Loures e empresa de portos divergem em versões

 
Jornal GGN – A Rodrimar, empresa investigada por suspeita de favorecimento em decreto dos portos de Michel Temer, editado em maio de 2017, em entrevista à Folha, afirmou que que Rodrigo Rocha Loures (MDB-PR), ex-assessor de Temer, foi um dos integrantes do grupo criado pelo governo para discutir as novas normas para o setor. Normas benéficas. 
 
Loures, por seu turno, declarou à Polícia Federal, que as empresas o viam como interlocutor do governo no tema, o que “não era verdadeiro”.
 
No início das apurações, em junho passado, Rodrigo Mesquita, executivo da Rodrimar, investigado no reflexo da delação da JBS, afirmou que Loures era “um importante interlocutor” dos interesses do setor portuário quando o decreto estava sendo discutido.

 
As versões conflitantes levantam suspeitas de que Loures esteja minimizando sua participação no feito, o que o coloca no centro de investigações da PF. O inquérito de benefícios ao setor de portos é o único ainda aberto que tem Temer como alvo.
 
Todos porém são unânimes em afirmar que os contatos foram institucionais, e que não houve pagamento de propina.
 
O decreto em questão, assinado por Temer, ampliou de 25 para 35 anos os prozos de contratos de concessão e arrendamento de áreas nos portos, podendo prorrogar por até 70 anos. A Rodrimar opera em duas áreas no porto de Santos e seria beneficiada em uma delas. O Porto de Santos e Temer se entrecruzam em vários pontos de sua vida política.
 
Loures disse em seu depoimento que conheceu o executivo da Rodrimar em 2013, quando em discussão a lei dos portos. Depois disso, segundo ele, só foi saber do decreto em 2017, quando a minuta do decreto chegou à Casa Civil, enviada pelo Ministério dos Transportes, simplesmente por ser assessor especial de Temer à época.
 
Loures minimiza sua atuação no tema quando deputado, dizendo que teria sido procurado por pessoas do setor só pelo fato de ter passado pela ‘estrutura da Presidência’ e que os representantes ‘imaginavam’ que teria maior interlocução junto a Temer, ‘o que não era verdade’.
 
Se Loures diz que nunca recebeu orientação especial de Temer para tratar do caso, a Rodrimar, em nota, afirmou que ele participou do grupo criado pelo governo para discutir o tema ‘desde quando era assessor da Presidência da República’. E o ex-assessor, enquanto deputado, recebeu representantes do setor mas nega que tenha prometido fazer qualquer pressão junto ao governo.
 
O executivo da Rodrimar, por seu turno, disse que as reuniões ocorriam com frequência semanal ‘visando à atualização quanto à tramitação do novo marco regulatório’.
 
Para finalizar e coroar a questão, a PF, em grampo autorizado pela Justiça, captou o ministro dos Transportes, Maurício Quintella (PP-AL), parabenizando Loures em 11 de maio de 2017, um dia após a publicação do decreto, dizendo ‘foi um golaço. A mídia repercutiu muito bem, o setor está feliz’. Loures afirmou, à FF, que a felicitação deve ter sido pela finalização do processo, sem qualquer relação com seu papel na causa.
 
 
 
 
 

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