Autofilantropia, não existe? Será? Por Rui Daher

Vamos lá, queridas e queridos. Sabemos ser desgovernados por um RIP, Regente Insano Primeiro, clã, acólitos e apoiadores. Contentem-se.

Banksy

Autofilantropia, não existe? Será? Por Rui Daher

Na volta de Poços de Caldas, sem dirigir, leio este GGN, durmo o invariável, e acordo já na Marginal Pinheiros.

Palavras e expressões não me saem da cabeça.

Em casa, tento por todos os meios digitais encontrar o titulado verbete. Não consegui. O “não existir” é unânime. Desesperançado, corri à inútil biblioteca de mais de cinco mil volumes. Jackson Figueiredo, Michaelis, Laudelino Freire, Houaiss, Aurélio. Nada. Ousei: fui a Zeca Pagodinho e à Antologia do Pasquim. Nada.

Desesperado, subindo perigosamente altas estantes, minha mulher pergunta, o que procuras?

– A expressão ou palavra autofilantropia.

– Enlouqueceu ou bebeu demais? Filantropia se faz para o outro, não para si mesmo.

Pus-me a pensar. Vero, mas vai que encontrei um neologismo e que alguns poderão associar-me a um por cento de Guimarães Rosa (exagero no porcentual). Teria um momento de reconhecimento que nunca tive (hoje em dia, todos, ainda que em péssimo léxico, todos escrevem nas digitais redentoras da literatura)?

Refeito das paixões de Poços e de uma solitária e gentil senhora que ouviu minha transmissão ao vivo, agradeceu e disse estar precisando ouvir palavras como as que pronunciei (tenho testemunhas). Pensei: será mesmo que filantropia é somente o que se faz pelo outro?

Não devo ter conseguido espalhar minhas falas daquela noite em Poços aos amigos. Leves até. Lá estava à trabalho, mas o momento da disritmia sempre chega.

Vamos lá, queridas e queridos. Sabemos ser desgovernados por um RIP, Regente Insano Primeiro, clã, acólitos e apoiadores. Contentem-se. Vejam as bondades deles e que Deus os tenham:

  1. “Carlos Bolsonaro compra apartamento 70% abaixo do valor de mercado?” (GGN). Irão contestar, ó impiedosos agentes imobiliários? O pobre proprietário do imóvel, enforcado financeiramente, encontrou sua salvação em Carlos. Está feliz.
  2. A ação de Flávio é ainda mais impactante, pois maternal e familiar. “Doou R$ 733 mil reais para sua mãe em dinheiro vivo”. Gesto nobre para quem pode.
  3. “Zé Urtiga”, torcedor do Flamengo, disse à mãe que, talvez, pudesse repassar a ela 20% do auxílio emergencial que recebeu. Entre lágrimas, ela agradeceu;
  4. Segundo o PGR (Procurador Geral da República), Augusto Aras, entre 1991 e 2018, supostamente, o clã Bolsonaro usou ex-funcionários comissionados para dividir ganhos;
  5. Complexo? Não. Durante vários anos em grandes empresas, como Diretor Comercial, de acordo com o preço vendido, cabia a mim, decidir o porcentual de comissão que o vendedor receberia. Embora, o correto fosse 2 %, poderia dizer “jogo seis, e rachamos, três para você e três pra mim. Nunca o fiz. Seria a não existente AUROFILANTROPIA;
  6. Fácil: me diria evangélico e construindo uma nova igreja, que iria abençoar todos os ruralistas;
  7. Assim agiram e agem clã, acólitos e, se conseguirem uma boquinha, os abnegados apoiadores.

Perceberam, né, AUTOFILANTROPIA, não é nada além do que roubar aquilo que não é seu, fingindo benemerência, engano a tolos. Dá dinheiro e é secular que, assim, os brasileiros a usem como artimanha.

Se o termo não existe, pois contraditório infeliz, ele deveria ser usado em todo o planeta, Brasil especialista.

Inté!

Nota: No próximo capítulo, usarei fúria maior depois de ter lido aqui o artigo de Roberto Requião.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora