Jornal GGN – A economista e pesquisadora Monica De Bolle publicou em Época um artigo criticando a falta de coragem dos economistas “mainstreamers” em defender ações necessárias para a recuperação da economia. No texto, ela lança 3 ideias mesmo diante das críticas de que seriam todas “heterodoxas” para o atual governo.

Primeiro, uma hipótese levantada já há um ano, usar parte da reserva cambial de 380 bilhões de dólares para “reduzir a dívida pública brasileira, o que poderia ajudar na queda dos juros e do déficit nominal do governo.”

“O Brasil não tem dívida externa significativa, e a dívida soberana está denominada em moeda local. Portanto, por que não usar um pouco das reservas para dar alívio imediato à economia? Por acaso alguém realmente acha que por esse motivo apenas o real iria derreter junto ao dólar? Bolsonaro é capaz de fazer isso sozinho com um simples tuíte”, comentou.

A segunda sugestão seria tomar emprestada a proposta de Ciro Gomes, durante a eleição, de dar cabo da dívidas das famílias por intermédio de um programa do governo que facilite a negociação com os bancos. E daí que é ideia do Ciro, diz a economista àqueles que já torcem o nariz para a ideia apenas por se tratar de promessa de campanha de um candidato específico. “O que deveria importar é o sentido econômico.”

“Por fim, o sacrossanto Banco Central. Por que o Banco Central deve ter uma só meta? Por que o Banco Central não deveria, também, se preocupar com o desemprego em momentos extremamente bicudos? Estamos em um momento extremamente bicudo, com uma economia prestes a entrar em recessão. Será que a hipótese não deveria ao menos ser contemplada antes de ser jogada fora como mais uma heterodoxia doida? Sinto no Brasil muita vontade de as pessoas se esquivarem de perguntas que poderiam fazer muita diferença agora. Por que o engessamento intelectual?”, finaliza.

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5 comentários

  1. Internalizar 100 bilhões de dólares não iria apreciar ainda mais o já apreciado real e diminuir ainda mais nossa competitividade???

  2. Em 2017 o cientista e climatologista Antonio Nobre conversou com o Bruno Torturra do Estúdio Fluxo, onde entre outras coisas explica sobre como o neoliberalismo, enquanto uma apropriação indevida de temas pela má interpretação (ou fraude) do neoDarwinismo e dos limites do pensamento analítico à miopia humana em reconhecer a “inteligência” natural, onde a colaboração é a regra e a competição é uma anomalia, como o câncer funciona biologicamente. A conversa se dá no campus do INPE, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. O maior centro de pesquisas climáticas e atmosféricas da América Latina onde o pesquisador usa como exemplo para a conversa instrumentos tecnológicos para ilustrar o que ocorre com o planeta e a humanidade. O trecho postado do vídeo é na parte de trata desta visão do neoDarwinismo, mas vale a pena retroceder à conversa inicial.

    Título: Córtex com Antonio Nobre. Mudança Climática e o Fim do Mundo Materialista
    https://youtu.be/_9-fia-bdlo?t=3043

  3. Boas as duas últimas propostas.
    A primeira me parece desnecessária e perigosa. As reservas protegem contra ataques especulativos. Diversificá-las sim – deixar tudo quase tudo em títulos dos eeuu não parece prudente -, queimá-las para reduzir dívida em Reais não. Provavelmente é o que os credores querem, para sair do barco que eles mesmos estão afundando.
    O que o Real custa ao governo? Nada. Ah… mas e a inflação? Na circunstância atual não gerará inflação. Como já foi dito, moeda é titulo do governo que não paga juros. Tem curso forçado, todos querem, até o governo que o aceita para receber tributos.
    Moeda é algo complexo. Para começar a entender como a coisa funciona são pré-requisitos: Visão sistêmica e alguma capacidade de abstração. Algo extremamente raro.

  4. Vale lembrar que a primeira sugestão já era uma pretensão de Lula, quando em vias de se tornar ministro de Dilma, no que foi impedida por ações inconstitucionais do sr moro e de “oficio” do sr gilmar mendes.
    A segunda sugestão, o “refis dos pobres” atribuída a Ciro e bastante ridicularizada na ocasião, já está sendo adotada.
    Proponho uma quarta medida: demitir a equipe economica, todo restante dos ministros, presidente e filhos.
    Por fim: #lulalivre

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