Brasil cogita sair do Mercosul caso Argentina rejeite corte da TEC

Proposta considera corte acima de 50% para tarifa externa comum; CNI adverte sobre impactos negativos

Jornal GGN – A redução de alíquotas de importação é o novo ponto de discussão no Mercosul. O Brasil insinuou que pode sair do bloco caso a Argentina não concorde com tal medida. Uruguai e Paraguai fecharam com o país em 80% dos mais de 10 mil itens negociados.

A iniciativa seria um passo drástico para que o Brasil leve adiante o plano do ministro da Economia, Paulo Guedes, para aumentar a produtividade e abrir a economia do país – algo que estava previsto para ser retomado após a reforma da Previdência.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria, a proposta apresentada pelo Brasil aos parceiros no Mercosul é de um corte superior a 50% do imposto de importação. A TEC (Tarifa Externa Comum) é o imposto de importação cobrado de bens de terceiros países para entrar nos territórios de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

A medida precisa ser aprovada pelos quatro países-membro, mas a Argentina não só questiona a metodologia proposta, como sequer enviou sua proposta para os tópicos em debate. De acordo com informações do jornal Folha de São Paulo, os representantes dos outros países do bloco acreditam que o acordo não deve ir para frente caso as eleições presidenciais argentinas sejam vencidas pela chapa de Alberto Fernández e da ex-presidente Cristina Kirchner.

Neste caso, Paulo Guedes teria de convencer o presidente Jair Bolsonaro a abandonar o bloco sul-americano – mas essa saída levantaria um novo impasse em relação ao acordo de livre-comércio com a União Europeia. Representantes do governo já estudam para saber se o tratado seria válido para o Brasil mesmo que o país não integre o bloco.

Leia também:  Que porra é essa "ministro"!!!, por Edson Machado Monteiro

Estudo contratado pela CNI junto ao Centro de Estudos de Política da Universidade de Victoria, na Austrália, mostra que um corte abrupto de 50% reduzirá o Produto Interno Bruto (PIB) de pelo menos 10 dos 23 setores industriais até 2022, “prejudicando a retomada do crescimento e a redução do desemprego”, diz a confederação.

O governo prevê um “choque” de tarifa em quatro anos, embora a reforma tributária discutida no Congresso Nacional possa ter período de transição de 10 anos, e o acordo Mercosul-União Europeia só estará totalmente implementado após 15 anos de sua entrada em vigor. “Essa redução unilateral da TEC diminui o engajamento da indústria em novos acordos comerciais e o Brasil ainda perde poder de barganha nas negociações para derrubar as barreiras de terceiros mercados ao agronegócio brasileiro”, diz a CNI, em nota repercutindo a questão.

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4 comentários

  1. PoiZé, quando idiotas confundem Estado com governo, lidera com mandar, democracia com vitória eleitoral apenas, quando opinião pessoal emocional prevalece sobre debate qualificado…
    Dá nisso!

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  2. O mais interessante é que um dos principais compradores de produtos industrializados brasileiros são os membros do Mercosul, rebaixando as tarifas de ingresso de industrializados no Brasil e saindo do Mercosul a indústria brasileira que já está cambaleante vai fechar de vez. Mas afinal os representantes dos setores produtivos do Brasil é o presidente da Fiesp, que não é industrial e o véio da Havan, que vende produtos que algumas vezes parece que não pagaram impostos na entrada ao Brasil.
    Eu acho engraçado que tenham algumas pessoas do pessoal produtivo que apoiam este governo porque não precisam pagar direitos trabalhistas, o Guedes vai resolver o problema deles, não vão ter que pagar nada, pois suas industrias vão fechar.

  3. Segundo o texto:
    ☆ choque de tarifa: previstos em quatro anos, embora a reforma tributária discutida no Congresso Nacional possa ter período de transição de 10 anos;
    ☆ acordo Mercosul-União Europeia só estará totalmente implementado após 15 anos de sua entrada em vigor. 
    Tudo em 10, 15 ou mais anos. Até lá o burro falou.
    O certo é que o desemprego continua, a previdência foi estuprada (somos o Chile amanhã), o meio ambiente foi pro cacete, a roubalheira continua firme e, breve, o pré-sal será doado em novo crime de lesa-patria.
    Enquanto isso, travestidos de verdureiros, bozo e séquito continuam circulando e, tal e qual “bonecos de posto”, balançam loucamente os braços inflados pelo bafo fétido de um conservadorismo infame.

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