Partidos políticos, comunicação e poder, por Maria Inês Nassif

Da Carta Maior

 
Analisando a atuação dos partidos golpistas, em especial o PMDB, Maria Inês recuperou o contexto de formação desses partidos durante a redemocratização
 
 
Por Tatiana Carlotti
 

Na última segunda-feira, 13 de março, a jornalista Maria Inês Nassif participou das Jornadas de 2017 da Carta Maior, abordando o tema “Partidos políticos, comunicação e poder”. Na pauta, a diluição do poder institucional da política nacional e a avalição de que “nenhum partido político resistiu ao golpe”.
 
Analisando a atuação dos partidos golpistas, em especial o PMDB, Maria Inês recuperou o contexto de formação desses partidos durante a redemocratização no Brasil. Outro ponto salientado durante a palestra foi a interferência do poder Judiciário na vida partidária e eleitoral.

 
Referência do jornalismo brasileiro, Maria Inês também trouxe uma sugestão de pauta: investigar o caixa do PMDB que permitiu o golpe, a partir da análise das matérias aprovadas pela Câmara dos Deputados e dos setores e interesses contemplados, durante os meses que antecederam o golpe, quando Eduardo Cunha presidiu a Casa legislativa.
 
Heranças 

Maria Inês iniciou sua palestra trazendo o contexto histórico de constituição dos partidos políticos no Brasil, com o fim do bipartidarismo, em 1979. Responsável, na época, pela cobertura jornalística do Congresso Nacional, ela avalia que “o PT foi o único partido novo, de fato” que surgiu durante a redemocratização.
 
Ela contou que o PTB havia se reorganizado “de forma muito precária em torno de [Leonel] Brizola” e que os demais partidos “acabaram reorganizando as oligarquias que, no quadro antigo, transitavam entre o PSD e a UDN”. 
 
Naquele período, destacou, “o grande projeto do término da transição democrática” coube a Tancredo Neves. Assumindo o papel de articulador da direita, ele negociava com o poder militar e se apresentava como “força política avalista de uma redemocratização conservadora” e de uma “transição lenta”. 
 
Estrategicamente, apontou Maria Inês, ele havia fundado do Partido Popular (PP), composto por políticos moderados do PMDB e por antigos oligarcas abrigados na Arena”. O objetivo? “Tornar o PP tão importante para a redemocratização e, sobretudo, para os militares que a apoiavam, quanto o PDS (legenda sucessora da Arena)”. Segundo a jornalista, “a habilidade política dele de negociar nos bastidores e transitar pelo poder era fantástica”.
 
Apesar disso, o PP sofreu um revés quando da aprovação da Lei de Vinculação de Votos, promovendo o retorno da legenda ao PMDB. A partir desse momento, avaliou, “o PMDB foi completamente contaminado pelas oligarquias que estiveram presentes na Arena. Oligarquias que ocupavam as sublegendas da Arena, quando ela existia no Nordeste e no Norte”.

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