16 de julho de 2026

Como um erro de conta de Guedes encheu São Paulo de dinheiro, por Luís Nassif

A sorte de Guedes e Dória é que Bolsonaro, por ser um imbecil, não se deu conta do que ocorrera. Qualquer ser racional teria demitido Guedes

Há um lugar no Brasil que exalta Paulo Guedes. Trata-se da Secretaria da Fazenda de São Paulo, onde ele é idolatrado. Não por eventuais méritos, mas por um erro de conta banal, que abarrotou os cofres do Estado. Ou seja, não foram erros conceituais, teóricos, nada ligado à alta economia. Foi um erro de conta banal.

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

Quando veio a pandemia da Covid, o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, apresentou um projeto para compensar as perdas que os Estados e municípios teriam com a queda de receita. do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e do Imposto Sobre Serviços (ISS) pela União. 

Guedes reagiu. Como São Paulo é o estado com maior nível de ICMS, julgava ele que  o projeto beneficiaria a gestão João Dória Júnior.

Para torpedear o projeto de Maia, a equipe de Guedes estimou que seu custo chegaria a R$ 285 bilhões, enquanto a Câmara estimava em R$ 89,6 bilhões. Para chegar aos 285 bilhões, a equipe de Guedes trabalhou com a hipótese de arrecadação zero – um fake news para torpedear a proposta de Maia.

Guedes rejeitou o projeto, já aprovado pelo Congresso, e propôs outro, calculando genericamente a redução do ICMS, do Fundo de Participação, as dívidas com a União com quatro liberações de recursos a estados e capitais.

Ocorre que a queda do ICMS de São Paulo foi ínfima devido às vendas pela Internet. Estudo publicado pelo Jornal da USP em agosto de 2020 mostrou que a arrecadação dos impostos nos Estados se manteve estável na pandemia.

Por exemplo, as capitais tiveram perda de 1% na Receita Corrente Líquida, mas registraram 4% de aumento real na arrecadação no semestre.

Em relação aos Estados, a queda na arrecadação foi de menos de 1%.

Como São Paulo tem boa estrutura digital e empresas operando no sistema de entregas, as vendas pela Internet compensaram a queda nas vendas presenciais. E a decisão de Guedes encheu as burras da Secretaria da Fazenda de São Paulo.

Segundo o trabalho,

“Houve também desigualdades verticais na distribuição do socorro fiscal da União (amplificadas pela suspensão do pagamento do serviço da dívida dos Estados e capitais), o que gerou benefícios especiais para os estados de São Paulo e Goiás, assim como para as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro”.

Além disso, houve uma redução das despesas com merenda escolar e outras despesas correntes. Graças a Guedes, então, Dória recebeu uma dinheirama com a qual jamais sonhou antes.

Foi o que lhe permitiu acelerar as obras no rio Pinheiro e programar 40 km de Metrô. A sorte de Guedes e Dória é que o presidente Jair Bolsonaro, por ser um completo imbecil, não ter se dado conta do que ocorrera. Qualquer presidente minimamente racional teria demitido Guedes pelo erro de conta.

Com a dinheirama que recebeu, Dória investiu pesadamente no Instituto Butantã, que se prepara para ser o maior produtor de vacinas do continente; na despoluição do rio Pinheiros, e em 40 quilômetros de Metrô.

Quem irá se beneficiar dos investimentos será o atual governador Tarcísio de Freitas. No seu período de Ministro dos Transportes asfaltou apenas 10 km de estradas e não construiu um km sequer de linhas ferroviárias.

Agora, poderá anunciar os 40 km de ferrovia, ocultando o desastre que tem sido sua administração em São Paulo.

Já Dória, devido à maneira antipática e formal com que aparecia diariamente para falar do Covid, jogou fora seu grande feito político, as vacinas da Butantã na pandemia.

Receba os artigos de Luís Nassif pelo WhatsApp

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

2 Comentários
...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

  1. Mário Mendonça

    9 de junho de 2023 1:32 pm

    Discordo, PG queria ser Secretário em SP, logo, foi jogo combinado!

  2. José de Almeida Bispo

    9 de junho de 2023 9:03 pm

    Erro? Ou ato premeditado?

Recomendados para você

Recomendados