13 de junho de 2026

Arthur Lira, a última das 7 pragas do impeachment, por Luís Nassif

Como ficamos? Como justificar a passada de pano do Supremo nos inquéritos que investigam Lira? Quem será o Davi a enfrentar um Golias?
Lula Marques - Agência Brasil

O Brasil está nas mãos de um chantagista, o presidente da Câmara Federal Arthur Lira. Ontem, ele ameaçou expressamente o governo, caso sejam reduzidos os valores das emendas parlamentares.

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Trata-se de uma distorção fundamental, filha direta da irresponsabilidade institucional brasileira, da mídia, do Supremo, da Procuradoria Geral da República, ao se aliarem para a desmoralização total da política brasileira, para conseguir o impeachment de Dilma Rousseff.

Agora, o país está nas mãos de Arthur Lira, o que de pior a política brasileira produziu da redemocratização para cá. Ninguém ousa enfrentá-lo. Com a Câmara na mão, ele tem o Supremo submisso, o Executivo vacilante e a imprensa mais preocupada em pequenas futricas sobre declarações de Lula.

Em nenhum país civilizado, emendas parlamentares têm dimensão. O orçamento é visto como uma peça única, a serviço de objetivos claramente definidos – inclusive pelo Congresso – visando a otimização dos recursos.

Compare com o montante de emendas de outros países:

Quem é o homem que pegou o bastão de comando de Eduardo Cunha e se transformou no líder máximo do Centrão?

As principais acusações contra Arthur Lira, atual presidente da Câmara dos Deputados, são:

1. Corrupção passiva:

– Em 2017, Lira foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) por supostamente ter recebido propina de R$ 106 mil do então diretor da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), José Francisco de Lima, em troca de apoio político.

– Em 2019, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu a denúncia por corrupção passiva, mas rejeitou a acusação de lavagem de dinheiro.

– Em 2023, a Primeira Turma do STF rejeitou a denúncia por corrupção passiva, por maioria de votos.

– Em 2020, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) absolveu Lira por falta de provas.

2. Sonegação fiscal:

– Em 2017, Lira foi acusado de sonegar R$ 1,5 milhão em impostos.

– Em 2020, a Justiça Federal de Alagoas absolveu Lira por falta de provas.

3. Rachadinha:

– Em 2020, Lira foi acusado de desviar parte dos salários de seus assessores parlamentares quando era deputado estadual em Alagoas.

– Em 2021, o Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) absolveu Lira por falta de provas.

No ano passado, a revista Piauí teve acesso a relatórios da Polícia Federal sobre a busca e apreensão em locais relacionados com Arthur Lira. 

No endereço do motorista Wanderson de Jesus, os agentes apreenderam um caderno-caixa, mostrando saldos, repasses, destinatários e datas. As anotações manuscritas, que estavam dentro de um Corolla, referem-se aos meses de abril e maio deste ano. O nome “Arthur”, que os investigadores suspeitam referir-se ao deputado Arthur Lira, aparece onze vezes e vem acompanhado dos maiores valores, que totalizam pouco mais de 265 mil reais. Somando-se todos os depósitos anotados, o total dos repasses chega a 496 mil reais.

Não apenas isso. O orçamento secreto, administrado por Lira, se tornou uma usina de escândalos.

O Orçamento Secreto, oficialmente chamado de RP-9, é um mecanismo criado em 2020 que permite que o relator-geral do orçamento da União destine verbas públicas sem a necessidade de aprovação do Congresso Nacional. Essa falta de transparência e critérios claros gerou diversas suspeitas de favorecimento político e uso indevido de recursos públicos.

Principais Escândalos:

1. Superfaturamento:

– Em 2021, o TCU (Tribunal de Contas da União) identificou indícios de superfaturamento em obras públicas custeadas pelo Orçamento Secreto. Um dos exemplos foi a construção de uma creche em Roraima com orçamento 30% superior ao valor de mercado.

2. Favorecimento político:

– Reportagens investigativas revelaram que as emendas do Orçamento Secreto foram direcionadas para aliados do governo federal e para bases eleitorais de parlamentares.

3. Desvios de dinheiro:

– A Polícia Federal investiga diversos casos de desvios de dinheiro público envolvendo o Orçamento Secreto. Em um dos casos, um empresário foi preso por desviar R$ 10 milhões em emendas destinadas à saúde no Amazonas.

