Dia dos Pais, por Rui Daher

Ando assim, depois da catástrofe Regente Insano Primeiro, RIP, clã, ministros, acólitos, apoiadores -como mencionado em folhas e telas cotidianas, luto para continuar escrevendo sem decepcionar aqueles com alguns neurônios.

Banksy

Dia dos Pais

por Rui Daher

Sim, sou pai. Sei de quem, mas não sei que pai tenho sido. Nas conversas com os retroses que firmam meus botões, porque com estes últimos fala Mino Carta, ouço ter sido mais irmão do que pai. Isto, há mais de quarenta anos, desde que nasceram meus três filhos. Todos, hoje em dia, felizes e bem sucedidos. Deu certo. Reconheço ter feito muito pouco.

Osmose humanista, política, econômica, cultural e social, tenho obrigação de dividir com Cléo, companheira de quase meio século.

Iconoclasta, sou pouco ligado a dias comemorativos como o de hoje. Afinal, como estar aqui, concebido sem um esperto esperma? Mulheres, por exemplo, sempre as admirei, respeitei, nunca poderia admitir direitos diferenciados. Por quê? Seria eu um tosco, troglodita, a não as perceber tão capacitadas quanto indígenas e quilombolas?

Sim, bolsonaristas imbecis, não pensem eu estar as inferiorizando. mas sim glorificando-as. Desenho?

Precisamos mesmo de dias especiais para mulheres, mães, avós, pais, avôs, negros, gays, índios, sei lá, quem mais vocês lembrarem? Todo o direito a vocês, de homenageá-los sem luta. Nós, homenageados, berrando.

Mas, que merda, hesitei. Ando assim, depois da catástrofe Regente Insano Primeiro, RIP, clã, ministros, acólitos, apoiadores -como mencionado em folhas e telas cotidianas, luto para continuar escrevendo sem decepcionar aqueles com alguns neurônios. Hoje em dia, acredito em poucos.

Minha primeira filha, nasceu em 1975. Eu tinha 30 anos e começara a trocar de empregos, para assim começar a carreira profissional em grandes empresas de fertilizantes. Hoje em dia, depois de formar-se em biologia, mora nos EUA, como Global Seeds Head Office, de grande empresa multinacional.

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A segunda, uma pequena e linda árabe, é diretora, para a América Latina, de uma das maiores empresas de software do mundo, com sede no Vale do Silício, EUA.

Queria mais? Sim. O terceiro. Artista plástico e arte-educador, que algumas vezes acompanhou e protegeu o pai de porres nos saraus do GGN.

Seu trabalho de arte em comunidades desassistidas, me orgulha tanto como as das meninas. Também sua concepção plástica, que ele me proíbe de divulgar, e eu respeito. Mas poderia viajar o mundo. Ele quem sabe.

Assim, como pai que, certamente, inoculou Cléo, em 1975, 1979 e 1981, despeço-me, ciente de que hoje não é meu dia, mas sim de meus três filhos.

Beijos e Inté. Os dois vídeos dizem mais.

Nota: quem terá sido meu pai, descendente de libaneses e sírios, com quem convivi até os 19 anos, e de quem pouco me lembro? Deveria chorar, e mais ter chorado.

 

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