O que esperar de 2020? Por Paulo Gala

No cenário mundial a guerra comercial entre EUA e China deve abrandar por conta das eleições americanas em 2020

O que esperar de 2020?

Por Paulo Gala

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A produção industrial segue em lenta recuperação. Nosso nível de produção industrial está hoje ainda 20% abaixo do nível observado em 2014 e a apenas 20% acima dos anos 1980. Nossa recuperação de atividade geral ainda é muito lenta, com destaque para melhora do varejo e construção civil em São Paulo: talvez daqui a 3 anos consigamos retomar o patamar de produção de 2014. Nesse cenário a taxa SELIC deve vir abaixo de 5,00% e não provocará outra bolha de crédito como a que se viu em 2012; é difícil inflar duas bolhas na sequência. O estoque de dívidas das famílias e empresas continua alto, apesar de ter diminuído na margem; o excesso de oferta criado durante a forte expansão de crédito demorará a ser absorvido. O câmbio relativamente estável na casa dos R$4,00 e recuperação lenta de atividade vão manter inflação na casa dos 3,5%. Com juros mais baixos, a trajetória da dívida pública melhora muito, mostrando inclusive queda a partir de 2023 se o nosso crescimento acelerar a 2,5% ao ano. Esse cenário manterá nosso CDS abaixo dos 200 pontos e nossos preços de ativos seguem atrativos.

No cenário mundial a guerra comercial entre EUA e China deve abrandar por conta das eleições americanas em 2020. Trump não vai criar instabilidade econômica no momento de sua corrida presidencial; os chineses também tem interesse de resolver o assunto, por ora. Novos programas de estímulo monetário também votaram à mesa para discussão, especialmente na Europa e Japão que vem suas economias parando novamente. No momento os EUA são única economia rica que ainda cresce, mas também dá sinais de desaceleração. Os juros de 10 anos na Alemanha voltaram próximos do 0%, nos EUA caíram abaixo dos 2%. Hoje 15 trilhões de dólares em títulos públicos rendem juros nominais negativos. As sucessivas intervenções dos bancos centrais de países desenvolvidos no mercado monetário conseguiram reduzir as taxas de juros de curto e longo prazo contribuindo para comprimir os prêmios de risco, apesar de crescente dívida pública. Embora a compra de ativos em larga escala pelos principais BCs tenha gerado efeitos sobre o preço dos ativos financeiros, foi insuficiente para estimular o investimento produtivo e a recuperação econômica. Apesar da massiva expansão monetária dos BCs, houve uma queda nas expectativas inflacionárias e as ações de política monetária não geraram os impactos antecipados.

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O alto endividamento das famílias e empresas no mundo impede uma retomada consistente de atividade econômica. Bancos centrais foram obrigados a reformular o desenho das intervenções no mercado, a política monetária não convencional inicialmente concebida como temporária, virou permanente. Os “bond vigilants”, que previam a disparada dos juros longos nos EUA por conta da dívida pública continuam quietos. Taxas de juros próximas de zero, ou mesmo negativas, se tornaram o novo normal. Ativos financeiros no Brasil e no mundo seguirão apreciados. Bolsa no Brasil deve continuar subindo; juros longos nominais e reais em queda e taxa de cambio na casa dos R$4,00.

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