4. Compra de votos:

– Há suspeitas de que o Orçamento Secreto tenha sido usado para comprar votos de parlamentares em votações importantes no Congresso Nacional.

5. Falta de transparência:

– O governo federal se recusa a fornecer informações detalhadas sobre as emendas do Orçamento Secreto, dificultando o controle social e a investigação de possíveis irregularidades.

Como ficamos? Como justificar a passada de pano do Supremo nos inquéritos que investigam Lira? Quem será o Davi a enfrentar um Golias que tem, em suas mãos, o poder de impichar desde Ministros do Supremo até presidente da República?

Arthur Lira é a última das 7 pragas do impeachment lançadas sobre o Brasil, a partir do momento que as instituições atropelaram a Constituição e perpetraram Golpe de Estado.

Leia também:

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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9 Comentários
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  1. emerson57

    6 de fevereiro de 2024 7:46 am

    ex esposa:
    “O dinheiro chegava lá em casa em malotes!

  2. +almeida

    6 de fevereiro de 2024 8:12 am

    Pela lista das absolvições e arquivamentos por falta de provas (kkkkk…), fica a dúvida: será que com tantos envolvimentos em escândalos de desvios, corrupção e machadinha e tantos materiais com índice probatórios, eu imagino que se eles fossem utilizado contra Lula, Dilma e qualquer político do PT (que avalio ser o único partido que quebra qualquer esquema criminoso, seja do centro, direita ou militar)imagino que se houvesse prisão perpétua ou condenação de morte, esses imaginários políticos do PT receberiam a condenação em tempo recorde. Vinda, a condenação, por parte de uma omissa, seletiva, inconfiável e decepcionante imprensa golpista, vassala e anti patriota, certamente a condenação já estaria pronta antes das edições fabricadas serem publicadas.
    Porém, também imagino que por onde passaram os processos e foram arquivados ou absolvidos as decisões criaram sim, muitas suspeitas. Goste o judiciário ou não, ele está em uma vitrine nacional e tudo que fizer será, cedo ou tarde, do conhecimento público que tem liberdade para expressar suas opiniões, suas críticas, elogios e suspeições.
    Assim funciona a democracia, livre e garantidora da total liberdade de expressão, dentro dos limites estabelecidos.
    Pode até parecer que não, mas nós estamos de olhos atentos.

  3. Rvolmerf

    6 de fevereiro de 2024 8:32 am

    O Nassif, este não é o semipresidencialismo do gilmar mendes, barroso e outros que tais.

  4. evandro condé

    6 de fevereiro de 2024 8:43 am

    Nassif, uma leitura mínima, mas não atravessada, vemos que o judiciário ou apenas assiste ou finge que não vê. Dê numa lida no que escreveu sobre juízes em posto sobre o Celso de Melo.
    Reafirmo, estás esperando o que para mostrar como se aproveitam do Estado? Será que apenas na mídia tradicional?

  5. Paulo Motta

    6 de fevereiro de 2024 10:40 am

    Seria um “Lira” mesmo sem o impeachment, o problema não é este.

  6. Jair Costa

    6 de fevereiro de 2024 4:17 pm

    Ainda temos a primeira das 7 pragas do impeachment, indo de vento em polpa: A Rede Globo.

  7. Monica Da Cruz Lapa Moreira

    6 de fevereiro de 2024 10:30 pm

    É o abismo que alguns tentaram alertar para quem dava apoio ao golpe contra Dilma inflamados pela mídia com benevolência do supremo e absurdo jurídico que foi a lava jato. Um país tomado por tudo que há de pior, e vai demorar para essas pragas desaparecerem e voltar a normalidade institucional. Isso é um pesadelo que vai durar muito tempo.

  8. Fernando Aquino Freire

    7 de fevereiro de 2024 5:25 am

    O discurso de Arthur Lira, na retomada de atividades do Congresso, deixa claro quem provoca e a quem interessa a polarização política no Brasil.

  9. emerson57

    17 de fevereiro de 2024 10:47 pm

    falam que o cabra tem 115 fazendas.
    será que são para fazer a reforma agrária e resolver o problema dos sem terra?

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