Vale tudo/Revisitado, por Izaías Almada

É isso aí, caro leitor, quando a classe média pensa que é elite, a coisa fica feia...

Elifas Andreato

Vale tudo/Revisitado

por Izaías Almada

         Achei por bem revisitar uma crônica por mim escrita há pouco mais de um ano. Creio que sua ironia ao avaliar acontecimentos dos últimos anos poderia contemplar novos fatos tais como o surgimento da pandemia que nos apresentou a esse terrível e maldito personagem: o covid-19.

Outros fatos como a anulação do julgamento do ex-presidente Lula, o desnudamento do baixo coeficiente intelectual de vários integrantes do atual governo a começar pelo seu capitão, seus vários ministros da saúde, seu ridículo ministro das Relações Exteriores e por aí afora… A irresponsabilidade diante da pandemia condenando à morte mais de 300 mil brasileiros.

         Chegou a hora, chegou, chegou… Meu corpo treme e ginga qual pandeiro… A hora é boa e o povo confessou… Que quer botar em ordem o galinheiro…

         É isso aí, caro leitor, quando a classe média pensa que é elite, a coisa fica feia… É preciso mostrar para o vizinho, para o patrão, para antigos colegas de bairros mais simples, que agora pensa como os ricos, veste-se como os ricos, já não dá mão a preto e nem carrega embrulho.

         E, claro, não vota no PT, partido de pobres. E ainda acha que comunistas comem criançinhas… Chega a dar urticária tamanha burrice.

         Até bem pouco tempo, embora ela existisse razoavelmente camuflada, o Brasil não sabia lá muito bem o que era a “luta de classes”. Bastou um nordestino pobre chegar à presidência da república para a “tigrada” se rebelar.

         O que falar, então, da classe média alta, não é mesmo professora Marilena Chauí?

         Por que o ódio ao PT? Porque o ódio ao ex-presidente Lula? Por que o preconceito dissimulado ou não contra negros, nordestinos e gays? Em poucos anos uma boa parcela da população brasileira saiu do armário e assumiu o seu fascismo enrustido. E nessa luta de classes, agora declarada, parece que tudo pode acontecer.

         A começar pela eleição de 2018 e o golpe de 2016. Há algo estranho no ar além dos drones de carreira. Alguma coisa que nos dispara as batidas do coração. Lembram os leitores da criminosa e “providencial” facada que tirou um dos candidatos de todos os debates televisivos em 2018? Por coincidência o candidato que menos tinha e tem a dizer ao país. Curioso, não?

         O homem da faca, Adélio, foi impedido de dar entrevistas… Aí tem coisa. O receio era que ele, como já aconteceu, pudesse incriminar o PT dias antes de se abrirem as urnas…

E se fosse exatamente o oposto, o leitor já pensou nessa hipótese? E se a briga fosse dentro da própria extrema direita? Afinal general não bate continência para capitão. Ou agora bate?

O recado foi dado numa entrevista ao, como é mesmo o nome, Datena? Se não vencer no voto o capitão não reconhecerá o resultado das urnas. E agora? Vale tudo?

         O livre pensar é só pensar, já dizia o grande filósofo brasileiro Millor Fernandes.

         Chegou a hora, chegou, chegou…

         Foi para isso que bateram panelas? Foi para isso que fizeram dancinhas coreografadas pelas ruas?

         O fascismo vai livrar o Brasil de Lula e do PT? E quem nos livrará dos fascistas?

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