Burrice Nacional, parte 1, por Rui Daher

Avisado pelo Matheus e emulado por crítica elogiosa de Luís Nassif, assisti ao “Roda Viva” para conhecer quem era Marcelo Adnet, fora de suas excepcionais caricaturas.

Burrice Nacional, parte 1, por Rui Daher

Já havia sido alertado pelo amigo e ex-CartaCapital, Matheus Pichonelli, em seu blog no UOL, sobre a excelência humorística e capacidade de fazer imitações de Marcelo Adnet. Não me era novidade. Assim como não o eram as performances de Gregório Duvivier, Porta dos Fundos, Fábio Porchat, e outros.

Em épocas atuais, de internet, instrumentações digitais, como YouTube, Instagram, Facebook, Twitter, sou remetido positivamente às mudanças necessárias de linguagem audiovisual, antes televisivas, com Chico Anysio, “A Praça é Nossa”, ou as geriatrias radiofônicas, como os “Balança mas não cai”, e fantásticos Lauro Borges e Castro Barbosa, na PRK-30 (1944-1964).

O humor impresso, no entanto, em texto ou charges, marcou minha vida. Desde o Barão de Itararé, Apparício Fernando de Brinkerhoff Tonelly (1895-1971), a sutileza de Lima Barreto, João do Rio, até o semanário “O Pasquim” – idolatria eterna que me ajudou a superar os anos de chumbo da ditadura – passando pelos fascículos do cordel nordestino.

Daí, a dificuldade de não introduzir em meus textos atuais, mesmo os mais sérios ou chatos, pitadas de humor, galhofa, pilhéria. Jeitão literário, de que não abro mão.

Avisado pelo Matheus e emulado por crítica elogiosa de Luís Nassif, assisti ao “Roda Viva” (TV Cultura, 17/08/20), para conhecer quem era Marcelo Adnet, fora de suas excepcionais caricaturas.

Antes pisei em ovos. Ouvia: em geral, os jornalistas formuladores de perguntas, refletem a burrice que, hoje em dia, produz os materiais informativo e opinativo brasileiros.

Mas não. À exceção de Marcelo Tas, que nunca deveria ter deixado de ser Ernesto Varela, o fotógrafo do cineasta Fernando Meirelles, tivemos boa bancada e a condução da apresentadora Vera Magalhães foi discreta.

Em quase tudo, Marcelo Adnet, saiu-se bem, sobretudo quando instado por Tas, criticado por ter-se posicionado politicamente à esquerda, logo amenizado para um “progressista”. Fez bem. Não cabia ali discutir com um reaça de má índole.

Apenas, e como citei parágrafos acima, poderia, quando perguntado sobre suas influências, deixar de esquecer as referências impressas, ou mesmo audiovisuais anteriores à sua geração. Ainda que com apenas 38 anos de idade, alguém que se declara “branco, estudado e rico”, desconheça as raízes completas de seu talento.

Deixemos pra lá, no momento. Coisa de velho chato, meio Tinhorão com a música popular brasileira, vim aqui, como prometido, falar da burrice que predomina no território nacional.

Irei aos poucos para não tomar conta total desta pequena Redação BRD.

Começo pelas pesquisas recentes do Instituto Datafolha em suas formulações de questões telefônicas.

Primeira: “Na sua opinião, o presidente Jair Bolsonaro é o principal culpado por o Brasil ter passado de 100 mil óbitos por Covid-19”?

Nem mesmo eu, que o odeio, responderia não.

Mas e se a pergunta fosse, “Não acha que o presidente ter considerado a pandemia como uma “gripezinha”, dificultou o controle do número de óbitos”?

CLARO!!!

Burrice ou má intenção?

Segunda: “Aprovação de Bolsonaro sobe em meio à pandemia, diz Datafolha”.

A pandemia ficou explícita a partir do início de março, cinco meses atrás, a população, na época tinha R$ 600,00 no bolso?

ENTENDERAM?

Deixemos sossegada a Instituição Frias.

E as burrices de planilhas econômicas que leio no “Valor”, de recuperação das vendas em alguns setores? Os seiscentão ou não?

Descubro: burro sou eu!

Inté!

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