A história da França e a solidariedade aos franceses

 
Enviado por J. Roberto Militão
 
A nossa solidariedade ao povo francês não pode nos fazer ignorar a história colonial e as perversidades que o império praticou na África e no Oriente Médio.
 
Não pode ser esquecida a traição do final da 1a, Guerra mundial em que a França convenceu os árabes a lutarem contra os 500 anos de domínio do Império Turco Otomano com a promessa que, ao final, teriam estados livres e soberanos. Com a derrota otomana, França e Inglaterra tinham um tratado secreto partilhando o oriente médio e se apoderando da emergente produção petrolífera e das imensuráveis reservas, a grande riqueza do século 20.
 
O presente se lamenta, mas a história não pode ser esquecida.
 
Do ConsciênciaH
 
 
Por:  Mawuna Remarque KOUTONIN
 
Você sabia muitos países africanos continuam a pagar imposto colonial a França desde a sua independência até hoje!

 
Quando Sékou Touré da Guiné decidiu em 1958 para sair do império colonial francês, e optou pela independência do país, a elite colonial francês em Paris ficou tão furioso, e em um ato histórico de fúria a administração francesa na Guiné destruiu tudo no país que representou o que eles chamaram os benefícios da colonização francesa.
 
Três mil franceses deixaram o país, levando todos os seus bens e destruindo qualquer coisa que não pode ser movida: escolas, creches, edifícios da administração pública foram desmoronou; carros, livros, remédios, instrumentos instituto de pesquisa, tratores foram esmagados e sabotado; cavalos, vacas nas fazendas foram mortos, e os alimentos nos armazéns foram queimados ou envenenado.
 
O objetivo deste ato escandaloso foi o de enviar uma mensagem clara a todas as outras colônias que as consequências da rejeição de França seria muito alto.
 
Lentamente, o medo se espalhou através da elite africano, e nenhum depois dos eventos Guiné já encontrado a coragem de seguir o exemplo de Sékou Touré, cujo slogan foi “Preferimos a liberdade na pobreza à opulência na escravidão.” 
 

 

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20 comentários

  1. O fato real é que a

    O fato real é que a descolonização deixou no vacuo da potencia colonial uma ELITE CLEPTOCRATA na maioria dos paises

    de tal modo que o “”povão”” está pior hoje do que estava com os colonizadores. Por toda a Africa ditadores da pior especie

    que assaltam o Tesouro e não construiram hospitais e escolar, o saneamaento por toda a Africa é ultra precario quando exuste, esgoto corre nas ruas das capitais africanas, no interior nem se sabe o que é isso,

    epidemias, doenças, miseria, violencia, deque valeu essa independencia?

    No mandato francês na Siria e no Libano havia certa ordem e civilização, depois da independencia em 1946 veio um Libano estraçalhado por guerras civis, uma Siria com 55 anos da familia Assad hoje em ruinas, a “independencia” levou ao desastre.

    A Historia precisa ser vista por todos os lados.

    • Caro andré, se for olhar era

      Caro andré, se for olhar era assim em praticamente todos so países “colonizados”. O Iraque mesmo é um bom exemplo ( se quiser veja o Afganistão). A questão é que enquanto colonizadores não conseguiram ou não quiseram – seja lá quais foram as razões- formar uma nação coesa. Quase sempre os países – como viraram países já seria outro post- cairam nas mãos de ditadores da pior espécie, e o povo, com o perdão da palavra, se fudendo.

  2. O que foi feito no Haiti, e é esquecido por todos é ainda pior.

    O Haiti foi o primeiro país colonial a se libertar e formar um governo negro na América.

    Como vingança a isto a França da Liberté, Egalité, Fraternité impôs a este país uma severa indenização para compensar os senhores de escravos franceses que perderam o seu patrimônio (no caso os escravos). Durante séculos a França cobrou esta “impitoyablement”  esta dívida, fazendo com que jamais o Haiti tivesse capacidade de se erguer como um país livre e soberano.

    Digo que é pior do que fizeram na África, pois todos estes descendentes de africanos que existiam no Haiti eram escravos e não colonizados, pode qualquer um dizer que um colonizado perde a sua identidade, porém um escravo além de perder a identidade perde a vida.

