As ligações de Luiz Fux com a família Marinho, das Organizações Globo, vêm da adolescência. Foi colega de escola de um dos filhos de Roberto Marinho. E mantiveram amizade pelo resto da vida.
A estratégia dos Marinhos para lançar Fux começou em 2010, quando José Sarney, presidente do Senado, resolveu modernizar os grandes códigos jurídicos nacionais.
Montou vários grupos para discutir o Código de Processo Civil, o Código de Processo Penal, o Código de Defesa do Consumidor, o Código Penal, o Código Eleitoral e os Códigos do Direito Militar. Por sugestão dos Marinho, o CPC foi entregue a Luiz Fux, até então Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
No decorrer dos trabalhos, o CPC mereceu cobertura maciça do Jornal Nacional, até em detrimento dos demais. Quando Eros Grau se aposentou, houve intensa campanha em favor de Fux, apresentado como bem visto pela Globo, mas com apoio de Gilmar Mendes, José Sarney, Nelson Jobim e Sérgio Cabral.

Na época, o STF tinha sido arrastado pela sanha condenatória de Joaquim Barbosa, na mãe de todos os abusos, o Mensalão. E Fux se apresentou, tanto para Dilma como para líderes do PT, como José Dirceu, como capaz de “matar no peito” os processos.
Desmoralizou-se na festa de posse, na qual se esbaldou, inclusive tocando guitarra. Na ocasião, foi abordado pela jornalista Mônica Bérgamo, que lhe perguntou sobre o “matar no peito” e Fux acabou se entregando. Admitiu ter usado a expressão, “mas em outro contexto”.
Assumindo, tornou-se um seguidor do punitivismo de Joaquim Barbosa. Seus votos eram risíveis. Endossava tudo o que Barbosa indicava, passando a forte convicção de que sequer lia os votos do relator.
Uma vez chegou a generalizar tanto as condenações, que deu um voto condenando um réu que havia sido absolvido por Barbosa. Precisou, depois, corrigir o voto.

No seu mandato, cometeu impropriedades flagrantes. Quando corregedor do Conselho Nacional de Justiça, por exemplo, afastou uma juíza do Tribunal de Justiça do Pará, que havia bloqueado R$2,09 bilhões em contas do Banco Itaú, em setembro de 2020, com base em uma ação transitada em julgado em 2002.
O Itaú ingressou, então, com reclamação disciplinar no CNJ, alegando ausência de comunicação prévia sobre o bloqueio. Em 24 de setembro de 2020, Fux determinou, por liminar, a suspensão da juíza e o desbloqueio das contas, alegando que a ordem teria sido “extremamente exagerada”.
Foram numerosas as acusações de que Fux ultrapassou os limites da competência do CNJ, pois esse órgão não poderia cassar decisões jurisdicionais, apenas aplicar sanções administrativas
Os advogados do Itaú eram do escritório de Luiz Roberto Barroso, que deixou a titularidade para um sobrinho.
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Fábio de Oliveira Ribeiro
22 de julho de 2025 8:45 amFux votou contra a obrigação de Jair Bolsonaro usar tornezeleira eletrônica. Essa decisão conflita com a jurisprudência que o próprio Fux criou quando julgou José Dirceu culpado porque ele não provou sua inocência.
Mas existe um denominador comum evidente entre as duas decisões: o desprezo completo pela legislação ou sua aplicação de acordo com as preferências políticas do juiz.
No caso de José Dirceu, Fux inverteu o princípio constitucional que obriga o órgão de acusação fazer a prova da materialidade do crime, da autoria e da culpabilidade do réu. No caso de Jair Bolsonaro, esse Ministro do STF presume que o réu pode ameaçar juízes e hostilizar a Corte encarregada de julgá-lo como se isso não fosse crime (crime grave, aliás).
