Negros e pobres são os mais afetados pelo Covid-19, mostra Kotscho

"São pretos, pobres e indígenas os que mais morrem nos hospitais, excluídos dos direitos mais básicos da cidadania, abandonados ao seu próprio destino"

Foto - VICTOR MORIYAMA/GETTY IMAGES

Jornal GGN – A morte de negros por Covid-19 é 62% maior do que os brancos no país, 100 milhões de brasileiros vivem em locais que não têm leitos de UTI, e a pobreza associada à infância também incrementa estes números para os mais vulneráveis: 93% das mortes de crianças e adolescentes por síndrome respiratória em São Paulo são de moradores da periferia e de comunidades de baixa renda.

Para completar este cenário, “só agora as autoridades descobriram uma população de mais de 30 milhões de ‘invisíveis'”, pontua Ricardo Kotscho, em sua coluna para o Uol, desta segunda (06). É o que revela o rastro das mais de 65 mil mortes provocadas pelo novo coronavírus, que escancarou, mais do nunca, as desigualdades sociais e o racismo estrutural no país, mostra o jornalista.

“São pretos, pobres e indígenas os que mais morrem nos hospitais, quando conseguem vaga num hospital, excluídos dos direitos mais básicos da cidadania, abandonados ao seu próprio destino. De uma hora para outra, descobrimos que nossa população é em sua maioria constituída de negros e mulheres, historicamente tratadas como minorias, assim como os pobres excluídos do mercado.”

Especificamente sobre o racismo, estrutural no Brasil, que não é exposto somente quando racistas chamam o negro de macaco, o IBGE já mostrava antes do coronavírus que a população negra é a maior vítima da estrutura econômica de um Brasil sem Covid-19, com as maiores dificuldades de acesso à saúde e à educação.

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Hoje, com o grande número de trabalhadores informais e o emprego afetado pela pandemia, “a imensa maioria dos que ainda têm trabalho ganham menos de dois salários mínimos por mês, vivendo em condições sub-humanas nas periferias urbanas e rurais”, acrescentou.

E apesar de esta desigualdade não vir do momento atual, do governo Bolsonaro, para Kotscho, a população nunca “se sentiu tão desamparada do poder público”, em um contexto em que somente agora o SUS está sendo valorizado, assim como todos os programas sociais e direitos garantidos a essa suposta minoria, que sendo maioria no Brasil nunca deixou de ser marginalizada.

 

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