Conspirações 4: manchas de óleo nas praias do Brasil

    Quase todas as pessoas acreditam que as notícias veiculadas pelos grandes jornais sejam fundamentalmente verdadeiras e que negações dessas notícias correspondam a “conspirações”, invencionices fantasiosas completamente inverossímeis. A palavra “conspiração” passou a significar, assim, “qualquer explicação discrepante das apresentadas pelos meios de comunicação comerciais”, tornando inverossímil e indigna de atenção qualquer narrativa que receba tal rótulo.

    Uma das farsas mais aberrantes já encenadas pelos meios de comunicação comerciais tem sido o episódio das manchas de óleo que vêm transformando as praias brasileiras em lixeiras e poluindo enorme vastidão do Atlântico Sul. Esse caso em andamento, se analisado com atenção, expõe muito claramente a impossibilidade de que as informações oficiais possam ser verdadeiras, explicitando, desse modo, a farsa constituída pela narrativa oficial.

    Histórico do caso

    No final de agosto, manchas de óleo começaram a surgir em praias do nordeste do Brasil. Por mais de um mês, a imensa catástrofe oceânica foi apresentada ao público como um fenômeno de pouca importância, apenas sujeira decorrente da lavagem de um navio. Tivesse finalizado aí e o episódio teria consistido em uma conspiração bem sucedida, ocultando um vazamento de óleo de imensas proporções, assim como danos devastadores ao oceano que nunca viriam a ser descobertos.

    Em finais de setembro, no entanto, certa distorção nas notícias acabou por realçar o fato que vinha sendo abafado, devido à insinuação de que se tratava de petróleo venezuelano. O boato decorreu de interpretação equivocada de comentário de funcionário da Petrobrás sobre um relatório que esclarecia a origem do vazamento, afirmando que não era “nosso”. Embora absolutamente ridícula, a sugestão absurda ganhou força quando repetida frente às câmeras pelo Presidente da República, em 5 de outubro, quando as manchas já se estendiam por mais de 2 mil quilômetros de costa brasileira. Nesse dia, o Presidente da República decretou sigilo sobre o relatório esclarecedor, tendo sido essa a origem de inúmeras confusões.

    Foi provavelmente a insinuação do presidente que despertou o público e lançou holofotes sobre aquilo que já se revelava um desastre sem precedentes na costa brasileira.

    Nos dias seguintes, imagens contundentes de sucessivas levas de óleo chegando às praias do nordeste impediu que o fato pudesse ser abafado.

    .
    O sigilo imposto ao relatório da Petrobrás sobre a análise do petróleo permitiu que a farsa que lhe atribuía origem venezuelana ganhasse força. Um estudo feito em universidade baiana e uma farsa apresentada no Fantástico deram credibilidade ao disparate.

    .
    Em 11 de outubro, a Folha de São Paulo publicou matéria sobre uma mancha de óleo gigantesca detectada por um pesquisador, com base em imagens de satélite europeu, por radar. Tratava-se do procedimento padrão internacionalmente reconhecido para esse tipo de caso. Na manhã seguinte, em um sábado, o IBAMA negou a veracidade do estudo.

    Nos dias seguintes, a costa do Nordeste foi alveja por enorme quantidade de óleo, bem na linha de tiro da mancha cuja existência foi negada pelo IBAMA, conforme trajetória delineada através do estudo de correntes marinhas.

    Outra mancha de óleo acabou sendo avistada e deverá começar a depositar seus ovos essa semana em praias mais ao sul, chegando ao ES e talvez ao RJ. A existência desse óleo também foi negado pelo IBAMA.

    Surpreendentemente, uma terceira mancha foi revelada pelo próprio governo, com base em estudo encomendado pela Polícia Federal.

    https://pt.scribd.com/document/433041600/Relatorio-da-empresa-HEX-entre-a-PF?fbclid=IwAR0Q1lbKW_6UXbo4EsJBa96rhunWRZM6LWrw_TO7vf8vqpgQoVAT4VYm0tY#from_embed

    Trata-se de uma mancha ainda mais monstruosa que as anteriores, com o tamanho aproximado da ilha de Madagascar, na África. Essa macha foi avistada em julho e utilizada para levantar a acusação ridícula de que o petróleo que está emporcalhar as praias do país teria sido originado de vazamento em navio grego. Cálculos banais demonstram, que seriam necessários milhares de navios como o acusado para causar uma mancha com as proporções mostradas pelo estudo.

    .
    Em duas ocasiões distintas, as manchas de óleo chegaram até o Pará, fato que atesta a imensidão do desastre ambiental, elevando para uns 300.000 km a extensão da costa atingida pela catástrofe. A informação é contestada pela marinha, segundo a qual os vazamentos são resultantes de outros barcos. A negação do fato tem como propósito minimizar a extensão dos estragos causados pelo vazamento monstro, mas sugere que as praias brasileiras tenham mesmo sido transformadas em lixeiras, ou postos de lavagem de navios.

