COVID-2022, por Rui Daher

Eis o título do artigo: “Distanciamento social intermitente poderá ser necessário até 2022”. Foi quando me assustei. Mais, virou pavor. Tremia, suava, a respiração ficara difícil, tossia. Jesus, peguei!

COVID-2022

por Rui Daher

Publicada pela revista Science, pesquisadores de Harvard arriscam, mas não concluem (nem poderiam), que o distanciamento social intermitente pode ser necessário até 2022 se não houver vacina.

A equipe da universidade é liderada por Marc Lipsitsch, do departamento de epidemiologia. Basearam-se em dados de outras aparições virais, sempre fantasmagóricas, como SARS-CoV-2, e os vários primos da COVID-19. Tomam como referência um índice (R), crescente, conforme o número de pessoas a que um infectado pode transmitir.

Nos dois parágrafos acima, fiz um pequeno resumo de matéria de Reinaldo José Lopes, na Folha de São Paulo digital. Daí em diante, a matéria só traz inconclusões, mas se quiserem saber mais, está lá, e gentileza do jornal, em aberto.

Peço permissão aos meus editores aqui no GGN para contar um causo pessoal.

Devido a meia dúzia de bons colunistas e a frequência com que os briguentos irmãos Frias me pedem, tentei ontem assinar a Folha digital. Depois de preencher uma carrada de dados, inclusive os de meu cartão de crédito, avanço e tenho como resposta, “a Folha de São Paulo não aceita a bandeira do cartão indicado”.

Ora, ora, não poderiam ter começado por aí, mencionando quais cartões aceitam? Pensaram no tempo que perdi, apartados irmãos da Barão de Limeira? Um detalhe, o cartão é o Hipercard, que pertence ao Banco Itaú, que os ajuda com frequentes anúncios.

Se, em posse de meus dados, aparecerem débitos indevidos em minha conta, saberei onde cobrar e em que frias entrei.

Eis o título do artigo: “Distanciamento social intermitente poderá ser necessário até 2022”.

Foi quando me assustei. Mais, virou pavor. Tremia, suava, a respiração ficara difícil, tossia. Jesus, peguei! Fiz contato com todos os membros do conselho consultivo do Dominó de Botequim Celestial (DBC). Nada. Sem resposta. Gritar já não podia. Ninguém me acudiu.

Vieram as alucinações. Por que 2022, e não 2021 ou 2025. Procurei uma garrafa de salineira. Foda! Na Páscoa, o Nestor tomara as últimas duas. Encontrei uma queijadinha e um pedaço de ovo de Páscoa. Poderia ser apenas hipoglicemia.

Incrédulo, um pouco melhor, peguei para reler um artigo que tinha recomendado a muitos, publicado no Valor, dias atrás, “Como Oriente e Ocidente atacam a covid-19”, do professor de Desenvolvimento Sustentável de Gestão e Políticas de Saúde da Columbia University, Jeffrey D. Sachs.

Constata:

  1. “Os países do leste da Ásia vêm se saindo melhor que EUA e Europa no controle da pandemia (…) ambos deveriam repetir suas práticas e salvarem mais vidas”;
  2. “Até 07/04, mortes por milhão variaram de 24 (Reino Unido) a 300 (Espanha). No Leste da Ásia, de zero (Vietnã) a 4 (Cingapura)”;
  3. [Tais diferenças] “refletem: preparação prévia (…) desde a epidemia SARS, em 2003, ondas de dengue; na Europa e EUA, junto a esses, ebola, Zika, chicungunha, pareciam distantes, tropicais”;
  4. “A partir de janeiro, surgido o primeiro caso em Wuhan, China, todos os países vizinhos tomaram medidas de precauções e restrições de viagens às regiões afetadas”;
  5. “Confirmado nos EUA o primeiro caso, em 20 de janeiro, somente em 31 de janeiro, Trump, restringiu viagens à China”;

Eu: DT estava envolvido numa guerra comercial com a China.

  1. “400 mil pessoas chegaram nos EUA, vindos da China, 10% mesmo após as restrições”;
  2. “As populações do Leste da Ásia são mais suscetíveis a seguir regras e determinações governamentais”;
  3. “Por fim, suas autoridades intensificaram dramaticamente a procura por sintomas, deslocando-se em áreas públicas, escritórios, e locais movimentados”;

Eu: ainda assim China e Leste da Ásia, restringiram ainda mais as medidas de precaução, enquanto vários países do Ocidente já pensam em relaxá-las.

As referências de Jeffrey remontam a 07/04. Olhem os números atuais. Hoje em dia, vejo o Ocidente lutando para importar respiradores e equipamentos básicos da China, para salvar vidas.

O Brasil está, talvez (ainda são precários os testes que positivam a doença), com 1.532 óbitos e mais de 25 mil casos confirmados.

Voltam os sintomas. Mais uma vez apelo ao conselho consultivo do DBC. Nada. Se mortos já estavam, não poderiam ter morrido de novo.

Até que um restinho de Salinas, esquecida ou propositalmente deixada pelo Nestor me reequilibra. Descubro não ser a pandemia que me faz o horror.

Vai que Harvard esteja correta sobre 2022. Até lá teremos o vírus e o verme?

E para homenagear Moraes Moreira e apresentar-lhes promissor músico e cantor, Pedro Vieira. Merecemos lágrimas e risos. Inté!

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