Morreu a primeira atriz a ganhar duas vezes seguidas o Oscar

Enviado por Mara L. Baraúna

Morreu Luise Rainer, a primeira actriz a ganhar dois Óscares consecutivos

Do Público

Queriam que fosse a “nova Garbo” na era dourada de Hollywood mas, incompatibilizada com Louis B. Mayer, um dos patrões dos grandes estúdios, viu-se fora do sistema pouco tempo depois de ter recebido os dois prémios de Melhor Actriz.

Os Óscares ainda eram crianças – iam nas suas oitava e nona edições e Luise Rainer ganhava pela primeira vez a estatueta de Melhor Actriz por dois anos consecutivos. O Grande Ziegfeld, em 1936, e Terra Bendita , em 1937, foram os filmes que marcaram para sempre a carreira da actriz que poucos anos depois cairia no esquecimento e que morreu esta terça-feira em Londres aos 104 anos.

Apenas outros quatro actores igualaram a marca que garantiu a Rainer um lugar no panteão de Hollywood, e todos depois dela: Spencer Tracy, Katharine Hepburn, Jason Robards e, mais recentemente, Tom Hanks, venceram os óscares de melhores actores consecutivamente.

De acordo com a sua filha Francesca Knittel-Bowyer, Luise Rainer morreu em casa na sequência de uma pneumonia, noticia a agência Associated Press (AP), que recorda que a estrela da era dourada do cinema norte-americano desistiu do estrelato hollywoodesco depois do seu pico de carreira nos anos em que Motim na Bounty, de Frank Capra, e O Grande Ziegfeld, de Robert Z. Leonard, receberam o Óscar de Melhor Filme. Poucos anos depois das subidas ao palco para agradecer os prémios da Academia, Rainer viu-se sem opções de carreira convidativas e acabou por trocar Los Angeles por Nova Iorque.

A AP assinala que o seu caso pode ter sido o primeiro da “maldição dos Óscares” – aquela que dizem afectar os intérpretes premiados com sequelas de maus papéis e escolhas (um exemplo mais recente e frequentemente citado deste epíteto nada científico é Halle Berry). “Quando recebi dois Óscares, eles pensaram ‘Oh, podem atirar-me para tudo’”, disse a própria Luise Rainer à agência em 1999 sobre a má sorte pós-prémios.

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A actriz que começou por actuar nos palcos e filmes alemães (os dados sobre o seu local de nascimento não são exactos, variando entre Viena, na Áustria, ou Dusseldorf, na Alemanha) foi descoberta por um caça-talentos do estúdio MGM, depois de ter trabalhado com Max Reinhardt, na Áustria.Transferida para os EUA, entrou para o studio system e era conhecida como The Viennese Teardrop (A Lágrima de Viena) ou The New Garbo (a Nova Garbo, uma referência aos padrões de beleza que os scouts procuravam nos palcos europeus, equiparáveis a Greta Garbo).

“Fugi, sim, fugi”

O Grande Ziegfeld foi o seu primeiro grande momento de destaque, interpretando Anna Held, uma actriz chorosa casada e depois divorciada do empresário Florenz Ziegfeld. Um ano depois, era novamente premiada pelo papel de camponesa chinesa na adaptação do romance de Pearl S. Buck Terra Bendita. Este último prémio, do qual soube como era então tradição horas antes, originou uma discussão com o seu primeiro marido, o dramaturgo Clifford Odets, o que acrescentou uma camada de más memórias ao prémio que viria a simbolizar o fim do seu curto estrelato como actriz ingénua e emotiva.

Na década de 1940 faria apenas um filme para cinema – o seu último em Hollywood -, seguido de um telefilme e de uma série de TV, e a sua carreira estava oficialmente na curva descendente depois de se ter incompatibilizado com o poderoso patrão da MGM, Louis B. Mayer. “Eu era uma máquina, praticamente, uma ferramenta numa grande, grande fábrica, e não podia fazer nada. Queria filmar Madame Curie, mas Mayer proibiu-me. Queria fazer Por quem os sinos dobram, mas [o produtor David O.] Selznick pegou na Ingrid Bergman levou-a ao [autor Ernest] Hemingway e eu não o conhecia. E por isso fui-me embora. Simplesmente desapareci. Fugi, sim, fugi.”

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Passaria o resto da sua vida em Inglaterra, de onde saía para pequenos projectos como uma participação na série de TV O Barco do Amor ou o seu último filme, The Gambler (1998), com Michael Gambon e Dominic West. Tem uma filha, Francesca, do seu segundo casamento com o editor Robert Knittel, e duas netas.

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