A imprensa nos casos que podem derrubar Bolsonaro, comentário de Luiz Gomes

Nenhuma mídia ousou pedir uma entrevista com o autor do "atentado" no presídio. Todos compraram, ainda que restem dezenas de perguntas sem resposta

Foto: Reuters

Por Luiz Fernando Juncal Gomes

Comentário no post A investigação sobre os Bolsonaros e a narco-República a caminho, por Luis Nassif

Somente 2 fatos derrubam o governo: 1) Marielle Franco; e 2) o caso de Juiz de Fora.

O caso Marielle Franco é uma coleção inacreditável de evidências robustas, todas esmiuçadas há mais de ano pelo Luís Nassif. Toda e qualquer investigação de um assassinato começa com uma questão: quem teria interesse? Por quais motivos? No caso Marielle, há uma usina Itaipu de motivos e interesses jorrando por todas as comportas. O segundo fato é muito pior.

Aprendi aqui, no GGN, que o capitão sempre esteve ligado ao que havia de mais barra pesada no submundo do crime, desde os tempos do episódio do Riocentro, do grupo de militares contrários à abertura política, chegando ao atual submundo das milícias cariocas.

Teorias precisam ter os pés no chão, senão corre-se o risco de integrar o clubinho dos lunáticos, e começar a falar de demolição controlada do World Trade Center, ou correlatos.

O candidato que não pode comparecer a um debate porque não articula uma frase com meia dúzia de palavras se vê com um motivo de “força maior” para fugir: “tô de atestado médico”. Mas privilegia os amigos (SBT/Record) com toda sorte de entrevistas, mesmo estando “de atestado médico”.

Em política, dizem, não existe acaso, coincidência, ingenuidade e por aí vai. Existem inúmeros pontos obscuros num episódio que foi decisivo para a eleição de um presidente. Segundo o saudoso Paulo Nogueira, fundador do DCM, a função basilar do jornalismo seria a de “jogar luz onde existem trevas”.

Compreende-se que a mídia independente não tenha ido atrás. Faltam recursos. São necessários tempo, muito tempo, equipe jornalística, recursos humanos e materiais (dinheiro). Li outro dia que o Intercept estaria entrando no caso, porém não consegui confirmar. Eles têm bala na agulha (leia-se recursos). Se for verdade, é um alento.

O único órgão de mídia tradicional que esboçou um início de investigação semanas atrás foi a Folha, que deslocou uma dupla de profissionais até o norte de Minas Grais para ouvir a família de um suposto limítrofe, que ninguém sabe como sobrevivia sozinho e pagava seus boletos sendo supostamente limítrofe. Depois disso, nada. Um suposto limítrofe que parece que brotou do chão, eis que ninguém achou uma única pessoa que tenha convivido com ele esse tempo todo para dar um testemunho. Nada.

Nenhuma espécie de mídia ousou pedir uma entrevista com o autor do “atentado”no presídio, levando a tiracolo um psiquiatra. Todos compraram a potoca por boa, ainda que restem dezenas de perguntas sem resposta. Nada. Caso encerrado.

Os Bolsonaro são capazes de tudo, não têm limites, convivem estreitamente há décadas com o submundo do crime. Mandam matar, inclusive. A potoca de Juiz de Fora está no mesmo nível do episódio do Riocentro.

Por fim, deu na Mônica Bérgamo de hoje: “Algo grave, ainda não público, ocorre e já é do conhecimento dos Bolsonaros, tamanha é a inquietação entre eles” (Mônica Bergamo).

 

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