    Se formos fazer mapas da iniquidade dos povos e preencher neste mapa de uma cor todos os países ou nações que sofreram de uma cor e os que fizeram outras nações sofrerem de outra cor, teríamos dois mapas mundi com as duas cores preenchendo toda a superfície terrestre, uns milênios atrás e outros a centenas de anos, mas os mapas ficariam totalmente preenchidos.

      • Napoleão acabou há 200 anos,

        Napoleão acabou há 200 anos, o Haiti teve todo esse tempo para se levantar. A Australia tem a mesma idade do Haiti e foi

        uma colonia penal, só mandavam para lá condenados da justiça e hoje é um Pais de primeirissimo mundo. Cada Pais faz seu destino, a Africa já foi descolonizada há mais de meio seculo, não dá mais para culpar o colonizador.

        • Napoleão acabou há 200 anos, mas…

          Pode parecer até bizarro ou um absurdo, mas até outubro deste ano a dívida do Haití de 1808 ainda não havia sido totalmente perdoada, não cobravam agora porque o Haiti não tinha dinheiro, mas a dívida que era 150 milhões de francos ouro em 1808, passou para 90 milhões de francos ouro em 1838, e os haitianos pagaram até 1883, era o equivalente a 16 bilhões de Euros.

          Ou seja, no mínimo a economia do Haiti foi drenada até a exaustão em 1883, por quase 100 anos.

          • Mesmo assim são 100 anos

            Os haitianos pagaram até 1883? Mesmo assim, já são mais de 100 anos, tempo suficiente para os haitianos se recuperarem. Na mesma época foi imposta à França uma indenização de 5 bilhões de francos após a derrota na guerra franco-prussiana, e nem por isso o país se arruinou. A verdade é que nenhuma indenização de guerra jamais foi paga integralmente. O Paraguai pagou ao Brasil até 1943, mas naquela época o valor já era simbólico.

            Essa história de que a dívida imposta pela França ao Haiti foi a causa do empobrecimento do país é uma das lendas mais duradouras que já houve. Mesmo pessoas relativamente bem informadas acreditam nisso. Quando se cita um valor que o Haiti estaria pagando até hoje à França, trata-se de outras dívidas contraídas desde então – o Haiti tem dívida externa, como todos os países. Essas e outras dívidas já foram perdoadas ao Haiti vezes sem conta, e o país vive da caridade internacional há anos. O motivo do empobrecimento do Haiti eu já expliquei em outro post.

             

    • Foi o desmanche da estrutura agrária que destruiu o Haiti

      Impressiona como é longeva essa lenda de que foi uma indenização imposta pela França, que estaria sendo paga até hoje, a causa do Haiti haver se tornado o país mais pobre das Américas.

      O Haiti foi a colônia mais rica de sua época, por causa das plantações de cana-de-açúcar sustentadas pelo trabalho escravo. Essa estrutura agrária foi totalmente desmantelada após a independência, e desde então o Haiti deixou de ser um grande exportador de commodities para regredir a um estágio de primitivas culturas de subsistência, à imagem da África ocidental de origem da maior parte de sua população. Essas culturas rapidamente arruinaram o solo, e sem divisas de exportação, qualquer projeto modernizante tornou-se inviável: o Haiti atravessou os séculos como enclave africano nas Américas, exibindo um quadro sócio-econômico similar ao da África ocidental, e como esta, dominado por oligarquias violentas e povoado por massas miseráveis.

      Para se ter uma imagem vívida dessa transformação, basta comparar o Haiti com a República Dominicana, com quem divide o mesmo espaço geográfico e o mesmo clima: na época dos franceses, São Domingos era a irmã pobre do Haiti. Hoje é mais um país subdesenvolvido do Caribe, mas tem um padrão de vida muitíssimo superior ao haitiano, bem como um território muito mais bem preservado, ainda com muitas reservas florestais. Isso aconteceu porque o processo de independência da República Dominicana foi similar ao das outras ex-colônias ibéricas: a administração estrangeira foi substituída por uma administração local, mas a economia e a sociedade permeceram intactas. Por este motivo estabeleceram-se dois padrões de países subdesenvolvidos ex-colônias na região: os pobres, como a República Dominicana, e o miserável, o Haiti, com indicadores similares aos da África ocidental. Se a independência do Brasil houvesse se dado por meio de uma rebelião de escravos, teríamos hoje o mesmo quadro de desolação, miséria absoluta e governos sanguinários.