    Desmascarando a farsa

    Antes de tudo, é necessário estimar uma espessura média para a mancha que, no centro da ilha de óleo monstruosa que a constitui, seja bem maior que nas bordas – ou quando são avistadas, de modo que uma estimativa de 10 cm, ou 0,1 m parece modesta.

    Estimada a espessura da mancha, o cálculo que desmascara a farsa é muito simples e pode ser efetuado por qualquer aluno de ensino médio; consiste em encontrar multiplicar volume da mancha da mancha (200 km x 25 km x 0,0001 km, ou 200.000 m x 25.000 m x 0,1m) pela densidade do petróleo (1 ton/m3), encontrando o peso total do monstro, que pode assim ser comparado à capacidade de transporte do navio.

    Faça as contas e confira que a mancha avistada comportaria a capacidade de milhares petroleiros iguais ao acusado pela catástrofe – trata-se do maior desastre ambiental causado por petróleo em águas oceânicas em todo o mundo, não de vazamento de navio.

    .
    Outra forma de desmascarar o disparate da farsa consiste em dividir o volume de óleo alegadamente lançado pelo navio – ou mesmo toda a sua capacidade de transporte –, pela área da mancha monstro, encontrando assim a espessura que tal quantidade de óleo adquiriria caso dispersado por área equivalente à da mancha. Antecipo que a espessura resultante seria ridícula, confira.

    .
    Leio, agora, que o IBAMA acaba de negar a credibilidade de todas as análises efetuadas por satélites, embora as notícias continuem a imputar a culpa do óleo ao navio grego sugerido por ter estado nas proximidades da mancha, no dia em que ela foi avistada. Não conheço quem negue as interpretações de exames de ultrassonografia, mas seria o mesmo tipo de coisa, de qualquer modo, há quem esteja negando a esfericidade do planeta. O surpreendente é que pessoas com tal mentalidade ocupem a direção do IBAMA. Apesar das aparências, não creio ser esse o caso, mas algo ainda pior: penso que sejam criminosos tentando ocultar um crime de proporções exorbitantes.

    Esse crime ambiental gigantesco, sem precedentes, provavelmente o maior do gênero, permaneceu oculto por mais de um mês. Por ora, mais de 2 meses após o aparecimento das manchas nas praias, continua sendo ocultado o fato de que o petróleo jorrado no oceano em quantidades inigualáveis – muito superiores à capacidade de transporte de um navio –, é oriundo de uma plataforma de perfuração, provavelmente situada em águas extremamente profundas e distantes da costa.

    As reparações dos danos custarão bilhões de reais e deveriam estar sendo efetuadas e ressarcidas pelos responsáveis pela catástrofe. Estranhamente, o governo brasileiro tornou-se cúmplice do crime ambiental sem precedentes, explicitando o estilo miliciano de governo.

    Os milicianos estão sendo cúmplices de um dos maiores crimes ambientais já ocorridos em todo o planeta.

    Leia também:

    https://jornalggn.com.br/blog/gustavo-gollo/manchas-de-oleo-o-elefante-embaixo-do-tapete/

    https://jornalggn.com.br/meio-ambiente/manchas-de-oleo-a-mancha-bomba/

    https://jornalggn.com.br/artigos/manchas-de-oleo-o-tamanho-do-monstro/

    https://jornalggn.com.br/blog/gustavo-gollo/avacalhando-o-pais-2/

    https://jornalggn.com.br/opiniao/avacalhando-o-pais/

    Manchas de óleo: por que estão ocultando o gigantesco crime ambiental?, por Gustavo Gollo

    https://jornalggn.com.br/blog/gustavo-gollo/manchas-de-oleo-o-que-esta-sendo-ocultado/

    https://jornalggn.com.br/blog/gustavo-gollo/manchas-de-petroleo-mapeando-o-crime/

    https://jornalggn.com.br/blog/gustavo-gollo/mais-sobre-a-farsa-do-petroleo-venezuelano/

    https://jornalggn.com.br/blog/gustavo-gollo/o-elefante-escondido-embaixo-do-tapete/

    https://jornalggn.com.br/artigos/a-catastrofe-oceanica-e-a-farsa-em-andamento/

    https://jornalggn.com.br/blog/gustavo-gollo/desastre-monstro-no-atlantico-sul/

    https://jornalggn.com.br/blog/gustavo-gollo/especulacao-sobre-a-catastrofe-que-assola-o-litoral-brasileiro/

    Crime ambiental em andamento no Atlântico Sul, por Gustavo Gollo

    https://jornalggn.com.br/blog/gustavo-gollo/catastrofe-ambiental-no-atlantico-sul/

    https://jornalggn.com.br/blog/gustavo-gollo/um-elefante-embaixo-do-tapete/

    https://jornalggn.com.br/blog/gustavo-

    https://jornalggn.com.br/noticia/conspiracao-2-a-franquia-do-crime/