Crônica de um coração que ficou frio, por Rui Daher

Para não estar além da simples razão, basta que eu não minta para o meu coração. Como estou fazendo, aos trancos e barrancos, em tempos de tristezas e incompreensões.

Crônica de um coração que ficou frio, por Rui Daher

Por que duas gripes fulminantes após eu me ter vacinado em março deste ano? Simples maldição do Regente Insano Primeiro? Provável. Ou sina de fim de semana daqueles desconsiderados por Deus, mas que a Ele sempre agradecem. Consola-me a vitória socialista em Portugal, que me faz perguntar: voltarão de lá os brasileiros endinheirados ou famosos que para lá foram amedrontados com a esquerda no Brasil.

Sei lá, vivo para “Além da Razão”, como compuseram Sombra, Sombrinha e Luiz Carlos da Vila, neste vídeo, para a voz de Diogo Nogueira. É óbvio que João, pai de Diogo, e o Clube do Samba, por lá circulavam.

Por te amar eu pintei
Um azul do céu se admirar
Até o mar adocei
E das pedras leite eu fiz brotar
De um vulgar fiz um rei
E do nada o império pra te dar
A cantar eu direi o que eu acho então o que é amar

É uma ponte lá para o longe dos horizontes
Jardim sem espinhos
Vinho que vai bem em qualquer canção
Roupa de vestir qualquer estação

É uma dança, paz de criança
Que só se alcança se houver carinho
É estar além da simples razão
Basta não mentir pro seu coração
”.

Mas não só. Do azul do céu, do mar adocicado, e do leite das pedras, que inundavam o local, convidados por mim, vieram todos os membros do celestial Conselho Consultivo do “Dominó de Botequim”. Ô Darcy, Ariano, Melodia, Dr. Walther, Madrinha Beth, Alfredinho Bip-Bip! Obrigado. Não resistiram, né?

Pois é, junto a essa canalha e injusta Federação de Corporações, também sobrevive uma imensa alegria. Sabe onde? Em nossa cultura, essência da Pátria Amada Brasil, que eles usam, mas nunca foi da direita ou de seus governos, muito menos do Regente Insano Primeiro. Antecessores a trataram melhor.

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Para não estar além da simples razão, basta que eu não minta para o meu coração. Como estou fazendo, aos trancos e barrancos, em tempos de tristezas e incompreensões.

Pediram, no passado, a Geraldo Vandré, o que agora me pedem. Assim ele respondeu, e eu a ele me adapto, no que sou e sinto:

“Me pediram pra deixar de lado toda a tristeza, só trazer alegrias e não falar de pobreza. Prometeram que se eu cantasse feliz, agradava com certeza. Eu que não posso enganar, misturo tudo o que vivo. Escrevo partindo da natureza do que percebi. Faço textos com clareza, palavras de belo e tristeza. Não separo dor de amor. Deixo claro que a firmeza do meu canto vem da certeza que tenho, de que o poder que cresce sobre a pobreza e faz dos fracos riqueza, foi o que me fez escrever”.

Se não, pra quê? Conheço a todos que gostam de meus textos e de mim. Não são muitos, como não o é, um Brasil conservador e injusto. Mais? Se me quiserem, libertário, estarei sempre aberto a todos, mas que cheguem com alguma dignidade e inteligência.

Sei que não será fácil. Sou enjoado, mas tentem. Vai que alguém poderá ser agradável, uma surpresa, como foram alguns luminares da cultura brasileira, grande coisa a se comemorar, pois invencíveis e predominantes em nossa cultura popular.

Reinvento 1964 e o CPC, Centro Popular de Cultura, da União Nacional de Estudantes (UNE), criado em 1966, João Goulart querendo reformar as relações entre capital e trabalho, e extinto pela ditadura civil-militar, em 1964, e agora enforcada em “carteirinhas” pelo Cão Wientraub.

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Tudo isso é história, que deveriam conhecer.

“Chora, disfarça e chora … ó triste senhora … vai molhar o deserto”. Sim, é Cartola. Bis: “deve haver um perdão para mim, senão não sei qual será o meu fim … blasfemei … hoje todos são contra mim”.

Isso acontece, meu coração ficou frio, caro Paulinho da Viola. Nem mesmo do alto ou com a lupa consigo entender a minha terra.

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