O problema: não é possível responsabilizar um juiz que comete atrocidades evidentes como Fux; a aplicação seletiva da Lei Penal deveria ser ela mesmo criminalizada, mas não é; o exemplo que Fux dá aos juízes de primeira instância é péssimo.
Rui Ribeiro
22 de julho de 2025 9:28 amO Fux não quer frustrar os Trogloditas do Norte, por isso votou contra a democracia e em benefício de seus estupradores.
Fuix é um 🐀
Elton Dietrich
22 de julho de 2025 9:57 amPoisé, este idiota não está vendo que o ataque do homem laranja não é só contra o Alexandre Moraes e sim contra todo o sistema de justiça brasileiro. O nosso judiciário, apesar de todos os defeitos e problemas, é a instituição que está segurando a democracia em pé. Apoiar um marginal como o bozo, neste momento, é colocar lenha na fornalha fascista que quer cremar a democracia e deixar o Brasil de joelhos para os americanos. Brincadeira isso.
Anônimo
22 de julho de 2025 10:50 amCreio que o PT paga hoje a inexperiência na questão de não levar com seriedade os cargos burocráticos do Estado! Luis fux é a desmoralização do STF e se assim como.o Cássio com K e o Mendonça
Naldo
22 de julho de 2025 2:36 pmAté hoje não leva, basta ver todas as escolhas dos cargos chaves, é um pior que o outro, com exceção do Flávio Dino, que era pule de dez, pois já era juiz concursado, os outros são uma tragédia, tantos juristas experientes e progressistas e a escolha recai sobre o preferido desse ou daquele ou de quem tem “trâmite político”…. é a fórmula pra tudo dar errado.
Fauzi Achoa
22 de julho de 2025 10:55 amFalta fazer uma grafia do que essa dupla Lula e Dilma fizeram com o Poder Judiciário.
Começou com o Lula nomeando ministro da Justiça o O Bastos, político da Arena e PFL, advogado criminal, sem bom nome mas com trânsito para alça-lo na OAB. Depois veio o da Dilma que muito auxiliou na sua deposição.
Essas pessoas foram influentes na nomeação de milhares de juízes, que vieram pelo ‘mérito’ ou da OAB e MP.
O Fux está no padrão do Judiciário de hoje. E não é nem dos piores. Faz parte da regra.
Analista crítico
22 de julho de 2025 3:03 pmEsse da Dilma (Cardozo) foi o pior dos casos. Não tenho nem adjetivos para qualificar esse período da nossa história.
evandro
22 de julho de 2025 6:40 pmFavor não esquecer o Tófoli.
Marcus
22 de julho de 2025 11:35 amO cabeludo Fux, é produto da política. Como entrou no STJ? E no STF? Depois de indicado por políticos e aprovado pelos mesmos políticos, a quem ele serve? Ao Brasil, sua nação e seu povo, definitivamente ele não serve.
Luiz Fernando Juncal Gomes
22 de julho de 2025 12:07 pmNo dia seguinte à indicação pela Dilma do Perucão para o STF (tudo pelo republicanismo suicida da lista tríplice!!!!!!!!!), o Alexandre Garcia no Bom dia Brasil derramou-se em mais de 1 minuto (!!) entre elogios rasgados e cumprimentos à presidente pela “feliz escolha”. Faltou rolar no chão de felicidade. Na mesma hora pensei: ferrou. O verbo não foi bem esse.
fabricio coyote
22 de julho de 2025 12:35 pmin fux we trust. o cerne do problema foi q a ação de trump face ao judiciário à brasileira acaba por revelar, via ataque à soberania, a desgraça de nosso sistema de justuça. racista e segregador e vitalício.
Dan
23 de julho de 2025 3:45 amin fux we fart.
Marco Paulo Valeriano de Brito
22 de julho de 2025 1:37 pmA MÁXIMA DA ‘UNANIMIDADE É SER BURRA’
Para o Poder Judiciário a máxima é, deve ser e/ou tem que ser o ‘Concurso Público’?
