FMI recomenda que o Brasil tenha “ambiciosa agenda de reformas” para retomar crescimento

Organização prevê crescimento de 0,9% do PIB do Brasil em 2019 e de 2% em 2020, graças a "tão esperada reforma da previdência"

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Jornal GGN – O mais novo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado nesta terça-feira (15), orienta o Brasil a fazer “ambiciosa agenda de reformas, aberturas comerciais e investimentos em infraestrutura”, além da “tão esperada reforma da previdência.”

A organização aumentou de 0,8% para 0,9% a expectativa de crescimento acumulado da economia brasileira em 2019, uma melhora de apenas 0,1 ponto percentual em relação a previsão que havia feito em julho, e 1,2 ponto percentual abaixo da expectativa que tinha em abril.

A estimativa da organização é semelhante à divulgada um dia antes, na segunda-feira (14), pelo relatório Focus, do Banco Central: 0,87% em 2019.

Entre as razões para o rebaixamento estão o rompimento da barragem de Brumadinho (MG). A tragédia de 25 de janeiro, que deixou 251 mortos e outros 21 desaparecidos, forçou a mineradora Vale a reduzir a produção de ferro em quase um quarto (92,8 milhões) dos 400 milhões de toneladas que estavam previstos para o ano.

A organização, porém, prevê para 2020 crescimento de 2% do PIB brasileiro e redução da taxa de desemprego para 10,8%. O nível atual de desemprego, segundo o IBGE, está em 12,3%, e a previsão do FMI é que o país termine 2019 com 11,8% no índice.

Na avaliação do FMI, a melhora nos índices econômicos se dará especialmente pela reforma da previdência. O pacote que altera o regime previdenciário no país já foi aprovado na Câmara dos Deputados, e aguarda votação final no Senado.

Para o FMI, entretanto, o Brasil ainda patina em relação “agenda de reformas”, especialmente a reforma tributária, considerada pela entidade como urgente. A equipe do ministro da Economia, Paulo Guedes, promete entregar, até o início do próximo ano, uma proposta que visa, entre outras medidas, unificar os impostos cobrados, reduzir o custo da folha de pagamento e alterar a cobrança do Imposto de Renda.

Visão neoliberal

O FMI foi o pivô da crise política que se instaurou nos últimos dias no Equador. Milhares de manifestantes tomaram as ruas contra o aumento dos combustíveis e as restrições econômicas impostas pelo “pacote neoliberal” firmado entre Lenin Moreno e o fundo monetário.

Após 12 dias de protestos contra as reformas econômicas, que deixou 7 mortos e 1.340 feridos, Lenín Moreno anunciou, neste final de semana, o cancelamento do pacote.

O FMI é uma organização que orienta os países a melhorarem o PIB sob os preceitos do capitalismo neoliberal, visão que propõe reduzir o papel do Estado em áreas de proteção, como saúde pública e previdência, acreditando que a criação de um ambiente de mercado competitivo, garante um bom desempenho econômico e aumento na qualidade de vida da população como um todo, que passaria a depender menos do Estado para ter acesso à serviços básicos de sobrevivência.

Ocorre que não há garantias que a menor participação do Estado no mercado garanta de fato um ambiente comercial competitivo. A visão neoliberal também é criticada por outra ala de economistas, para os quais cortes bruscos nas aposentadorias, por exemplo, e redução de impostos, com reformas econômicas que beneficiem apenas o mercado, diminuem a arrecadação, a distribuição de renda para toda a população, resultando em um nível menor das atividades econômicas.

*Com informações da BBC News Brasil.

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