21 de maio de 2026

Em uma década, 107 mil crianças foram assassinadas no Brasil

Dado é referente ao período de 2007 a 2017, e está presente em relatório do UNICEF. Segundo publicação, é mais perigoso ser adolescente do que adulto no Brasil
Crédito da imagem: Pxfuel

do Observatório do 3º Setor

Em uma década, 107 mil crianças foram assassinadas no Brasil

por Maria Fernanda Garcia

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O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgou, no final do ano passado, o relatório ’30 anos da Convenção sobre os direitos da criança: avanços e desafios para meninos e meninas no Brasil’.

O documento mostrou avanços do Brasil em alguns pontos, como na redução do trabalho infantil. Entre 1992 e 2015, foram retirados dessa condição 5,7 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos, o que representa uma redução de 68%, segundo dados da PNAD 2015.

Em contrapartida, os homicídios de crianças e adolescentes, que representam a forma mais extrema de violação de direitos, cresceram. E muito.

Os dados mostram que o número de homicídios de crianças e adolescentes entre os anos de 2007 e 2017 passou de 100 mil. Foram 107.279 homicídios.

Gráfico retirado do relatório do UNICEF

Entre 1990 e 2017, o número de homicídios na faixa etária de 10 a 19 anos mais que dobrou, passando de 5 mil para 11,8 mil casos ao ano, segundo dados do DataSUS.

Em 2015, o número de meninos vítimas de homicídio no Brasil já era maior do que o número total de meninos mortos na Síria (7,6 mil), a maioria em decorrência da guerra naquele ano.

Um estudo realizado em 2017 pelo UNICEF e parceiros sobre a trajetória de adolescentes mortos em sete cidades do Ceará mostrou que metade das mortes aconteceu a cerca de 500 metros da casa da vítima. Os homicídios se concentravam em bairros específicos, desprovidos de serviços básicos de saúde, assistência social, educação, cultura e lazer.

O estudo mostra também que mais de 68% das vítimas eram “não brancos”; 70% estavam fora da escola havia pelo menos seis meses; 78% tiveram experiências de trabalho, a maioria no mercado informal, sem garantias trabalhistas, muitos dos quais foram mortos por armas de fogo; e as mortes foram anunciadas: em Fortaleza, mais de 50% foram ameaçados antes de serem mortos.

Em 2017, os adolescentes não brancos representavam 82,9% das vítimas de homicídios entre 10 e 19 anos no Brasil. O fato de ser homem multiplica o risco de ser vítima de homicídio em quase 12 vezes. No Brasil, é mais perigoso ser adolescente do que adulto.

Redação

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  1. Zé Sérgio

    21 de fevereiro de 2020 4:17 pm

    O país dividido entre PSDB e PT. Grandes maioria de Governos Progressistas sob uma tal Redemocracia de Constituição Cidadã. O resultado não poderia ser mais trágico. mas alguns ainda lutam contra a História. Pobre país rico. Será que a culpa também é do Trump? Mas de muito fácil explicação.

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