Benesses aos ruralistas: quem paga essa conta?, por Nilto Tatto

Benesses aos ruralistas: quem paga essa conta?

por Nilto Tatto

Cerca de 200 deputados compõem a bancada ruralista que atua em bloco na Câmara, independente do partido a que pertencem. “Menina dos olhos” do Palácio do Planalto, esses parlamentares, na prática, têm este governo como refém, seja mediante exigências para aprovação de absurdas propostas reformistas e/ou de entrega do patrimônio nacional para controle de empresas estrangeiras, seja para garantir votos que impeçam o andamento de investigações de denúncias que pesam contra Temer.

Neste “balcão de negócios”, o vale tudo tomou conta de vez. RENCA, Jamanxi, crescentes conflitos de terras no campo com a conivência do governo, paralisação das ações pela reforma agrária, retirada de direitos de comunidades indígenas e quilombolas…. Agora, o relaxamento na fiscalização e penalização do trabalho escravo, que gerou protestos aos níveis nacional e internacional, bem como o decreto que transforma multas impostas a infratores ambientais em simples conversão, com desconto, para serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente.

São quase cinco bilhões de reais, segundo o IBAMA, em multas que, em troca da garantia dos votos da bancada ruralista na Câmara, o governo abre mão com generosos descontos do valor, sem definir critérios técnicos precisos e prazos para que as tais conversões em serviços de conservação ambiental sejam implementadas. E, de novo, a sociedade se escandaliza com mais essa benesse de Temer à bancada ruralista em razão dos seus 200 votos cujos custos político, social, econômico e ambiental recaem sobre a maioria do povo brasileiro.

Como presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável e militante do movimento ambientalista, entrei com Projeto de Decreto Legislativo, na Câmara, para sustar essa medida absurda do governo Temer, em especial os efeitos do § 2º do artigo 143 do Decreto 9.179, de 23 de outubro de 2017, que trata do desconto a ser aplicado nos casos das conversões de multas ambientais simples em serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente.

É sabido por todos da enorme crise de arrecadação por que passa o país, que causa sérios prejuízos aos serviços públicos. Mas, em troca dos votos que lhe são convenientes na Câmara, Temer resolve, na prática, perdoar 60% das dívidas ambientais ainda não pagas por grandes infratores. Mais uma clara evidência de que cede a todo tipo de chantagem e interesse desses deputados que compõem esta bancada ruralista sem levar em conta que com esse tipo de medida coloca em risco, de maneira irreversível, o futuro do Brasil.  

Basta ver que, ao mesmo tempo em que faz suas benesses à custas dos cofres públicos, este governo corta em quase 50% o Orçamento da União para as áreas ambiental, agrícola e agrário. A desculpa desse governo ilegítimo é que não há verba, mas ao abrir os cofres para emendas de aliados, perdoar dívidas bilionárias de infratores ambientais, emitir um decreto criminoso contra os trabalhadores para satisfazer a bancada ruralista, Temer mostra que na verdade não é verba que falta ao Governo, mas sim caráter e decência para governar com seriedade e compromisso com os brasileiros, e não para salvar sua própria pele.

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Nilto Tatto é deputado federal PT-SP

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7 comentários

  1. Pô!

    se sua excelência se elegeu deputado federal não sabe a quem paga a conta imagina eu um simples mortal aposentado saberia ?

    Bom, fica a sugestão de uma renúnicia coletiva aos mandatos daqueles que não sabem como mudar e nem sabem como propor algo para acabar com as benesses apontadas pelo digníssimo senhor.

    No mais, deve chover sexta-feira …..  ou fazer sol …. pode ser que fiqe nublado …

     

     

  2. Esse é o ponto.

    Para se salvar, Temer coloca as mãos no caixa da Viúva. Em nome da austeridade fiscal, reduzem uma série de distributivos sociais (prefiro não chamar de “benefícios”). Quer dizer, qualquer tostão que se tira do povo em nome da austeridade é pra colocar na mão dos que “garantem a governabilidade”.

    Mas quem votou nesses duzentos, pergunto eu.

  3. benesses….

    Onde estava o IBAMA, sabendo da circulação do vírus da FEBRE AMARELA entre os macacos e nada fez para proteger a fauna da regiãop sudeste? São milhares de animais mortos fora o risco absurdo de contagio da população. Mas não é bem isto que interessa ao IBAMA, não é mesmo? Cabide de Empregos, burocratizando, criminalizando, mantendo o país no atraso para defender interesses estrangeiros travestidos de boas intenções. O AGRONEGóCIO, que nada mais é que a Agropecuária Brasileira é o maior gerador de desenvolvimento e melhoria de condições sociais deste país. Além do maior financiador de políticas públicas que beneficiam as populações mais carentes. E o segmento nacional mais importante e imprescindível para a preservação do Meio Ambiente Nacional, sua Ecologia e seus Biomas. Esquerdopatas precisam olhar para a Sociedade Brasileira e pararem com este discurso cheirando à coisa podre. Estão fazendo de tudo para perderem o país e as possibilidades reais de democracia e exigência de melhores condições de vida e sociais. Com este discurso imbecil só ficaram com a “tábua de salvação” Lula. Estão fazendo de tudo para sabotar até isto. Continuem com este discurso esquerdopata, antinacionalista, burocratizante, sabotador, medieval, antidesenvolvimentista, antiempresas, empregos nacionais para ver onde irão parar?. KATIA ABREU PARA PRESIDENTE. GLEISI HOFFMANN DE VICE.

  4. mesmo depois

    Mesmo depois disso tudo tem gente que afirma:

    – não houve golpe

    – este governo é legitimo.

    – a agora a economia descola.

    -que estamos numa democracia

    – que as instituições são representativas dos anseios do povo.

    – que se esta combatendo a corrupção

    -….

     

     

  5. representação

    cerca de 200 deputados compôem a bancada ruralista.

    são, portanto, representantes do latifúdio, e correspondem a 38% da câmara de representantes.

    num mundo razoável entenderíamos que os donos de latifúndio seriam 38% do elitorado brasileiro, são?

    parece que as contas dessa tal de democracia com representação eleitoral não fecham.

  6. Faltam os nomes. Precisamos

    Faltam os nomes. Precisamos publicar os nomes desses 200 deputados. Cada vez mais é preciso revelar os nomes dos que se escondem no anonimato e votam contra o país e os interesses coletivos do povo brasileiro.

  7. A autoproclamada “classe

    A autoproclamada “classe produtora”(terminologia marxista) tem se revelado mais como “classe predadora” de recursos públicos e do meio ambiente. 

    Funcionários do BB por três décadas pude constatar o quanto ALGUNS são dependentes do erário para desenvolver suas atividades. Daí terem implementado uma estratégia política de atuação unificada via lobby e chantagens. Nesse sentido, a dita e folclórica “bancada ruralista” foi a primeira a despontar no Congresso. 

    Entra governo e sai governo e a relação do tipo “toma lá da cá” com o Poder continua a mesma. 

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