TV GGN 20h: Os desacertos da saúde e o genocídio oficial

Sobre os dados de covid-19 no Brasil, o país registrou 3.459 novos óbitos nesta quarta-feira – a média chegou a 3.015, um pouco abaixo dos últimos dias, mas ainda um patamar alarmante.

Nassif entrevista Wellington Dias (PT-PI), governador do Piauí e presidente do Consórcio Nordeste, para falar sobre a articulação da região no combate à pandemia de covid-19.

“Ainda temos coisas que precisam ser ajustadas (…) Temos ainda uma situação mais delicada para frente. Já faltando, em alguns lugares do Brasil, a vacina para segunda dose”, diz o governador do Piauí. “Ou seja: eu mesmo avisei pelo fórum dos governadores e ainda em 17/02 eu avisei que nós tivemos um descompasso entre o volume de vacinas que seriam entregues e foram entregues (…) em relação a aqueles que já estavam previstos”.

“Quando você tem a chegada do IFA (matéria-prima da vacina), você tem que fazer a vacina, tem que ter uma fase de autorização pela Anvisa para poder ir para o braço das pessoas”, explica Dias. “Aqui, existe um descompasso – há a necessidade do poder central, com todas as autoridades, com toda a diplomacia brasileira, que a gente priorize isso”.

O presidente do Consórcio Nordeste também confirmou para sexta-feira (16/04) uma agenda do Fórum dos Governadores com a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial da Saúde (OMS). “Queremos uma ajuda humanitária – e a ajuda humanitária para o Brasil é a vacina”

Sobre o trabalho do Itamaraty nesses contatos com a ONU, Dias diz que ainda não está adequado, embora considere importante a agenda do presidente Bolsonaro e dos ministros com Vladimir Putin sobre a Sputnik V. “Foi importante a agenda do presidente Jair Bolsonaro, do ministro das Relações Exteriores e do ministro da Saúde com o (Vladimir) Putin sobre a Sputnik V”.

“Aliás, é tudo o que, desde o ano passado, nós esperamos do presidente da República do nosso país como, aliás, fazem o presidente da República da Argentina, do Chile, dos EUA, dos países da Europa, de qualquer lugar do mundo”, explica Dias. “Da mesma forma que teve essa iniciativa, de uma conversa presidente com presidente com a Rússia, precisa ter com a China, precisa ter com os Estados Unidos”.

Sobre o relacionamento dos governadores com o ministério da Saúde, Dias diz que o ministério tem uma equipe da melhor qualidade, mas que precisa utilizar toda a capacidade técnica. “Aliás, como é maravilhoso o Sistema Único de Saúde – eu mesmo sempre fui um defensor do Sistema Único de Saúde, mas eu jamais imaginava que ele fosse tão bem feito”, diz o governador do Piauí.

“Para pegar um exemplo do Piauí: a gente precisava ir atrás, de casa em casa, das pessoas para saber quem estava com coronavírus, e poder fazer o isolamento, a triagem com a família (…) E ali, a gente tem o agente de saúde, as equipes do programa Saúde da Família, a Vigilância Sanitária. Ou seja, tem a média complexidade, a alta complexidade, telemedicina. É algo extraordinário. Então, o Brasil só precisava utilizar, organizar para usar a rede que tem. Nada mais”, diz o governador do Piauí.

Sobre as acusações contra os governadores e a CPI, Dias diz que “a CPI é um processo de investigação que tem força de um inquérito judicial. É algo muito sério. Graças a Deus, também tem normas, tem uma lei. É isso que o senador Rodrigo Pacheco teve que se submeter, teve que colocar para o plenário – não pode sair assim ‘eu quero uma CPI, eu quero investigar o governador, prefeito’. Não é assim, não é eu quero. O que diz a lei?”

“Então, todas as pessoas que trabalham com recursos públicos – e eu vejo aqui o esforço de quem é governador, quem é prefeito, pode ter um caso aqui e ali -, mas eu vejo todo um cuidado. Aliás, é um dinheiro que a gente precisa ter muito zelo, muito cuidado na aplicação”, explica Wellington Dias.

“O que a gente está trabalhando é para que a gente não transforme a CPI em uma guerra ainda maior”, diz o governador do Piauí. “Estamos vivendo uma crise de pandemia na área da saúde matando mais de 360 mil pessoas – o Brasil, quando você compara com a realidade de outros países, era para ter 90, no máximo 100 mil óbitos. Estamos com 260 mil a mais. Isso é vergonhoso”.

“A minha preocupação, eu confesso a você, é: no meio de uma crise de saúde, com a pandemia, uma crise social sem precedentes, aumentando a fome, a miséria (…)”, diz Dias.

“No meio disso tem uma crise econômica, com desemprego e a gente ainda cria uma crise, uma falsa guerra (…) Nunca imaginei que um presidente de um país pudesse estar assim: hora atira no Supremo, hora atira no Congresso, atira nos governadores”, diz o governador do PT. “Ou seja: a culpa é dele, a culpa é dele, a culpa é dele. A culpa é sempre do outro, joga sempre a culpa no outro. Não é razoável isso, não é razoável”, ressalta Wellington Dias.

Covid-19 e o recorte social

Nassif lembra o corte social da covid-19: “é chocante como é uma eugenia, efetivamente”, e conversa com o economista Adriano Massuda, que elaborou um estudo sobre esse corte social

“O que a gente demonstra, acho que o ponto principal desse artigo, é que o curso da pandemia no Brasil foi diferente do resto do mundo, onde foi analisada a situação de impacto da pandemia e de resposta do sistema de saúde”, diz Massuda.

“No resto do mundo, o que determinou o curso da pandemia foi a estrutura etária – populações idosas eram mais afetadas, e pessoas com doenças crônicas também eram mais afetadas. Isso que dirigiu o curso da pandemia”

“No Brasil, não foi assim. No Brasil, o que dirigiu o curso da pandemia foram as desigualdades sociais. A população mais exposta à infecção pelo coronavírus, a população que mais adoeceu, não é necessariamente a mais idosa ou com doenças crônicas”

“A população que mais adoeceu e morreu pelo coronavírus foi a população mais pobre, que era mais vulnerável. E, ao mesmo tempo, tinha menos recursos para fazer diagnóstico precoce (…) Mais do que isso: o diagnóstico precoce é fundamental para tomar as medidas de saúde pública”

“O que a gente viu, de fato, foi que essas áreas mais vulneráveis, que eram onde as populações estavam mais expostas, um sistema de saúde mais precário, mais pressionado por um aumento rápido de demanda, levando a uma situação de colapso”, pontua o economista. “O que a gente demonstra no artigo é justamente isso, que o curso da pandemia no Brasil, diferente de outros países, foi definido pela situação socioeconômica”, diz Massuda.

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