Pausa importante na venda do Rio de Janeiro: uma descoberta horripilante, por Sebastião Nunes

Meus amigos mortos continuam batendo pesado no genocida. Desta vez, o quadrúpede Jair Messias vomita os mortos que engoliu na pandemia. Continuamos sofrendo neste terrível inferno astral.

Cemitério Campo da Esperança, covas mortes covid-19. Sérgio Lima/Poder360 10.06.2020

Pausa importante na venda do Rio de Janeiro: uma descoberta horripilante

por Sebastião Nunes

Pendurado pelo rabo, Jair Messias continuava vomitando a gosma nojenta e semimastigada, avermelhada, fedorenta como o Inferno, que empesteava o bosque dos livros-frutas e deixava aturdidos meus amigos mortos.

O quadrúpede Bolsonaro sacudia em frenesi as patas traseiras e dianteiras, como se alguma dor terrível lhe percorresse carne, ossos, vísceras e sangue, enquanto da boca lhe escorria sem interrupção a coisa gosmenta, pastosa, avermelhada.

Que diabo seria aquilo?

– Parecem corpos triturados – sugeriu Manoel Lobato que, bom farmacêutico, estava acostumado a servir de parteiro a clientes do baixo meretrício, muitas vezes alta madrugada. Com dolorosa frequência, extraiu fetos mortos e sangrentos de ventres exaustos pela dura labuta do ofício diário. Outras vezes teve sorte e, com a sabedoria e a perícia de um bom cirurgião, conseguiu o milagre de botar no mundo miúdos seres semivivos, envoltos em sangue, placenta e dor.

Agora, também aturdido, examinava de perto aquela mixórdia. Debruçados junto ao focinho de Jair Messias, os demais amigos olhavam, reolhavam e se admiravam: – Que diabo seria aquilo?

Mais expedito ou menos aturdido, Sérgio Sant’Anna extraiu do nada um pedaço de pau, com o qual começou a remexer na gosma pastosa, que continuava a escorrer, cobrindo pouco a pouco o enorme pasto sobre o qual Bolsonaro estava pendurado pelo rabo, pastando desde tempos imemoriais, dada a inexistência de tempo na Eternidade.

DESVENDANDO O MISTÉRIO

– Estou vendo pedacinhos de osso – aventurou-se a comentar Otávio Ramos. – Osso e sangue. Sangue e carne. Carne e veias. Veias e músculos. Vísceras. Estômagos. Pulmões. Rins. Fígados. Intestinos grossos. Delgados.

– Também vejo – disse Adão Ventura. – Mas de onde saiu isso? Aqui só tem o capim que ele estava mastigando. Será que no estômago dele o capim virou carne, osso e esse sangue fedorento que escorre sem parar?

Filósofo em tempo integral, Luís Gonzaga Vieira lembrou seus árduos tempos de seminarista, quando a sopa do jantar tinha aparência similar.

– Não é impossível – declarou impressionado com a semelhança. – Lembro que no seminário a gente tinha tanta fome que nem reparava na comida. Mas existe sem dúvida alguma semelhança, pelo pouco que recordo.

Imediatamente, ligou a imensa televisão que aparecera como milagre no bosque e na qual se via um cemitério imenso.

Havia ali, naquele imenso cemitério, milhares de túmulos abertos e fechados apressadamente, resultantes da nova e horrível peste que atingira o mundo, empesteando um ar revolto, revoltado, revolucionado, fedorento como caldeirões de pus do Inferno.

SIM, É EXATAMENTE ISSO!

Havia ali também, pendurados pelo rabo, milhares de burros-jumentos-asnos, os focinhos exatamente iguais ao do quadrúpede Jair Messias lá de cima, numa infernal e poderosa regurgitação coletiva, numa asquerosa caganeira pela boca.

Havia assim, naquele cemitério, centenas de milhares de montículos de vômito que, decerto levados para cima, para a eternidade, para o bosque no qual se abismavam os amigos recém-mortos, escorriam infinitamente, entrando pelo cu e saindo pela boca, formando o jogo permanente de merda, carniça, decomposição e asco, de alguma coisa tão nojenta que, de repente, como se ao comando de poderosa voz tonitruante, todos se puseram, por sua vez, a vomitar.

OS VÔMITOS EXPLICADOS

– Se alguém cair nesse pântano, nem a alma escapa – disse Sérgio com voz trêmula, depois de limpar a boca com as costas da mão e enfiar, cada vez mais fundo, o pedaço de pau na gosma nojenta e asquerosa.

– Parece até areia movediça – reforçou Adão. – Se alguém escorregar e cair, será levado pra baixo devagarinho, engolindo e cuspindo, até começar a engolir pelo nariz, até afundar por inteiro e morrer sufocado pelo fedor.

O quadrúpede Bolsonaro continuava agitando em frenesi as patas, continuava em agonia derramando gosma fedorenta pela boca. Vomitava – e isso era certo – carne e osso e vísceras das centenas de milhares de mortos que resultaram de seu desinteresse pela vida e de sua paixão pela morte.

Mas ele mesmo, o genocida Jair Messias, não podia morrer. Como se fosse um dos tétricos personagens de Dante na Comédia, um de tantos condenados a padecer pela eternidade cumprindo penas infinitas. Como se fosse um dos amaldiçoados.

(No próximo capítulo: voltando à prospecção de clientes para vender o Rio.)

Sebastião Nunes é um escritor, editor, artista gráfico e poeta brasileiro.

Este artigo não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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2 comentários

  1. U’a manada de mineiros com o Rio de Xaneiro de pano-de-fundo mas sem o “Dotô Aécio” é algo simplesmente inverossímil… Cadê o Aecinho, filho? Cadê? Como o Mar de Minas, ele sumiu?

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