      É um maniqueísmo tolo dividir as nações entre opressoras e oprimidas, e pintá-las com cores diferentes no mapa. Todas as nações foram opressoras ou oprimidas em etapas distintas de sua história. Os africanos não são vítimas patéticas. Como todos os outros povos, eles jogaram o jogo da civilização. Às vezes jogaram bem, outras vezes jogaram mal. Às vezes ganharam, outras vezes perderam.

    • Negativo. As ex-colonias

      Negativo. As ex-colonias francesas são os melhores paises da Africa, os francesos deixaram a lingua, cultura, uma certa organização do Estado, ainda hoje usam o franco comunitario como moeda.

      A Africa prepcolonização era PESSIMA em condições de vida, não tinha nada de edificante, dois mil tribos lutando umas contra outras, quem perdia virava escrava de quem ganhava portanto a colonização não desmanchou um paraiso.

      • André, sério, não bosteja.

        A África pré-colonização não era péssima coisa nenhuma, haviam impérios gloriosos e extremamente ricos. Só para teres uma ideia da tua total ignorância do que era a África pré-colonial, o rei do Mali (século XIV), Mansu Musa I, foi considerado por um site de celebridades que pesquisou em toda a história nada mais nada menos do que O HOMEM MAIS RICO DO MUNDO DE TODA A HISTÓRIA (possuía uma riqueza equivalente aos dias atuais de US$400 BILHÕES DE DÓLARES.

        Ou seja, se um reino através do comércio chega a enriquecer seu rei ao ponto de virar o HOMEM MAIS RICO DE TODA A HISTÓRIA DA TERRA, quer dizer que não era tudo um bando de miseráveis.

        A costa leste africana, possuía outros grandes reinos, Uganda foi também um grande reino assim como a Etiópia também foi outro grande reino.

        A ignorância de uma história não dá direito de escrever besteira sobre um continente.

         

      • So para mentes tacanhas e mal

        So para mentes tacanhas e mal informadas a “Africa precolonização não tinha nada de edificante” e foi a colonização que lhe trouxe “cultura”.

        Alguem para dizer tanta besteira jamais deve ter se detido diante de uma obra de Picasso ou de outros grandes artistas europeus, influenciados pela cultura africana.

        Certamente tambem, jamais deve ter observado a arquitetura dos templos e palacios marroquinos,ou os tecidos da Etiopia antiga.

        O incrivel é como os reacionarios, defensores ferrenhos da colonização,  demonstram tanta ignorancia com uma empafia de sabedoria. Consideram-se donos da verdade.

  3. observações
    Na relações dos pais aparece Guiné Bissau.

    Na verdade este pais foi colonia portuguesa. O correto seria Guiné Conacry.

    Os soldados africanos não só lutaram na 2ª guerra mundial como na primeira guerra mundial ( Soldados do Senegal etc).

    O colonialismo foi algo terrivel para Africa que ainda está sofrendo consequencias dele até hoje. Fora alguns intelectuais quem se interessa?

  4. Isso sem falar nos belgas,

    Isso sem falar nos belgas, colonizadores do Congo. Selvageria é pouco pra eles. 

    Perto de franceses e belgas, os ingleses eram uns gentlemen. Sabiam negociar, pelo menos. Para lucrar o máximo, claro.

  5. O colonialismo foi brutal, mas…

    O colonialismo francês foi brutal, tal como todos os outros, mas é ingenuidade supor que os atentados em Paris são uma vingança tardia contra esse colonialismo. Os conflitos do mundo árabe são complexos e têm uma história muito mais antiga do que as lutas decorrentes do colonialismo – vem desde a divisão do islã entre sunitas e xiitas, sem falar dos wahabbitas. A maioria dos ocidentais não sabe coisíssima alguma sobre essas divisões e ódios internos no mundo árabe e muçulmano, mas é engraçado ver como todos têm uma explicação na ponta da língua quando surge um atentado. Na época da explosão das torres gêmeas foi a mesma coisa, o que teve de bocó jurando que se tratava de um “ataque ao capitalismo” não foi brincadeira.

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