Botando meu bloco na rua 2, por Rui Daher

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Por Rui Daher

É de manhã
Vem o sol
Mas os pingos da chuva
Que ontem caíram
Ainda estão a brilhar
Ainda estão a dançar
Ao vento alegre
Que me traz esta canção
”.

Sim, hoje, estou feliz. Sei que aqui no GGN será diferente. Teremos Temer, Gilmar, Moro, TV Globo, Folha e Guilherme, MTST, Jucá, Padilha e camarilha podre.

Tô fora! Com Darcy, Glauber, Chico, Zé Celso, estarei no litoral sem botina, o sol inclemente dos cafezais, as lagartas da soja que diminuirão em 0,1 % a safra recorde de grãos, do plantio direto em palhada do milho, e sem as queixas sucroalcooleiras, os horticultores quebrando para que Bonner e Renata os esqueçam. Não serão mais vilões.

Ganga Zumba, estarei em Santos, às 18:30, autografando o “Dominó de Botequim”, na Realejo Livros, do simpático editor José Luiz Tahan.

Antes e depois me entregarei às delícias litorais: que tal, em Santos, uma galinha à cabidela mineira, acompanhada de uma salineira, que penso impossível fora de minha imaginação e de Cléo, minha mulher? Mas irei à luta. Se aparecer à minha frente uma lagosta será encaminha a Doriana Júnior, que tem bala e fantasia.

Mas vamos ao trabalho futuro. Intelectuais GGNianos, já tentaram escrever e publicar um livro com patrocínio próprio? É ….! Ou ferro, mesmo fogo. Digamos que o colega terá que abrir mão de cinco caixas de Johnnie Walker (Red, claro!), compradas no Duty Free.

E olha que tive ajudas importantes. Assim escreveu Luís Nassif, no prefácio:

A crônica sempre foi a literatura do banal, a capacidade de dar um tratamento literário a cenas do cotidiano, de tirar um retrato de momentos, nos quais ficam desenhados sentimentos, informações, estados de espírito pontuais.

É a anti-história. Mas, por não se submeter a metodologias científicas, não se pretender o rigor acadêmico, é um retrato muito mais real do momento, das situações.

É o que faz Rui Daher com seu “Dominó”. Tendo cursado sociologia na USP, Rui passou a vida escondendo a formação e os talentos atrás de atividade voltadas para a economia rural.

Foi descoberto pela Terra Magazine, do Bob Fernandes, passou a assinar um artigo técnico na Carta Capital e, no Jornal GGN, decidiu colocar para fora sua veia de cronista.

Vocês irão se surpreender. Rui tem, dos cronistas, o texto ligeiro, espirituoso. E recheia com uma vida bem vivida, de quem passou de olhos abertos por todos os episódios políticos das últimas décadas, dos cursos da USP, do advento do racionalismo de esquerda uspiano, aos novos tempos de evangélicos, partidos nanicos e redes sociais, dos primeiros vagidos e um pais-nação à crise de globalização e do neoliberalismo.

Os botecos são uma instituição nacional, fundada em três pilares: música de boteco, comida de boteco e papo de boteco.

Com Rui, você terá acesso a um papo de boteco de alta qualidade”.

Também do fraterno amigo, Márcio Alemão, na contracapa:

Reza a lenda que teria sido eu um dos responsáveis pelo acontecimento Rui Daher nas letras.

Se de fato algum tanto incentivei já me sinto bem feliz ao ver que o empurrão resultou em voo e não em tropeço.

E minha felicidade fica ainda maior ao imaginar que muitos mais terão o privilégio e o prazer de apreciar esses saborosos quitutes que nesse botequim acompanham o dominó.

Acepipes preparados com as mais finas letras e marinados pela imaginação, humor e pelo grande coração desse autor de olhar arguto e sensível.

Nessas páginas, pessoas comuns se tornam extraordinárias e, sorrindo, nos tornamos cúmplices das tramas que vão desenhando um saboroso e crítico retrato de nosso país”.

Pois é, então hoje é isso. Depois, mambembe, sigo para o Rio de Janeiro, Petrolina (PE), Cascavel (PR) e São José do Rio Preto (SP), quase uma batalha de Stalingrado. Perderei, mas vou.

Meus agradecimentos a Luiz Fernando Juncal, que escreveu os melhores capítulos do livro, e ao batalhador do dominó, Manoel Mendes Vieira, importante colaborador.

Em maio de 2017, começo a segunda série do “Dominó de Botequim”, com a reabertura do boteco, tocado pelo português Serafim, e os novos personagens.

Até lá, ajudem-me e comprem o livro das primeiras crônicas, sob pena de não entenderem porra nenhuma. Castos beijos.

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