Pois é, nas instâncias iniciais o concurso público é a porta de entrada, contudo, entram por ela aprovados do tipo Sérgio Moro, Gabriela Hart e muitos e muitas concurseiros similares.
Nas instâncias superiores, como o STJ e o STF, a entrada é por indicação política, lista de postulantes, escolha presidencial, sabatina combinada e aprovação do Senado Federal, aí entram Gilmar Mendes, Fux, Barroso, os dois inomináveis indicados pelo bolsonarismo, etc…
Seria melhor, data vênia, que fosse o povo brasileiro que escolhesse os candidatos e elegesse os juízes das cortes superiores do Poder Judiciário do Brasil, seja o STJ, e o STF, a nossa Corte Suprema, como acaba de decidir o México?
A resposta pode ser o Congresso Nacional que temos, eleito pelos brasileiros e pelas brasileiras, cujas legislaturas, sobretudo, a atual (2023-2026), são majoritariamente anti-povo, que os elegem e deveriam representar, e anti-Brasil, país e nação que deveriam defender e representar a democracia, independência e soberania republicana.
Portanto, volto a máxima da ‘unanimidade ser burra’, não haver perfeição nas ações e atitudes humanas, sendo o Poder Judiciário aquele cujo o império da Constituição, da Lei e da Ordem deveria se perfilar, no cumprimento ao legalismo constitucional que deve configurar a égide de um país e conciliar os interesses nacionais e internacionais de uma Nação, pactuado na sociedade civil, entre seus cidadãos.
Concluo, com a minha opinião, que o modelo brasileiro misto, parte do judiciário concursado e parte por indicação política indireta, tem sido o que se vê de mais efetivo nos Poderes Judiciários globais, onde há países que sequer tem esse poder constituído e aqueles, como estamos vendo nos EUA, onde a tradição consuetudinária impera na justiça e o “Poder Judiciário” é subalterno aos demais poderes, seja o Legislativo ou o Executivo, sem autonomia, equilíbrio e/ou independência federativa, onde juízes de todas as instâncias podem ser demitidos, o que os levam a ter que se submeter a interesses diversos, alguns obtusos, de oligarquias políticas e/ou ao mercado de capitais, empresariais, especulativos e rentistas.
Portanto, com todas as imperfeições, prefiro o modelo de Poder Judiciário do Brasil, se tratando de Sistema Capitalista, aos que vigoram em países capitalistas imperialistas, como os Estados Unidos da América, e noutros similares e/ou que sequer tem um judiciário constitucional.
Marco Paulo Valeriano de Brito
Enfermeiro-Sanitarista, Professor e Gestor Público
Paulo Dantas
22 de julho de 2025 2:17 pmO PT não pode reclamar.
Escolha dele.
Analista crítico
22 de julho de 2025 2:55 pmErros crassos na indicação de membros do STF. Quando pensamos que chegamos ao absurdo de ter um Barbosa no STF (esse pelo menos tomou vergonha e logo se aposentou pra curtir seus dólares lá fora), conseguimos um pior. Aprendemos com os erros muito tardiamente. Ah, Dirceu e Dona Dilma…
Luiz Fernando Juncal Gomes
22 de julho de 2025 5:05 pmPrezado Analista, permita-me um adendo. Sim, foi o Dirceu quem indicou o Barbosa. Como ele chegou nesse nome? O maldito identitarismo.
Aberta a vaga no STF, Lula dispara ao Zé Dirceu: Quero um negro!
Chegou aos ouvidos do J. Barbosa a demanda entregue ao Dirceu.
Joaquim Barbosa cruza com o Dirceu no aeroporto de Brasília e atropelou-o e se apresentou. Afinal, ele tinha o maior requisito possível para ocupar uma cadeira no STF. O saber jurídico, e principalmente o EQUILÍBRIO EMOCIONAL? Dane-se
Dirceu pediu que ele fosse ao eu gabinete. Barbosa levou um chá de cadeira por horas, do qual iria se vingar de forma cruel e avassaladora. Foi selecionado pelo único critério do identitarismo, ninguém sabia NADA do seu passado e de seu precário saber jurídico, era negro e ponto.
No livro Os Onze, Felipe Recondo e Luiz Weber, Cia. das Letras (2019) há um relato pungente sobre como a Carminha foi “selecionada” para o STF, pág. 146/147:
“Informado, Lula chamou Carmen Lúcia ao Planalto. Ela chegou cedo, antes de Thomaz Bastos.”Foi a única [entre os aspirantes ao STF] a ser recebida sozinha pelo presidente no gabinete”, disse Gilberto Carvalho, então chefe de gabinete de Lula. Hábil, capaz de quando quer, envolver o interlocutor com boas histórias e simpatia, Carmen Lúcia contou ao presidente que fora uma criança pobre, que fazia bonecas com espigas de milho. Sentimental, sem formação jurídica, Lula estabeleceu uma imediata conexão com a postulante, que deixou o Planalto já indicada. ”
E assim vai. Recomendo o livro.
Aurélio Medina Dubois
22 de julho de 2025 4:27 pmFoi o “republicanismo ingênuo” do PT que levou ao desastre da unção de Fux ao STF.
Resultou também na eleição de diversos ministros descompromissados com os valores da agremiação e de seu líder, além de tibieza de caráter.
Elegeu um “príncipe dos constitucionalistas”, que logo após tomar posse, mostrou sua verdadeira vocação de advogado de grandes empresas do “mercado”, entre elas as Organizações Globo.
Outro, era advogado dos movimentos sociais, e foi apoiado por eles, até ser ungido, e ser a demonstração cabal da força do “mercado” em moldar comportamentos de jurídicos.
As consequências estão a vista de todos, há muito tempo.
Ao menos Lula 3.0 aprendeu com os erros do passado e colocou dois membros afinados com seus valores, um deles o extraordinário Flávio Dino.
Oxalá, Lula 4.0 continue na mesma toada.
ERNESTO
22 de julho de 2025 4:40 pmIn Fux THEY trust.
Luiz Fernando de Melo
22 de julho de 2025 4:56 pmPrecisamos verificar que esse processo de indicação ao STF precisa realmente de uma efetiva mudança, mas não pode ser de forma cauistica. Seria necessário haver uma consulta mais aprofundada, um processo talvez mais elaborado. Para isso instituições de direito, de organizações sociais deveriam ser consultadas de forma prévia. Todo esse processo percebe-se que ele não se constitui a partir de uma elboração vinda da cultura da sociedade, mas somente uma cópia de um modelo colonial. Para melhor demonstrar essa situação, deveremos fazer uma reflexão sobe a existência da figura cartorial e registral, que existem em total dissonância com a atual realidade do país e da sociedade.
Anônimo
22 de julho de 2025 6:53 pmAs pessoas esquecem que as escolhas são frutos de imposições de quem tem cacife para tal.
Todos sem exceção foram escolhidos por razões nem sempre descritas, porém sua atuação é que tem que ser criticada.
Fux expulsou o italiano Cessare Batist depois de onze votos do Supremo dizendo que a última palavra era do Presidente da República e na primeira oportunidade rasgou os votos dos parceiros e o do Presidente. Faz parte da matilha de Niterói com outors judeus do judiciário.
Danilo Prociuk
22 de julho de 2025 7:11 pmDilma, Dirceu e Lula. Que desgraça. Vai ser burros lá na casa do carvalho.
Alexis
22 de julho de 2025 10:51 pm“Seus votos eram risíveis. Endossava tudo o que Barbosa indicava, passando a forte convicção de que sequer lia os votos do relator.“
Tal Luiz Fux é escancaradamente oportunista invertebrado.
MARIA CHRISTINA SEABRA DUTRA
7 de agosto de 2025 10:52 pmIn Fux we trust! Lamentável!