Wajngarten entrega à CPI prova de que Bolsonaro teria ignorado oferta da Pfizer

A carta foi entregue a Wajngarten em 9 de novembro de 2020 por Marcelo de Carvalho, dono da RedeTV!, "que naquela ocasião tinha uma apresentadora casada com o general manager [diretor-geral] da Pfizer"

Jornal GGN – O ex-chefe da SECOM, Fabio Wajngarten, entregou à CPI da Pandemia, nesta quarta (12), uma cópia da carta que a representação da Pfizer no Brasil endereçou ao governo Bolsonaro oferecendo vacinas contra o novo coronavírus ainda em setembro de 2020. A carta, que pedia “celeridade” na resposta brasileira, ficou ao menos dois meses sem nenhuma resposta. Para a CPI, é uma prova de que Jair Bolsonaro esnobou a possibilidade de ter garantido doses do imunizante e acelerado o Plano Nacional de Imunização.

A carta foi entregue a Wajngarten em 9 de novembro de 2020 por Marcelo de Carvalho, dono da RedeTV!, “que naquela ocasião tinha uma apresentadora casada com o general manager [diretor-geral] da Pfizer.”

Além de Bolsonaro, receberam a carta o vice-presidente Hamilton Mourão, o ministro da Economia Paulo Guedes, o embaixador dos EUA no Brasil, Nestor Foster, e o então chefe da Casa Civil, general Braga Netto.

A carta da Pfizer dizia à cúpula do governo Bolsonaro que “a potencial vacina da Pfizer é opção promissora para ajudar seu governo a mitigar essa pandemia. Quero fazer todos os esforços possíveis para garantir que doses da nossa vacina sejam reservada à população brasileira. Porém, celeridade é crucial devido à alta demanda de outros países e ao número limitado de doses. Fechamos acordo com o governo dos EUA para oferecer 100 milhões de doses da nossa vacina, com opção de oferecer 500 milhões de doses adicionais“, leu Randolfe Rodrigues (Rede), o vice-presidente da CPI.

Segundo Wajngarten, o CEO da Pfizer conversou com ele ainda em 9 de novembro por telefone. Bolsonaro foi informado da ligação. O governo só veio a editar uma Medida Provisória que facilitaria a compra de imunizantes da Pfizer seis meses depois daquele encontro. Wajngarten não soube dizer se Bolsonaro procurou pessoalmente a Pfizer neste interím.

Publicamente, Bolsonaro vem alegando que rejeitou a Pfizer porque as cláusulas contratuais eram “leoninas” – havia exigência de que o resolução de conflito fosse em Nova York, isenção de responsabilização por qualquer efeito colateral e a necessidade de criação de uma Medida Provisória onde governo indicaria ativos e bens para resolução de conflitos internacionais.

Julgando-se capaz de ajudar a encurtar os caminhos para fechar o contrato com a Pfizer, Wajngarten conversou com a empresa por iniciativa própria, no “ímpeto de ajudar a população brasileira”. Em 17 de novembro de 2020, o CEO da Pfizer agradeceu pessoalmente a disposição de Wajngarten em um segundo contato. Em 7 de dezembro, a diretora jurídica da Pfizer apresentou a caixa de armazenamento da vacina ao chefe da SECOM e, no dia 12 de dezembro de 2020, no quarto contato, a mesma diretora prestou conta do status da discussão em torno dos impeditivos vislumbrados no contrato de adesão à compra de vacinas.

À CPI, Wajngarten disse que a reportagem da revista Veja que afirma que a oferta inicial era de 70 milhões de doses está equivocada. Segundo ele, a primeira oferta foi de “irrisórias” 500 mil doses de vacinas da Pfizer. O volume e o cronograma seriam uma preocupação do ex-SECOM, mas ele admite não ter avançado nas negociações.

Wajngarten ainda defendeu Bolsonaro na CPI, afirmando que recebeu uma assessoria do jurista Ives Gandra Martins sobre o tema, que informou que contratos de adesão da Pfizer não aceitam alterações.

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