão complexa porque envolve desde o conteúdo do processo protocolado pelo advogado Hélio Bicudo até o passo a passo dos trâmites que precisam ser tomados para ordenar o começo, meio e fim da ação na Câmara e no Senado.
 
Para compor a Comissão que irá elaborar o parecer do pedido de impeachment na Câmara, por exemplo, o então presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), aceitou a votação por voto secreto, levando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a paralisar a ação que só será retomada na Câmara após parecer do plenário do STF explicando como deverá ser o rito de impeachment no Congresso. 
 
Para avaliar a legalidade do processo de impeachment dentro da Câmara com base na Constituição Federal e na Lei 1.079, Luis Nassif recebeu no programa Brasilianas.org quatro especialistas da área do direito: o advogado eleitoral Alberto Luis Mendonça Rollo e o advogado criminalista Roberto Delmanto Jr, favoráveis ao pedido; e o professor de direito Constitucional da PUC-SP, Luiz Tarcísio Teixeira Ferreira e o deputado, e também advogado, Wadih Damous (PT-RJ), contrários ao ato admitido por Cunha.
 
Corre o risco do parlamentar renunciar seu mandato nos próximos dias, para não sofrer as consequências de uma ação no Conselho de Ética da Câmara, que analisa um processo de cassação de Cunha por falso depoimento na CPI da Petrobras, quando negou em março a existência de contas no exterior. Mas, independente do que acontecerá com Cunha, a discussão do impeachment voltará para a Câmara após decisão do plenário do STF.   

O Jornal GGN fez uma lista dos argumentos e contra-argumentos debatidos no Brasilianas.org que você poderá acompanhar a seguir. 
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Especial GGN dia da Consciência Negra: Do samba ao rap

A cada nova pesquisa do IBGE população brasileira se reconhece mais negra



Jornal GGN - A cada novo levantamento realizado pela Pnad (Pesquisa Nacional de Amostras de Domicílios), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população brasileira se reconhece cada vez mais como negra. Em 2010, entre os mais de 191 milhões de brasileiros, 91 milhões se autodeclararam brancos (47,7%) contra 97 milhões (50,7%) que se autodeclararam pretos (15 milhões) e pardos (82 milhões). Naquele ano foi a primeira vez na história do IBGE que mais de 50% da população brasileira se declarou não branca. Em 2013, o mesmo censo destacou que, em dez anos a população que se declarou preta no país cresceu 2,1% passando de 5,9% do total de brasileiros em 2004 para 8% em 2013.

Os dados apontam para o empoderamento de um público importante, a partir da valorização da cultura negra e de décadas dos trabalhos de autoafirmação desenvolvidos pelos movimentos sociais negros no país. Para debater mais esse tema, e, em especial a valorização da cultura negra, o Jornal GGN recebeu três importantes ativistas: a coordenadora de Igualdade Racial da Prefeitura de Guarulhos, Edna Roland, a diretora de conteúdo e marketing do site Mundo Negro, Silvia Nascimento, e o rapper Ricon Sapiência.

As formas de organização da população negra no Brasil são profundamente marcadas pela questão da cultura, pontuou Edna Roland. "A cultura é realmente um eixo que estrutura, que nos ajuda a construir a nossa identidade a valorizar nosso povo e nossa autoestima", destacou Edna que, em 2001, foi indicada pelo então Secretário-Geral da ONU, Kofi Annan, para integrar o Grupo de Pessoas Eminentes encarregadas de monitorar a implementação do Programa de Ação de Durban, contra Racismo, Discriminação Racial, Xenofobia e Intolerância Correlata.

A expressão cultural mais forte da cultura negra no Brasil é, sem dúvida, a música. O rapper Rincon Sapiência destacou, durante o debate, pontos comuns entre a criação do samba e do rap. Os dois estilos são ricos em poesia e nasceram nas quebradas das periferias brasileiras.

"Quando o samba começou a se expor, a ganhar mais popularidade, sofreu muito preconceito social, até se tornar o que é hoje, onde temos o Carnaval como uma manifestação do samba, cheio de patrocinadores apoiando".

"Isso foi bom, principalmente [porque] implementou muitos elementos da cultura clássica no samba. A gente pode reparar que o samba mais antigo tem metais, flautas, arranjos de piano. Isso foi dando requinte ao samba musicalmente, e isso foi se fazendo sem quebrar esses preconceitos", pontou Sapiência, destacando que o rap passa hoje por um processo semelhante.

"O rap, naturalmente, por mais que seja do gueto, tenha uma linguagem informal, tem a beleza na poesia e no rítimo", ressaltou o músico. Entretanto, o estilo ainda sofre preconceitos por utilizar gírias e palavrões. Por outro lado, com a melhora da situação econômica no país, que atingiu as periferias, os músicos do rap passaram a ter acesso a tecnologia, informação e conhecimento - em dez anos a população negra nas universidades cresceu 230%.

Ou seja, se por um lado a aceitação do samba pelo mercado fonográfico ocorreu, em parte, pela introdução de conceitos da cultura branca, por outro, hoje o rap, em meio ao embate cultural, está se sofisticando em grande medida graças ao empoderamento da própria população negra, com mais acesso a educação e tecnologia.

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Média de salários nos setores criativos é 6% maior no Brasil

Em 2008 indústria criativa já movimentava no mundo U$ 500 bilhões em produtos e serviços
Indústria criativa paga 6% mais que outros setores no mercado de trabalho brasileiro, segundo dados do IBGE 
 
Os setores da chamada indústria criativa pagam salários médios 6% maiores do que pagam outros setores no mercado de trabalho brasileiro, segundo levantamentos recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Pesquisa (IBGE). 
 
O termo indústria criativa nasceu nos anos 1990, na Austrália, em seguida fortalecido no Reino Unidos no final da mesma década. Diz respeito a empreendimentos que dependem da criatividade e de trabalhos individuais, como design, moda, cinema, softwares, artesanato e entretenimento no geral. Segundo levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), apenas 2,5% do Produto Interno Bruto brasileiro é composto por recursos advindos das áreas criativas. Leia mais »
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Brasil pratica voos de galinha nos setores de tecnologia da informação

Brasil perdeu bonde da história por não incentivar fortemente empresas âncoras no setor de TI, afirma porta-voz da Softex
Pela ordem, Marcos Sakamoto/Assespro e Rubens Delgado/Softex Foto: Nasho Lemos
Especialistas avaliam o fraco desempenho do setor brasileiro de tecnologia da informação e comunicação
 
Os serviços e produtos do setor de tecnologia da informação (TI) respondem apenas por 1% da pauta de exportação brasileira. Leia mais »

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