Problemas do ensino público: participe do debate no jornal GGN

Como parte de um debate entre leitores do blog de Luis Nassif sobre a qualidade do ensino público no Brasil – básico, médio e superior –, o internauta André Araújo publicou comentário no qual analisa as mudanças históricas de estrutura de ensino adotadas em diferentes gestões, começando na ditadura militar, até políticas implementadas em São Paulo já na era da redemocratização. Confira os principais pontos defendidos pelo internauta e um resumo da participação de outros leitores.

Em seu comentário – feito originalmente no artigo “Por que ninguém mais quer ser professor na escola pública?” – o internauta compara o ensino público atual ao do período da chamada República Velha que, de acordo com ele, “funcionava razoavelmente bem” por conta, em especial, da boa remuneração dos professores da época, mas também porque não vigoravam então medidas que o comentarista considera equivocadas, como a aprovação automática – adotada na gestão Mário Covas em São Paulo – e “a abertura indiscriminada de faculdades” no país pelos militares, por entendimento do então ministro Jarbas Passarinho.

A sucessão de ministérios “medíocres”, assim como o descaso do Governo Federal e de governos estaduais com o ensino público, foram, ainda para o internauta, os motivos que resultaram na “degradação do ensino” público. E completa André Araújo: “Absoluta falta de consciência, de estadismo, de visão de futuro, um fracasso monumental de gestão, o preço vai ser muito alto, estamos com varias gerações comprometidas”, diz, afirmando que a educação foi “o ponto mais baixo” da gestão Fernando Henrique Cardoso.

Em comentário ao texto de André Araújo, republicado no blog, o internauta Carlos Ribeiro ironiza as políticas implementadas pelo PT no governo federal. “Só queria dizer o quanto sou grato pelo sistema educacional petista. Graças a ele, recentemente passei num concurso público competindo com jovens regados a cota, progressão continuada, ENEM e cursos de filosofia e sociologia ao invés de matemática e física. Meu novo emprego me espera”, diz.

Quantitativo X Qualitativo

Para outros comentaristas, o período da ditadura militar pode ser considerado como ainda pior, frente ao período pós-redemocratização. Um ponto recorrente no debate são os maus resultados educacionais expostos em números. “O sistema educacional brasileiro, AA (André Araújo), era ótimo em 30 de Março de 1964. E estava péssimo em 16 de Março de 1985. O que isso te diz?”, questiona um deles.

O internauta Gunter Zibell respondeu: “Eu diria que o problema não é só esse, o lado qualitativo. Tem a ver o quantitativo também. Até os anos 1960 não havia grande esforço para a universalização do ensino. Mas não sei se havia alguma obrigatoriedade constitucional. Esta foi surgindo, primeiro obrigando estados e municípios a criarem vagas até a 8a. série, mais recentemente no ensino médio. Agora se aproveita que o número de crianças está diminuindo para incluir pré-escola.”

Outro internauta, José Areias, que se identifica como professor de rede pública há mais de 17 anos, menciona a omissão de governos estaduais como corresponsáveis pelo problema. Para ele, nos últimos 20 anos, o que se viram foram “promessas, boas intenções e modismos, que vêm e passam”. Um dos grandes problemas, em sua opinião, é a falta de visão continuada, tanto nos Estados quanto nos municípios, e a desvalorização do professor. “A prioridade desse país nunca foi, e demorará muito a ser, a educação. Vejo só a lei do piso nacional, que tenta valorizar o salário docente: é lei federal mas não é cumprida na íntegra pelos governadores e nem pela maioria dos municípios”, argumenta.

Já a leitora Lídia Virni ressalta que os problemas citados não seriam únicos do Brasil. “Conversa de poucos minutos com jovens norte-americanos comprova sua total ignorância em conhecimentos básicos, na História de seu país e do resto do mundo, enfim, justifica o dito de que ‘um povo ignorante é mais fácil de ser dominado’. Basta ver em quem se vota, na porcentagem de participação nas eleições e na política em geral, e no apoio a política armamentista e as guerra genocidas. Acredito que devagar as coisas estejam mudando, sobretudo em função da crise brutal que os acomete. Mas que seu sistema educacional como um todo não é exemplo a ser seguido, não é mesmo”, diz.

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Veja o artigo original, no blog do jornalista Luis Nassif.

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1 comentário

  1. crise na educação

    A educação tem de ser colocada, assim como saúde e segurança, como política de Estado e não de Governo. Governantes que entram prometem, com suas mágicas, trazer o paraíso ao sistema educacional (um exemplo: o governo de São Paulo esta apostando na escola de tempo integral para o ensino médio. Para a sua implantação, obrigada o remanejamento de alunos do ensino fundamental e alguns do médio para outras escolas, provocando nas escolas que recebem esses alunos, a superlotação de salas, já que muitos alunos, por questão de segurança e outros motivos, preferem estudar no diurno do que no noturno.  O ensino em tempo integral tem seu lado bom, mas a forma pela qual esta sendo implantada, será mais um fracasso ). 

    Valorizar o docente é a primeira medida. Valorizar financeiramente, com um plano de carreira que o estimule a pesquisar, a buscar a constamente atualização. Uma jornada de trabalho (uma sugestão: 20 horas aula -incluindo aulas de reforço e 20 horas para pesquisa, preparar atividades, etc) em um único local. Com isso, o professor cria um vínculo com a comunidade. O aluno deixa de ser um número e passa a ter uma identidade para o professor. 

    Fortalecer o Conselho de Escola, que é o espaço em que pais, alunos, professores e equipe gestora podem discutir os rumos da Unidade Escolar e avaliar o trabalho feito pelos professores e alunos. As escola devem ter autonomia para elaborar o seu projeto pedagógico, inclusive deliberando se desejam ou não a progressão continuada. 

    Cabe ao governo, manter as escolas com recursos financeiros, não podendo interferir em sua autonomia. A centralização só trouxe benefícios para quem adora mandar e outros beneficiados por serem amigos do Rei. E com a internet, é possível dar transparência a todos os atos da escola, reforçando a autonomia do Conselho. 

     

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