Coluna Econômica: o cenário da recuperação dependerá de como se comportará a flexibilização paulista

Alguns estados, como São Paulo, tentam equilibrar o combate à pandemia com as questões econômicas, conduzindo uma flexibilização meio canhestra.

Qualquer cenário econômico tem que partir das perspectivas de controle do Covid-19. E o cenário é nublado por um conjunto de variáveis de difícil aferição:

Há um círculo vicioso difícil de romper.

  1. Políticas erráticas de combate ao Covid-19 prolongam o isolamento social.
  2. O aumento do isolamento gera pressões de ordem econômica sobre os governantes.
  3. Ocorre uma flexibilização antecipada do isolamento, provocando novas ondas de contaminação.
  4. Dependendo do tamanho da tragédia, há uma mudança na posição da opinião pública, que passa a exigir novas rodadas de isolamento mais severas que na primeira rodada.

Alguns estados, como São Paulo, tentam equilibrar o combate à pandemia com as questões econômicas, conduzindo uma flexibilização meio canhestra. Confere notas às regiões, de acordo com o ritmo da contaminação e de disponibilidade de UTIs e leitos hospitalares. Quem atende os requisitos recebe autorização para flexibilizações parciais das atividades. Como o estado é dividido em regiões, sem controle de divisas, os isolamentos municipais podem se revelar insuficientes, especialmente na Grande São Paulo, onde é intensa a movimentação de trabalho das pessoas.

Mesmo assim, o teste paulistas servirá de termômetro para o restante do país. Por isso mesmo, é relevante conhecer um pouco das condições do estado neste momento.

Aqui vai um painel montado pelo GGN com exclusividade.

Quadro geral

Observa-se uma pequena redução no ritmo médio diário de novos casos e um aumento sistemático no ritmo de novos óbitos. Em relação à média do dia anterior, a redução dos casos corresponde a uma taxa de -14,9% no mês; em relação aos óbitos, um aumento expressivo de 25,4%.

Em relação às regiões de saúde, houve aumento de casos em 19 regiões e queda em 38. e aumento de óbitos de 15 regiões e queda em 4.Regiões Metropolitanas e Interior

O estado é dividido em 8 regiões metropolitanas e 56 regiões do interior. A cada dia que passa observa-se uma aceleração no crescimento de casos no interior. No início de maio correspondiam por 30% dos casos das regiões metropolitanas e hoje em dia batem nos 50%.

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Nas Regiões Metropolitanas preocupa a situação de Campinas, com crescimento expressivo no número de casos.

Ocupação de UTIs

Dado relevante é o índice de ocupação de UTIs. No momento, tem-se uma situação relativamente tranquila – mas qualquer repique na curva de novos casos poderá ocupar rapidamente os leitos disponíveis. A média de tempo de cada internado é de 7 dias.

Pela tabela, perecebe=se que desde o dia 16 de julho há apenas uma região com mais de 100% de ocupação de leitos; 3 regiões com nível de ocupação superior a 75%; 8 regiões com ocupação entre 50% e 75% e 11 com ocupação abaixo de 50%.

O gráfico de baixo mostra a situação das regiões com maior nível de ocupação. O ponto crítico é a Baixada Santista, a Região Norte da Grande São Paulo. o município de São Paulo, a Região Oeste e Campinas.

De qualquer modo, o ponto fundamental é a análise dinâmica do quadro, para avaliar os efeitos da flexibilização sobre o nível das notificações e dos óbitos.

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1 comentário

  1. Numa analise sem torcida muitos municípios entraram em isolamento muito antes, alguns sem nenhum contaminado.
    Isso exauriu a capacidade dos agentes economicos em segurar o isolamento e hoje chegamos no limiar do ou abre ou quebra.
    Estamos claramente numa curva descendente. O numero de óbitos tem um atraso em relação ao numero de casos de 14 a 21 dias.

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