Conforme contado por Ariano Suassuna, do Dominó de Botequim Celestial, e psicografado por Rui Daher

Vou me aliar com os russos, o Maduro, fechar as igrejas evangélicas que em nada me ajudam

Conforme contado por Ariano Suassuna, do Dominó de Botequim Celestial, e psicografado por Rui Daher

Em Vivendas da Barra, o salão não é oval, como na Casa Branca, mesmo assim a forma serpenteada permite aos quatro participantes se verem.

– Porra, sou o presidente.

– Você aí, 03, pra quê mexer com os “chinas”?

– Uai, não são comunistas, algum deles presta? Aliás, deve ser perto da Itália, viu o estrago que fizeram lá?

– Se é perto ou não, tanto faz. Pergunte pro Ernesto Araújo, que pito eles tocam? O Guedes, puta babaca, e a Tereza, me dizem serem importantes para nós.

– Ninguém é importante para nós. Você foi eleito pelos votos, a vontade popular, ninguém nos toca ou segura.

– E o Olavo gagá, o que anda falando?

– As gagaguices de sempre. Cagamos pra ele.

– As Forças Armadas, também?

– Mais ainda.

– O que os milicos pensam de mim?

– Nada. Te desconhecem. Usam-no. Aguardam você cair.

– Como? Não permitirei. Sou o presidente. O povo está comigo!

– Quem os do “cercadinho”?

– Tomarem no rabo, Mourão, Heleno, bostas que ficaram jogando peteca no Posto 6 de Copacabana, enquanto eu era esfaqueado num plano absurdo que vocês bolaram. Doeu, viu?

– Não precisou debater com ninguém. Sabia o estrago que seria.

– Adélio e Queiroz, mandaram abraços.

– Fodam-se. Preciso recuperar a proeminência diante dessa crise do caralho. Quero falar com os Marinho.

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– Tentamos. Estão com mais cagaço do que você. Ligue pro Trump.

– Liguei ontem. Não me atendeu. Eu queria saber sobre o tal coquetel.

– E o que ele disse?

– Não me atendeu. Passou para um assessor. Dois babacas.

– E o assessor?

– Gravei. Se vocês entendem a porra dessa língua, vejam aí.

“Mister Bolsonaro, the President cannot attend you now. Can you talk what’s your matter?

“Méder? Coquetel.

–        –  Cocktail? Classified matter. I cannot reveal what the President and First Lady are drinking now for dinner.

–         – Vírus, porra, Coronavírus. Trumpmicina, é “remedy”? Que merda, posso ‘use’? Tomar no cu, táoquei? Exijo falar with meu friend Trump!

O cara desligou. Sempre achei os americanos uns filhos da puta. Quero a base de Alcântara de volta. O trigo. Vou me aliar com os russos, o Maduro, fechar as igrejas evangélicas que em nada me ajudam, soltar as milícias pra foder o Witzel, fechar o SUS, cremar todos que morrerem pelas ruas.

– Cremar sem álcool, papi?

– À merda 03. Gasolina da Petrobras serve. Mande o Posto Ipiranga privatizá-la imediatamente!

– E o Maia, o STF, papai?

– Fechem tudo! Eu mando. Me elegeram!

Todos se retiram para as suas casas. Flávio, 37; Carlos, 36; Eduardo, 34.

Em seu remanso, Bolsonaro pensa: “Não vou amanhã a Brasília. Talvez, nunca mais. Essa porra de coronavírus não poderia ter vindo, em 2010, quando Lula, o rabudo, deixou o governo com 87% de aprovação?

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Seu choro era ouvido em todas as casas do rico Vivendas da Barra. Barulho de vidros e garrafas explodindo em paredes.

Foi isso, Ariano? Beijos.

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