Movimentos repudiam ataques da Rede Globo ao Minha Casa Minha Vida

Lourdes Nassif
Redatora-chefe no GGN
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Jornal GGN – A Rede Globo, no Jornal Nacional de segunda-feira, dia 16, mostrou reportagem sobre o Minha Casa Minha Vida. E partiu para o denuncismo vazio tendo como base um único caso. E não apresentou as causas do problema, desqualificando todo um programa tocado por entidades.

A União Nacional por Moradia Popular (UNMP), a Central dos Movimentos Populares (CMP), a Confederação Nacional de Associações de Moradores (CONAM), o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e o Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM) repudiam o comportamento da Rede Globo, que induz o telespectador a considerar o programa MCMV como ineficaz, sem dar voz às organizações que participam e sem dar os reais números do setor.

O que faz a Rede Globo é defender construtoras, desqualificando o trabalho das 1.861 entidades habilitadas. E essas entidades movimentam somente 3% do orçamento, sendo os 97% restantes por conta de construtoras. E a emissora desqualifica os mais de 30 anos de experiência de tantas entidades em defesa do mercado, sem mencionar a falta de qualidade de muitos dos projetos desenvolvidos por estas empresas.

O ministro das Cidades, Alexandre Baldy, entra no mesmo ao tocar no tema cobranças de forma generalizada. Ele bem sabe que a contrapartida existe e está na regulamentação do programa. E ele sabe também que as entidades, para que obtenham os recursos da Caixa Econômica Federal para as obras, precisam desembolsar para elaboração de projetos e trâmites burocráticos. E tanto a Caixa quanto o MCidades são mais rigorosos com as entidades do que com as empreiteiras.

E, por fim, as contratações do MCMV estão paralisadas desde 2016 e os movimentos exigem a retomada do programa de acordo com as demandas de necessidade do país.

Leia a nota a seguir.

Movimentos repudiam ataques e criminalização do MCMV-Entidades pela Rede Globo

Na noite desta segunda-feira (16/7), o Jornal Nacional, da Rede Globo, exibiu reportagem extremamente superficial sobre o Minha Casa Minha Vida-Entidades (MCMV-E) com ataques ao programa a partir de um denuncismo vazio, abordando um caso de famílias que teriam investido recursos e não receberam a unidade habitacional, sem apresentar as causas do problema. A partir de um único caso de empreendimento apresentado e sequer contratado por uma das 1.861 entidades habilitadas no Ministério das Cidades, a reportagem desqualifica todo o programa. A Rede Globo, na sua tradição golpista e manipuladora, não apresentou nenhum caso bem sucedido, dentre os tantos desenvolvidos com financiamento do programa.

A reportagem ainda acrescenta que, nos últimos nove anos, sob coordenação das entidades, foram construídas pouco mais de 72 mil unidades contra mais de 1 milhão e 700 mil por empresas. Novamente, omite as causas da discrepância, uma vez que o governo determinou que mais de 97% dos recursos orçamentários são destinados para a modalidade de contratação de construtoras, e apenas 3% dos recursos para o MCMV-Entidades.

A União Nacional por Moradia Popular (UNMP), a Central dos Movimentos Populares (CMP), a Confederação Nacional de Associações de Moradores (CONAM), o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e o Movimento Nacional de Luta por Moradia (MNLM) repudiam veementemente mais esse ataque aos movimentos e associações que historicamente lutam pelo direito à moradia, e exigem retratação da Rede Globo. A reportagem induz o telespectador a entender o MCMV-E como ineficaz, sem sequer ouvir as organizações que participam do programa. É claro o interesse de defender a execução pelo mercado, uma vez que também omite informações sobre os problemas relacionados à atuação das construtoras, que entregam apartamentos de pior qualidade. Além disso, o ministro das Cidades, Alexandre Baldy, faz uma infeliz declaração ao condenar as cobranças de forma generalizada, pois sabe que a contrapartida é prevista na regulamentação do programa e as entidades, para obter a liberação de recurso da Caixa Econômica Federal para executar a obra, têm grandes gastos com a elaboração de projetos e todo trâmite burocrático que precede a seleção. Também podemos destacar toda fiscalização e controle dos projetos por parte da CAIXA e MCidades que muitas vezes chegam a cobrar da entidades coisas que não cobram do mercado.

As contratações do MCMV-Entidades estão praticamente paralisadas desde 2016. Os movimentos exigem a retomada dos investimentos no MCMV-E, com contratação de 100 mil unidades por ano. Após muita luta, um novo processo de seleção foi anunciado pelo Ministério, em julho, de apenas 10 mil unidades, número muito aquém, inclusive, das 30 mil previstas na proposta orçamentária de 2018 e de 2017.

As entidades e movimentos acima têm mais de 30 anos de experiência na construção de moradias por meio da autogestão, em que a família participante tem voz ativa em todo o processo de produção da moradia. Já atuamos em programas habitacionais de diversos estados e municípios e do governo federal, com resultados exitosos, reconhecidos e replicados. Consideramos de extrema importância também ver essas experiencias retratadas em mídia nacional.

Seguimos também na luta pela aprovação de uma Lei Nacional da Autogestão e que programas como o Minha Casa Minha Vida Entidades se tornem política permanente. Dessa maneira o direito à moradia será efetivado com a garantia de participação popular.

 

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

3 Comentários

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  1. A questão não discutida

    Como já bem colocou o André, são os projetos arquitetônicos e urbanísticos e a implantação da infraestrutura relacionada. De que vale MCMV se faltam escolas, segurança, transporte, saúde, etc. próximos e de qualidade. 

  2. O país está vivendo um caos
    O país está vivendo um caos social há muito tempo. A sociedade não mais tem uma perspectiva de que algo vá mudar para melhor. Hoje é pura hipocrisia defender a eficiência do Estado em todos os níveis de governo. A esquerda ataca ferozmente a Globo, o que torna mais real a “profecia” de George Orwell. Quando o grande inimigo for destruído certamente outro será gestado nas mentes e corações dos incautos. Vivo estarei para registrar a história tal qual acontece nas suas infelizes previsibilidades.
    Publique-se.

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