Sessão das Dez: Freud, além da alma, de John Huston

John Huston viveu tão perigosamente como os protagonistas de seus filmes. Apesar de ter sofrido por décadas de enfisema pulmonar aguda, o que o obrigou nos últimos anos a sobreviver com tanques de oxigênio para ajudá-lo a respirar, ele continuou a fumar até a sua morte em 28 de agosto de 1987. Huston era um contador de histórias, bon vivant e grande jogador de pôquer. Lauren Bacall, uma amiga de longa data, o descreveu como ousado, imprevisível, enlouquecedor e, provavelmente, o homem mais charmoso do mundo.

Em 1941, o cineasta norte-americano fez a sua estréia na direção com ‘The Maltese Falcon’ considerado por muitos críticos como o melhor thriller policial já filmado. ‘The Treasure of the Sierra Madre’ um estudo soberbo da ganância humana; ‘The Man Who Would Be King’ sobre orgulho; além dos clássicos ‘Moby Dick’ e ‘The African Queen’ formam um conjunto de obras das mais significativas da história do cinema.

Os críticos se diziam confusos com a falta de um tema comum em seus filmes. Foram 41 filmes e em muitos deles abordou o orgulho, a ganância humana, a vaidade e a avareza. John Huston dirigiu a maioria das estrelas com irreverência e contrariou tendências de Hollywood de finais felizes com um número incomum de filmes com amor insatisfeito. E procurou várias vezes transpor a essência da literatura para o cinema com o cuidado incomum de preservar estilos e valores dos escritores. E atuou em mais de 20 filmes.

Politicamente, nos anos do pós-guerra, Houston estava cada vez mais perturbado com a caça frenética aos comunistas pelo Governo e pela lista negra que destruiu muitas carreiras. Referindo-se a esse episódio como ‘podridão moral’ ele se mudou para Galway, na Irlanda, em 1952 e depois, em 1975, para Las Caletas, um refúgio remoto na costa oeste do México onde se dedicava à leitura, à pintura e a cuidar de animais.

 

‘Freud: The Secret Passion’ (1962) é baseado na vida do psicanalista austríaco Sigmund Freud (Montgomery Clift), cujo roteiro original foi escrito por Jean-Paul Sartre, mas Sartre retirou o seu nome dos créditos após desentendimentos com Huston. O filme retrata o momento em que a maioria dos colegas de Freud se recusava a tratar pacientes histéricos acreditando que eram manobras para chamar a atenção. Freud, no entanto, aprendeu a usar a hipnose para descobrir as razões das neuroses.

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