Serpentes no paraíso eleitoral, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Serpentes no paraíso eleitoral, por Fábio de Oliveira Ribeiro

O Judiciário condenou e prendeu Lula de maneira injusta. Mas a liderança política dele continua crescendo de maneira consistente. Segundo as pesquisas eleitorais que foram divulgadas o ex-presidente petista pode ganhar a eleição presidencial de 2018 no primeiro turno. Se for impedido de concorrer o resultado será devastador. A nação continuará dividida e o presidente eleito terá que recorrer à força bruta para compensar sua falta de legitimidade popular.

De outro lado, Sérgio Moro veio a público dizer que eleições democráticas trazem risco para a Lava Jato. No imaginário do juiz curitibano, a operação que ele conduz é mais importante que a soberania popular. Na prática Sérgio Moro deseja ser o único eleitor brasileiro. A CF/88, que qualquer juiz tem que cumprir e fazer cumprir, prescreve que todo o poder emana do povo. Portanto, a vontade singular de um único juiz não pode se sobrepor à vontade soberana do conjunto da população. Se não foi capaz isso, Sérgio Moro deveria ser afastado do cargo e mandado de volta para o primeiro ano da Faculdade de Direito. 

A eleição de 2018 está sendo transformada no hospício da República. Folha de São Paulo e Estadão noticiaram de maneira burocrática a prisão de um assessor próximo do governador tucano de São Paulo. Os jornalões que presumiam que Lula e Dilma deveriam saber de tudo o que seus subalternos faziam não estamparam na: GERALDO ALCKMIN SABIA! Nenhum comentarista exigiu a aplicação do domínio do fato ou a prisão temporária do candidato presidencial.  

O espaço entre o que deve ser (campo jurídico) e o que realmente é (campo político) foi deliberadamente reduzido pela imprensa, cujo moralismo seletivo é mais do que evidente. Não só isso, agora o campo político está sendo invadido pelos desejos autoritários. Sérgio Moro deseja ser o único eleitor da república. Ciro Gomes deseja enfiar seu nome goela abaixo dos petistas. Jair Bolsonaro deseja o poder para realizar um genocídio de índios, quilombolas, gays, petistas, comunistas, etc… Geraldo Alckmin deseja ser declarado santo e ficar impune da corrupção que comandava. A esmagadora maioria dos brasileiros desejam votar em Lula. O Judiciário deseja impedir o povo de votar no candidato de sua preferência. O MBL deseja continuar a difundir fake-news contra as lideranças petistas.

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Meu avô materno, que foi vereador três mandatos e vice-prefeito de Eldorado-SP duas vezes, dizia que quem cria filhotes de serpente embaixo da cama quer ser picado ao levantar dela. Segundo o Dicionário de Símbolos, Herder Lexikon, Cultrix, 2009, a serpente é um símbolo poderoso que foi associado a coisas diferentes em culturas distintas. Ela pode simbolizar algo positivo (como a auto renovação permanente da vida no culto de Asclépio entre os gregos) ou negativo (entre os judeus e cristãos a serpente é associada à tentação de Eva e ao desejo que a fez provar o fruto da árvore proibida junto com Adão).

Através de uma associação mais ou menos livre, podemos dizer que o desejo que leva à queda (e a expulsão do paraíso) pode também levar à cura pela renovação individual, coletiva e institucional (a vitória da política sobre a injustiça, a predomínio da democracia sobre o autoritarismo, etc…). O caminho entre a queda imposta ao Brasil pela Lava Jato e redenção do país pela soberania popular está sendo povoado por serpentes. Em algum momento seremos obrigados a morde-las.

A mordida que o MBL levou do Facebook é uma prova de que é possível impedir o terrorismo virtual mirim de crescer e fomentar a organização de grupos criminosos de ação direta. O terrorismo judicial, contudo, não será derrotado tão facilmente. Morder um juiz é muito perigoso, pois as serpentes togadas são muito unidas e extremamente tóxicas. 

2 comentários

  1. O judiciário é a serpente do fascismo

    Em algum momento teremos de enfrentar a casta judiciária com extremo rigor. Uma reforma profunda é premente e talvez baste para exterminar definitivamente as bestas fascistas que tomaram o judiciário de assalto. É inadmissível numa democracia de fato (e não apenas formal como a nossa) a existência de um poder que se julga acima dos demais e que se quer superior à  própria soberania popular. Essa anomalia ofídica terá que acabar de algum modo seja de forma pacífica ou violenta. Que essa serpente será destruída em algum momento não há a menor dúvida. Pois a história segue apesar das inúmeras tentativas de paralizá-la por parte de déspotas de diferentes matizes ideológicos de ocasião e, principalmente, por autocratas togados cuja única função na vida é e deveria ser aplicar a Lei e não usá-la de forma abusiva e egoísta como vem ocorrendo neste infeliz país. Basta, logo essa Bastilha cairá por bem ou por mal!

  2. REVOLUÇÃO FRANCESA

    Vamos restaurar a democracia da forma mais suave – uma revolução popular, nos moldes de Revolução Francesa de 1789, que mudou completamente a forma dos governos da época… legitimidade… a guilhotina vai funcionar…. será a nossa Bastilha…

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